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Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

18 de fevereiro de 2011

Coloridas celas em preto e branco

Rodo do Cotidiano

Bom dia Confrades! Espero que todos estejam vivendo bons momentos!

Estou escrevendo para compartilhar meu matutino sentimento de luto. Sim, sinto-me como se estivesse a beira da morte. Penso que esse sentimento tenha relação com a minha decisão de romper com o conhecido no tocante as minhas atividades profissionais (que em nada tenho por profissional). É um sentimento de "sem chão": não sei para onde ir, o que fazer, que passo dar e, com isso, tudo fica no ar. A reação da mente é imediata e agressiva. Ela clama pelo conhecido, insiste em manter-me profissionalmente dependente, a fazer-me escravo mendicante dos velhos e mesquinhos contatos que mal alimentaram o bolso, quanto mais as necessidades mais intrínsecas de meu ser. Mesmo assim, sigo em frente com minha decisão. Como dizem nos grupos anônimos, estou "soltando-me e entregando-me a Deus (a vida ou seja lá o raio que for)”. Em resposta, a mente grita: “você vai cair de costas pois não vai ter ninguém para te segurar!”

Fico só na observação desses movimentos mentais e seus respectivos sintomas no corpo... A ansiedade, os medos, as dores...

Como diz o Osho, "é preciso chegar no olho do ciclone, e de lá observar a tempestade".

Mas a mente não quer saber... Cobra uma postura, uma ação, seja lá qual for. Ela quer que eu faça como a maioria: arranjar um emprego qualquer, se vender de forma barata, mas trabalhar. Pede para que eu me atire para todos os lados... Que me entregue a um emprego com carteira assinada, que deixe de lado minha preciosa autonomia e sua liberdade, que abra a mão de meu tempo para entregá-lo a alguém que me vê apenas como um mero e descartável fazedor de números em troca de um limitadíssimo número num salário mensal. Que eu me entregue a pessoas que não tem o mínimo de comprometimento comigo, que me descartam rapidinho. É o velho molde de cada um para si e que se dane o bem-estar comum. Para essas pessoas, quando se trata de dinheiro, o único valor em conta é o valor do dinheiro na própria conta.

E o medo se concentra na base da coluna... Novamente as dores... E o medo grita: “Parasita! Problemático. Fraco. Não percebe que o mundo é dos mais fortes?”

Fico só na observação. A mente quer que eu me identifique com esses sentimentos de "fracasso total"... Entre seus monólogos:

"Quem é você para pensar em viver de modo diferente do que está estabelecido? Se todo mundo aceita uma carteira assinada, dar mais que a metade de seu dia para um emprego que não lhe toca o coração, por que você não deve aceitar o mesmo? Veja, pelo menos, essas pessoas não estão vivendo o perrenho financeiro em que você se encontra. Você é um prepotente, um arrogante... Deveria aceitar as ofertas de trabalho escravo que se apresentam para você e que já lhe são conhecidas. Onde você pensa que vai chegar com esse estilo romântico de ser?

Fico me questionando o que fazer para garantir meu sustento, sem abrir mão de meu precioso tempo, minha liberdade de ir e vir, minha autonomia... Mas nada se apresenta... Só o velho que me desgasta em velho.

Confrades, enquanto buscava pão para o café da manhã, fiquei olhando o amontoado de pessoas no ponto de ônibus, os mesmos sempre lotados, e as pessoas, nos coletivos e automóveis com o rosto pesado, tenso, cara fechada...

Não tem como eu aceitar isso como algo saudável. A maioria, com o corpo apresentando claros sinais de obesidade mórbida, fruto da glutonária fuga para satisfazer a profunda insatisfação... Fico me questionando se viver é ter que se conformar e se enquadrar nesse consórcio de celas, cujo colorido vem com tons de preto e branco. Algo dentro de mim grita que não. E assim, espero.

À todos, um abraço fraterno e um ótimo fim de semana!

Nelson Jonas
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