Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

31 de maio de 2012

Autocompreensão

"Se não começais a compreender a vida desde jovens, crescereis muito feios, interiormente; sereis estúpidos e vazios, ainda que, exteriormente, tenhais dinheiro, andeis em carros de luxo e pareçais muito importante."
 
Krishnamurti

Uma carta para alguém que quero bem


Perceba a enorme rede de condicionamentos que prendem algumas pessoas e a maneira pela qual querem nos "infectar" com tais condicionamentos, os quais tendem a impedir a livre expressão do ser que somos e que ainda se encontra — momentaneamente — sufocado pelas máscaras e fantasias que por décadas insistimos em usar. Sei que é preciso coragem para buscar por pessoas cuja mente esteja bem à nossa frente e que, portanto, com seu modo se ser e estar no mundo, nos desafiem a extração do nosso melhor, que nos deem trabalho de raciocinar sobre uma linguagem que sai dessa trivialidade, dessa banalidade de assuntos que ouvimos todos os dias e que de forma imatura, à eles nos conformamos, permitindo assim, compactuar da estagnação do desenvolvimento de um estado de ser que pode nos brindar com o portal de uma inteligência criativa nunca antes imaginada. Para tanto, isso requer coragem; coragem de assumir a mediocridade da normalidade que está profundamente enraizada dentro de nós, assim como à nossa volta; coragem de não mais compactuar com isso, pois compactuar com isso, se traduz numa falta de respeito e amor, tanto com nós mesmos, como para com àqueles com quem pensamos de fato nos relacionar. Não é fácil a dor da constatação de que, de fato, não nos relacionamos. Se olharmos bem, veremos como é ridícula a forma com que aceitamos viver, nos relacionar, a forma sempre imitativa pela qual nos expressamos. Isso faz sentido para você? Nossos assuntos, na realidade, "não são nossos"; são quase sempre assuntos de uma passado morto, assuntos relativos à alguém que não se faz presente, assuntos de jornal, de televisão e da banalidade e mediocridade de pseudo-artistas de talk-show. Isso soa como verdade para você? Se assim é, então, lhe pergunto: por que diabos, nos conformamos em participar disso? Por que não exigimos o melhor de nós e daqueles que, em nossa inconsciência, acreditamos amar? Por que insistimos em participar desse clubinho de mente limitada, desse coro dos contentes, tão distantes de seus próprios entes? Quer saber o que descobri?... Porque temos profundo medo da solidão!... Isso faz sentido para você?... 

Temos medo de ficar com nossa solidão, com nosso tédio, com nossa intrínseca insatisfação que pede, que clama por plenitude e, como não encontramos plenitude em nossos contatos — o que de fato, nunca encontraremos — tentamos preencher nosso vazio com um monte de coisas vazias... Comida, comida e mais comida, relacionamentos disfuncionais, sexo tão intenso e gratificante como uma porta-giratória, gastos desnecessários com uma tecnologia aceleradamente descartável, com a mania de guardar coisas desnecessárias e, novamente... Comida, comida e mais comida... Churrasco de fim de semana sem a mínima intimidade, regados com bebidas e tvs de plasma com uma programação pra lá de imbecil. Na melhor das hipóteses, com a leitura de alguns livrinhos de frases prontas, que não forçam nosso raciocínio, que não falam muito diferente do que já está sendo dito em nossas redes sociais com sua filosofia falsebookniana, que não aplacam as torturantes falas de nossas questões internas. Isso faz sentido para você? 

Por que isso? Por que aceitamos em trabalhar com qualquer coisa? Por que? Por que fazemos isso conosco? Por que repetimos o mesmo modelo de nossos pais e avós? Por que não olhamos com propriedade para a vida deles e questionamos seriamente se eles foram ou são felizes com o modelo que passaram de herança para nós? Quando olho para essa herança, me deparo com um enorme presente de grego, um enorme cavalo de Tróia social. Não é difícil perceber isso, basta observamos seus sofrimentos silenciosos, afinal, por mais que tentem disfarçar com suas coleções de "tudo bem!", seus corpos os delatam de maneira gritante. Você não percebe isso?

Sei que não é fácil se abrir para o desconhecido que somos nós. Quando fazemos isso, quando ousamos por isso, quando finalmente defendemos esse nosso direito, descobrimos muitas facetas que por vezes, momentaneamente, se mostram sem o menor sentido; não se preocupe, pois é assim mesmo! É natural que a mente, nesse momento, contrataque com uma indevida carga de culpa, remoroso ou autopiedade, ao ponto de causar uma dor tão grande que nos impulsione ao fechamento dos olhos ou então, para a narcotização daquilo que estamos vendo. Se você estiver "vendo com clareza", é claro que vai descobrir coisas nem um pouquinho agradáveis... É natural a mente produzir culpa, medo e vergonha, afinal, ela foi condicionada, desde seus primeiros anos, à esse modo de reação; é óbvio que vai aflorar à consciência, muitas de nossas escolhas equivocadas que, na realidade, nem sequer podemos chamar de escolhas, afinal, como diz a música, "entramos de gaiato no navio", nesse navio social, com um enorme rombo em seu calado, em sua base que se apresenta abaixo da colorida superfície. Não há por que se culpar por isso, afinal, não havia material, não havia base, não havia fundamento lógico, não havia inteligência e, portanto, apenas, reagimos, na maioria das vezes, de forma totalmente equivocada e irracional, à falta de presença e psicologia diante de nossa natural necessidade emocional. 

Mas, lhe garanto: aqui, se não negligenciamos a escuta atenta de nossos pensamentos e sentimentos, "fatalmente" nos deparamos com uma grande oportunidade de transcendência, uma grande oportunidade para o facultar do "despertar da inteligência", para a abertura dos olhos que veem, por detrás desses cansados olhos que pensam ver. 

Não se preocupe se os outros não compreendam o seu momento; isso é muito natural. Também não se preocupe em perder tempo para tentar explicar aquilo que você sente, afinal, se por vezes não é fácil explicar nem para nós mesmos aquilo que sentimos, que dirá explicar para o outro que, além de quase sempre não saber escutar, carrega consigo, uma enorme imagem à nosso respeito? Aqui, acabei descobrindo, à duras penas, que a melhor linguagem, o melhor idioma, é: silêncio!

Descobri que o mais importante nisso tudo, é não negar esse nosso lado sombra... É preciso trazê-lo à luz da razão, à luz do discernimento; percebe? Tenho certeza que você já ouviu isso antes: onde há sombra, quanto maior, maior a luz! 

Amiga, a dor é como uma plataforma exploradora do "petróleo existencial" nesse imenso mar de inconsciência... Sua sonda tem que ir fundo, bem fundo, tem que ser poderosamente cortante... Se for bem orientada, ao deparar-se com um leito fértil expresso por uma mente aberta, tudo subirá com muita energia, com muita força, trazendo ao ar que respiramos, um horrível cheiro e muita sujeira; no entanto, se bem laborado seu conteúdo, este se mostra inquestionavelmente valioso. Portanto, com a certeza vivida na própria pele, por várias e várias vezes perfurada ao longo destes anos de busca é que lhe lanço a validação de seus sentimentos através deste fraterno incentivo:

Aqui é não negar! É se permitir o sentir, afinal, é pelo sentir que o Ser, em ti, silenciosamente, se apresenta! 

Um fraterabraço e um chute nas canelas!

Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com

30 de maio de 2012

A verdade pode ser buscada?

Segredo da Vida

No momento em que você começa a procurar por si mesmo, torna-se um ser abençoado. A própria procura é o início da transformação. Quanto mais empenhado você estiver nessa procura, mais cedo acontecerá a transformação. Faça isso com intensidade, com totalidade.

Este é um dos segredos fundamentais da vida e da existência: você só vive quando tem algo pelo qual está disposto a sacrificar até a própria vida. A vida só começa quando você tem algo mais - mais nobre, maior, mais sagrado que a vida. Quando a própria vida se torna apenas um meio para um fim maior, então ela começa a ter um contexto. E só nesse contexto há sentido, significado, alegria.

Osho

Explore seu interior

Nascemos com um grande tesouro, tão vasto, tão grandioso que é inexaurível. Mas vivemos em tão grande pobreza porque nunca cavamos até o fundo de nosso ser. Procuramos em outros lugares. Este é o detalhe mais estranho no homem: ele procura em todos os lugares - está disposto a ir ao monte Everest, está disposto a ir à Lua - mas não está pronto para entrar em si mesmo.

No momento em que você diz "Explore seu interior", as palavras não são ouvidas. Mas é lá dentro que está o tesouro. E vivemos carregando o tesouro, porém continuamos como mendigos. Sua realidade está em seu interior, e você a procura fora. A primeira exploração deve ser feita internamente. Se você não a encontrar lá, é claro que poderá explorar o mundo todo. Mas isso nunca acontece. Aqueles que procuram dentro sempre encontram.

Osho

29 de maio de 2012

Quando cessa a busca


Durante muitas vidas eu trabalhei – trabalhei em mim mesmo, lutando, fazendo o que fosse preciso fazer — e nada aconteceu. Agora eu entendo por que nada acontece. O próprio esforço era a barreira, a própria escada estava impedindo, o próprio impulso de busca era o obstáculo. Nada é atingido sem a busca — buscar é necessário — mas chega um ponto em que a busca precisa ser abandonada. O barco é necessário para vocês atravessarem o rio, mas chega o momento em que vocês têm de largar o barco, esquecer tudo sobre ele e deixá-lo para trás. O esforço é necessário, sem esforço nada é possível. Mas também somente com esforço, nada é possível.

Pouco antes do dia 21 de março de 1953, sete dias antes, parei de trabalhar em mim mesmo. Chega o momento em que vocês vêem toda a futilidade do esforço. Vocês fizeram tudo o que podiam fazer e nada aconteceu. Vocês fizeram tudo o que era humanamente possível. O que mais podem fazer então? No mais absoluto desamparo, toda a busca é abandonada. E no dia em que acabou a procura, no dia em que eu não buscava mais coisa alguma no dia em que eu não esperava que algo acontecesse, começou a acontecer. Uma nova energia surgiu — do nada. Ela não provinha de uma fonte. Ela vinha de lugar nenhum e de todos os lugares. Ela estava tanto nas árvores como nas pedras, no céu, no sol, no ar — ela estava em tudo. Eu tinha buscado tão arduamente, pensando que ela estivesse muito distante e estava tão perto! Os olhos estiveram focados no longínquo, no horizonte, e tinham perdido a capacidade de ver o que estava próximo.

No dia em que o esforço cessou, eu também cessei — porque vocês não podem existir sem esforço, não podem existir sem desejos e não podem existir sem empenho. O fenômeno do ego, do eu, não uma coisa — é um processo. Não é uma substância sentada lá dentro de vocês; vocês têm de criá-lo a cada momento. É como pedalar uma bicicleta: se vocês pedalam, ela continua sempre andando; se vocês não pedalam, ela pára. Na verdade, ela ainda consegue andar um pouco mais por causa da inércia; mas no momento em que vocês param de pedalar, a bicicleta começa a parar. Não há mais energia, não há mais força para ir a lugar algum. Ela vai cair e entrar em colapso.

O ego existe porque nós continuamos a pedalar nossos desejos, porque continuamos a nos empenhar para conseguir alguma coisa, porque continuamos saltando à frente de nós mesmos. É exatamente esse o fenômeno do ego — vocês saltam à sua própria frente, um salto no futuro, um salto no amanhã. O salto no inexistente cria o ego. Como resulta do inexistente ele é como uma miragem. Ele consiste somente em desejos e nada mais. Ele consiste só em apetite e nada mais.

O ego não está no presente; ele está no futuro. Se vocês estiverem no futuro, então o ego vai parecer bastante substancial. Se vocês estão no presente, o ego é uma miragem; ele começa a desaparecer.

No dia em que eu parei de buscar... não está correto dizer que eu parei de buscar; melhor seria falar no dia em que a busca parou. Deixe-me repetir: a melhor maneira de dizer é “no dia em que a busca parou”. Porque, se eu a parei, então “eu” estou novamente aqui. Nesse caso, parar torna-se um esforço meu, torna-se um desejo meu, e o desejo continua a existir de uma maneira muito sutil.

Vocês não conseguem parar o desejo; conseguem apenas compreendê-lo. É na própria compreensão do desejo que está a parada dele. Lembrem-se: ninguém consegue parar de desejar — mas a realidade só acontece quando o desejo pára.

Portanto, esse é o dilema. O que fazer? O desejo está dentro de nós, mas os budas vivem dizendo que o desejo precisa ser parado e, no momento seguinte, dizem que nós não conseguimos parar o desejo. Então, o que fazer? As pessoas se vêem diante de um dilema. Elas estão desejando, com certeza. Vocês dizem a elas que o desejo tem de ser parado — tudo bem. E depois vocês lhes dizem que o desejo não pode ser parado. O que se pode fazer então?

O desejo tem de ser compreendido. Você pode compreendê-lo, ver simplesmente a sua futilidade. Uma percepção direta é necessária, uma penetração imediata é necessária.

No dia em que o desejo parou, eu me senti muito desesperançado e desamparado. Sem esperança porque sem futuro. Nada a esperar, pois todas as esperanças se provaram fúteis; elas não levam a parte alguma. Vocês andam a esmo. Elas continuam lá à sua frente, acenando, criando novas miragens, chamando: “Venha, corra mais rápido que você vai alcançar”. Mas, por mais rápido que vocês corram, nunca alcançam. É como o horizonte que vemos ao redor da Terra. Ele aparece, mas não está lá. Vocês vão ao encontro dele, mas ele continua andando à sua frente. Quanto mais rápido vocês correm, mais rápido ele se afasta. Quanto mais devagar vocês vão, mais devagar ele se move. Mas uma coisa é certa — a distância entre vocês e o horizonte continua sendo absolutamente a mesma. Vocês não conseguem reduzir nem sequer um centímetro da distância entre vocês e o horizonte.

Vocês não conseguem reduzir a distância entre vocês e as suas esperanças. A esperança é o horizonte. Com a esperança, com um desejo projetado, vocês tentam construir uma ponte entre vocês e o horizonte. Os desejos são pontes — pontes feitas de sonhos, porque o horizonte não existe. Desse modo, vocês são incapazes de construir uma ponte até ele; só conseguem sonhar com a ponte. É impossível vocês se juntarem ao inexistente.

Osho

Há momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Conversas Nutritivas para Cuidar do Ser

A entrega de si mesmo ao Plano Evolutivo


No momento em que energias ou forças ultrapassadas, porém, arraigadas no ser, começam a ser desalojadas, mais do que nunca é preciso silêncio, entrega e união interna nos que acompanham essa sagrada metamorfose em si ou em outros. Nada lhes cabe fazer, exceto manterem-se sintonizados com a certeza de que no âmago de cada partícula existe a mesma luz que é capaz de manifestar ou esvaecer universos. 

Nessas etapas de transformações, ao se perceber um ser bum estado carente de luz, é possível que surjam impulsos de ajudá-lo. Mas se a luz estiver agindo na consciência, ela fará com que se reconheça que na verdade nada se tem a dar. Estar-se-á diante da pobreza e da riqueza da própria existência. Materialmente não há o que se possa fazer para libertar um ser de estados confusos, no entanto internamente pode-se participar da vida em níveis de realidade onde ele mesmo é pura luz. Tal reconhecimento, embora chegue à mente, não decorre de ação mental. 

A matéria não pode conferir a verdadeira riqueza. Nesse sentido, a vida que se limita ao âmbito humano é sempre restrita. Todos os homens, no entanto, podem obter os tesouros do universo, pois estes não estão confinados em bens, em contatos externos ou em qualquer coisa material. A verdadeira riqueza de um ser, que jamais lhe faltará em momentos de dificuldade, reside no que ele, como consciência, conseguiu absorver do espírito. Essa riqueza é a luz, a paz, o amor e a harmonia que regarão os solos em tempos de aridez, que os tornarão frescos e férteis, prontos para o desenvolvimento de plantas sadias e generosos frutos. 

Tudo o que se pode oferecer a um ser e à vida em geral, é, na realidade, a entrega de si mesmo ao Plano Evolutivo.  Esse é o maior bem que se pode dar e, se à entrega está unida a obediência, pode-se um dia chegar a ser na Terra o puro reflexo da vontade suprema.

Trigueirinho 

Lucros de Matar

Os psiquiatras gostariam realmente que você acreditasse que há uma epidemia de doenças mentais, e que as drogas psicotrópicas (alteradoras da mente) são o remédio. Durante décadas eles trabalharam para convencer o público de que as suas drogas eram indispensáveis para os problemas da vida cotidiana. E, no entanto, pergunte a qualquer psiquiatra — como fizemos — e ele confessará que não tem respostas para a cura mental. Contudo, os tratamentos que ele inflige nas pessoas — não sendo apoiados por qualquer ciência — estão gerando destruição na sociedade. As ações dos psiquiatras são tomadas em nome do lucro, elas não se inclinam a qualquer outro objetivo.

Site oficial: http://migre.me/7vMcA

A virtude do discernimento


A virtude do discernimento é necessário no caminho do aspirante. Ele precisa saber distinguir o verdadeiro do falso, o eterno do efêmero, as bruxuleantes chamas da existência material do puro fogo da vida. Suas bagagens são muitas. Ele deverá ir-se liberando delas no decorrer do caminho. Nisso será ajudado, pois não há peregrino que não conte com o auxílio de consciências mais experientes a guiá-lo. 

Todavia, não lhe faltarão convites que sorrateiramente tentarão desviá-lo da meta, nem mensageiros que, sob vestes brancas, tentarão passar por porta-vozes da verdade. Insuflar-lhe-ão desejos e reações, e sutilmente colocarão em sua mente germes de pensamentos que poderão fazê-lo retornar sobre seus passos; estimularão nele o apego ao passado, às vivências positivas, tentarão confundí-lo com promessas recompensadoras. Usarão de suas boas intenções e de aspectos ainda obscuros de sua natureza humana para levá-lo por rumos equivocados. Por isso, para ele a necessidade de perene vigilância e entrega é fundamental. 

O estado em que o ser não mais vive pessoalmente, mas pe vivido por energias maiores, cósmicas, celestiais, não pode ser fabricado com o querer humano. O querer tem de estar presente apenas para manter tensionadas as cordas do sagrado instrumento que soará quando, de modo sobrenatural, for tocado pelas mãos invisíveis do verdadeiro músico. 

Vossas ilusões? Lançai-as no fogo que arde no coração. Vossos desejos de servir ao Criador? Também estes deveis entregar. Com essas capas a vos recobrir, como poderá a essência refletir-se em vosso ser?

O que e feito de matéria ao mundo pertence. Renunciai ao que vos prende e caminhai rumo à luz.

Quando a decisão é firmada, o passado não mais atrai o peregrino. Mesmo que enevoantes lembranças dele se acerquem, já reconheceu o "Segredo da Medusa" e não se deixa iludir. Seus passos são firmes; sua fé, inabalável. Sua respiração é profunda, pois o alento do cosmos o sustenta. Nada pede para si, nada espera da vida. Apenas segue cumprindo o que, do Alto, lhe é no silêncio indicado. 

Trigueirinho
Aos que Despertam

28 de maio de 2012

O Ódio no Brasil -- Leandro Karnal

Busca da felicidade

Para onde forem, verão que as pessoas buscam a felicidade que é permanente, durável e eterna. São, porém, colhidas como peixe na rede –  rede má – das coisas transitórias que as rodeiam, pelos aborrecimentos, pelas atrações, antipatias, ódios, despeitos, por todas essas mesquinhas coisas que ligam o homem. É como se estivéssemos em um jardim onde há muitas flores. Cada flor se esforça por expandir-se, por viver e proporcionar seu aroma, mostrar sua beleza, seus desejos, por evidenciar ao mundo seu pleno crescimento. Durante o processo de desabrochar, de conquistar, de expandir-se, perde-se o homem no que é exterior. Surge daí a complicação, e ele tem de distinguir desde o começo o que é essencial do que não é.

Krishnamurti

Culto

A tendência das pessoas para cultuarem a outro, seja esse outro quem for, destrói a inteligência; porém, o compreender e amar a outro, não está incluído no culto que nasce de um medo sutil. Só a mente limitada julga o outro, e uma tal mente, não pode compreender a ardente qualidade da vida.

Krishnamurti

O ideal

Como religiosos, que são, professam amar o seu próximo: é este o ideal.

Ora, o que acontece na realidade? O amor não existe, porém em lugar dele temos o medo, o domínio, a crueldade, todos os horrores e coisas absurdas do nacionalismo e da guerra. Na teoria, é uma coisa e, na prática, dá-se, exatamente, o oposto. Se, porém, pelo momento, deixarem  de parte os seus ideais e, realmente fizerem frente à atualidade; se, ao invés de viverem em um romântico futuro, experimentarem sem ilusões, aquilo que, de contínuo, está tendo lugar, consagrando-lhe, integralmente, a sua mente e coração, então agirão e conhecerão o movimento da realidade.

Krishnamurti

O medo da solidão

Ninguém quer ficar sozinho. Todo mundo quer pertencer à multidão – não apenas à multidão, mas a muitas multidões.

A pessoa pertence a um grupo religioso, a um partido político, ao rotary club... e existem muitos outros grupinhos a que pertencer.

A pessoa quer apoio vinte e quatro horas por dia, porque o falso não se sustenta sem apoio. No momento em que a pessoa fica sozinha, ela começa a sentir uma estranha loucura.

Não se trata apenas do seu medo, trata-se do medo de todo mundo.

Porque ninguém é o que deveria ser na vida. A sociedade, a cultura, a religião, a educação conspiram todos contra as crianças inocentes. Todos eles têm poderes – a criança é indefesa e dependente.

Então eles fazem dela o que querem. Eles não deixam que nenhuma criança siga o curso natural da sua vida. Eles fazem tudo para que os seres humanos tenham uma utilidade.

Quem garante que, se deixarem uma criança crescer por si mesma, ela vai servir aos interesses deles? A sociedade não está preparada para assumir esse risco. Ela se apodera da criança e começa a moldá-la, fazendo com que ela se transforme em algo de que a sociedade necessite.

Num certo sentido, ela mata a alma da criança e dá a ela uma falsa identidade, de modo que ela nunca encontre a sua alma, o seu ser.

A falsa identidade é um substituto. Mas esse substituto só é útil enquanto você está no meio da multidão que lhe deu essa falsa identidade.

No momento em que você está sozinho, o falso começa a se despedaçar e o verdadeiro reprimido começa a se expressar. Por isso o medo de ficar sozinho.

Você acredita que é alguém, e de repente, num momento de solidão, você começa a perceber que não é o que pensava. Isso dá medo; então quem é você? Vai levar algum tempo até o verdadeiro se expressar.

O intervalo entre os dois é chamado pelos místicos de "noite escura da alma" – uma expressão bem apropriada. Você não é mais o falso e ainda não é o verdadeiro. Você está no limbo, não sabe quem você é.

No Ocidente, principalmente, o problema é até mais complicado. Porque não desenvolveram nenhuma metodologia para descobrir o verdadeiro o mais rápido possível e abreviar essa noite escura da alma.

O Ocidente não sabe nada a respeito da meditação, e a meditação é só um nome para "ficar sozinho, em silêncio, esperando que o verdadeiro se firme".

Ela não é uma ação; é um relaxamento silencioso – porque qualquer coisa que você faça virá da sua personalidade falsa – anos de uma personalidade falsa imposta pelas pessoas que você amou, que você respeitou – e elas não tinham intenção de lhe fazer nenhum mal.

As intenções delas eram boas, elas só não tinham consciência. Não eram pessoas conscientes – os seus pais, os seus professores, os seus sacerdotes, os seus políticos – eles não eram pessoas conscientes, pelo contrário.

E até uma boa intenção nas mãos de pessoas inconscientes vira um veneno.

Portanto, sempre que você está sozinho, surge um medo profundo – porque de repente o falso começa a desaparecer, e o verdadeiro vai demorar um tempo. Faz anos que você o perdeu.  Você terá de levar em conta que essa lacuna tem de ser transposta.

A multidão é essencial para que o eu falso exista. No momento em que está sozinho, você começa a entrar em pane. É então que você precisa entender um pouquinho de meditação.

Não se preocupe, aquilo que pode desaparecer é bom que desapareça. Não há razão para se agarrar a isso – isso não é seu, não é você.

Ninguém mais pode responder à pergunta, "Quem sou eu?" – você saberá.

Todas as técnicas de meditação ajudam a acabar com o falso. Elas não dão a você o verdadeiro – ninguém pode dar isso a você. Nada que possam lhe dar pode ser verdadeiro. O verdadeiro você já tem; basta jogar fora o falso.

A meditação é só a coragem de ficar em silêncio e sozinho. Bem devagarzinho, você começa a sentir uma nova qualidade em si mesmo, uma nova vivacidade, uma nova beleza, uma nova inteligência – que não é emprestada de ninguém; ela brota dentro de você. Ela tem raízes na sua existência.

E, se você não for covarde, isso fruirá, florescerá.
Osho, em "Emoções: Liberte-se da Raiva, do Ciúme, da Inveja e do Medo"

27 de maio de 2012

A 4ª Guerra Mundial


Este filme documentário faz um inventário das milhares de pessoas e movimentos sociais que se manifestam em toda parte do planeta, mostrando uma nova página da história composta pelos atos da resistência ao neoliberalismo. Das linhas de frente nos conflitos sociais no México, Argentina, África do Sul, Palestina e Coréia; "no norte" de Seattle a Gênova; na "guerra ao Terror" em Nova Iorque, no Afeganistão e no Iraque, o filme traz as imagens e as vozes de uma guerra não noticiada: a resistência radical ao capitalismo global, com cenas de manifestações populares inéditas na grande mídia. Com trilha sonora de Manu Chao, Asian Dub Foundation, Múm, Moosaka, Cypher AD e DJ C

26 de maio de 2012

Diga não ao escapismo místico

Há uma diferença fundamental entre o escapismo místico e o altruísmo místico. No primeiro caso, o homem está interessado apenas em conseguir sua própria realização, e ficará satisfeito em parar por aí os seus esforços; no segundo caso, ele tem o mesmo objetivo, mas tem também a aguda aspiração de fazer com que suas realizações, uma vez materializadas, estejam disponíveis para o serviço da humanidade. E pelo fato de tão profunda aspiração não poder ser armazenada por muito tempo para esperar essa materialização, ele até sacrificará parte do seu tempo, do seu dinheiro e energia para fazer o que puder, ainda que pouco, para iluminar os outros intelectualmente. Até mesmo se isso significasse nada fazer além de tornar o conhecimento filosófico mais acessívelas às pessoas comuns do que o foi no passado, já seria suficiente. Mas ele pode fazer muito mais do que isso. Ambos os tipos reconhecem a necessidade indispensável de se retirar deliberadamente da sociedade e de se isolar de suas atividades a fim de obter o recolhimento necessário para atingir intensidade de concentração, refletir sobre a vida e estudar livros místicos e filosóficos. Mas, enquanto o primeiro faria do isolamento algo permanente e vitalício, o segundo faria dele algo temporário e ocasional. E, por "temporário", queremos dizer qualquer período que vá de um dia a vários anos. O primeiro é um habitante da torre de marfim do escapismo; o segundo é meramente seu visitante. O primeiro só pode encontrar felicidade na solidão, e deve retirar-se da perturbadora vida da humanidade para consegui-la; o segundo busca uma felicidade que permanecerá firme em todos os lugares, e faz daquele retiro apenas um meio para atingir esse fim. Cada um tem o direito de seguir seu próprio caminho. Mas numa época como a atual, em que o mundo todo está sendo convulsionado e a alma humana agitada como nunca antes, acreditamos pessoalmente que é melhor seguir o caminho menos egoísta e mais compassivo. 

Paul Brunton

A Arte de Viver


Por inúmeras razões as pessoas buscam em suas vidas orientações e treinamento. Umas estão atravessando doenças, outras mudando de profissão ou iniciando um novo projeto e desejam ser eficientes quanto lhes é possível. Algumas buscam encontrar um propósito para suas vidas. Todas almejam uma relação mais significativa com suas verdadeiras identidades, com as pessoas a quem amam e aspiram por uma profunda conexão com o Divino. 

Em determinado ponto, compreendemos que podemos estar fazendo a vida mais difícil do que realmente ela deve ser e observamos crescentes frustrações, ressentimentos ou desapontamentos. Em nossas vidas diárias talvez deixamos de sentir alegria ou sentimos que não há tempo, dinheiro, amor, ou criatividade suficientes para mudar a nossa situação. Parece que perdemos o ardor e o entusiasmo que fariam com que nossos sonhos se tornassem realidade.

Ao buscar orientação, passamos a olhar para a nossa vida como a Jornada do Herói. O Herói é aquela parte de nós que permanece constante e corajosa, independentemente do que aconteça ao nosso redor. É o nosso Eu autêntico — a essência que realmente somos, a despeito dos traços de nossa personalidade ou do drama que algumas vezes ronda nossas vidas. Termo usado pelo filósofo Joseph Campbell, o herói é o arquétipo daquilo que nos incentiva a prosseguir em nossa jornada.

Você pode redescobrir o Herói dentro de si e experienciar maior completude, alegria e satisfação em sua vida ao seguir alguns passos. Comece, primeiramente, por se perguntar: Estaria tudo bem se a minha vida fosse mais fácil? Fazendo essa pergunta a si mesmo você pode sentir vontade de sorrir e, ao fazê-lo estará novamente se conectando com o Divino em seu interior. Fazer determinada pergunta nos permite iniciar um caminho em direção ao íntimo.

Pergunte-se, a seguir: Possuo o desejo de ser autêntico? Encontre as qualidades que tem maior significado para você e afirme a importância delas em sua vida. Pode ser um exemplo como: Desejo ser corajoso e amoroso, criativo e bondoso quando interagir com as pessoas hoje?

Terceiro, comece a observar ao invés de analisar a sua vida. Quando analisamos, mantemo-nos envolvidos na mesma conversação que, primeiramente, fez com que parássemos ao contrário de ir em frente. Contudo, ao observar, damos a nós mesmos um espaço para discernir o que está acontecendo à nossa frente e passamos a agir com sabedoria.

Quarto, manter-se desejoso para dizer "sim" àquilo que é, mesmo para aquelas situações que lhe estão trazendo desconforto.  Quando você diz "sim", está aceitando os fatos da situação, mas não seu poder sobre você. Aceitação nos permite estar abertos para o campo das possibilidades e ver que existem muitas escolhas à nossa frente. Dag Hammarskjold que presidiu as Nações Unidas, falou certa vez, "Para tudo aquilo que passou digo, 'Obrigado'. Para tudo que está à minha frente, digo 'sim'! O sim transforma a energia em nosso corpo e faz com que nosso corajoso coração torne-se acessível para expressar algo criativo e diferente".  

Através da boa vontade, auto-reflexão, observação e aceitação, somos capazes de agir a partir da autenticidade e de viver vidas plenificadas com significado, coragem e possibilidades.

Carla MacClellan - Spiritual Coatching

O Homem Cósmico


"O homem, antes de atingir certa altura de evolução, considera-se instintivamente como cidadão da Terra, ignorando a sua cidadania cósmica. Não sabe que é cidadão do universo e que aqui, neste planeta, é apenas imigrante temporário, para realizar determinado estágio evolutivo, uma certa aprendizagem que o habilite a ascender a planos superiores. E, como lhe falta toda a noção da sua verdadeira cidadania cósmica, vivendo em completa ignorância de sua pátria, o Infinito, agarras-se ele freneticamente a este átomo de areia, chamado Terra, perdido na imensidão vasta do Universo, e considera desgraça e catástrofe ter de separar-se desta pequena ilha cósmica e emigrar para outros planos de evolução. Mas, quando o homem sabe e se convence definitivamente de sua verdadeira linhagem e da função provisória que desempenha neste planeta, transfere insntintivamente o seu centro de gravitação e o foco dos seus interesses para a imensidade cósmica, para o Infinito, para a Eternidade, para Deus.

Entretanto, o homem no qual despontou essa consciência cósmica não é, de forma alguma, indiferente e apático às coisas da terra e da vida presente; pelo contrário, interessa-se viva e intensamente por tudo o que é bom e belo no plano Telúrico; trabalha com prazer, ama com ardor, procura melhorar os meios de vida e fazer do seu habitáculo terrestre um verdadeiro paraíso, porque sabe que todas as realidades terrestres, todos os seus conhecimentos e todas as suas habilidades que aqui adquirir o acompanharão a outras regiões de existência.

O homem cósmico vive aqui na Terra à luz do Eterno e do Infinito e essa consci~encia nunca lhe permite ser infeliz — ao passo que o homem profano e inexperiente da sua verdadeira natureza visa, antes de tudo, os resultados palpáveis e imediatos de seu trabalho e, se estes falharem, sente-se profundamente frustrado e infeliz.

O homem integral não afirma a matéria para negar o espírito, como o materialista — nem afirma o espírito para negar a matéria, como o asceta. O homem Cósmico está com os pés solidamente firmados na Terra e com a cabeça gloriosamente banhada pela luz eterna do céu e, quando contempla o céu, não perde de vista a Terra". 

Huberto Rohden - Cosmorama

Kumaré: Um filme verdadeiro sobre um falso profeta

Vikram Gandhi no papel de homem santo

O cineasta americano Vikram Gandhi fez um documentário que serve de ponto de partida para reflexões sobre a religião e a necessidade que a maioria das pessoas tem de acreditar em algo extraordinário, que esteja além dos limites da condição humana.

Ghandhi se passou por sábio indiano que realizava o ritual da “luz azul” – inventado por ele. O projeto inicial do documentário era mostrar o negócio em que se transformou a yoga, banalizando-se por intermédio de gurus que surgem a todo instante.

Quando começaram as gravações, Ghandhi teve a ideia de fazer o papel de um homem santo e se tornou em uma espécie de Borat, o personagem criado pelo humorista britânico Sacha Baron Conhen que viajou pela Inglaterra e Estados Unidos como se fosse o segundo melhor jornalista do Cazaquistão.

Para se transformar no sábio indiano Kumaré, Gandhi se preparou durante três anos. Teve encontros na Índia com gurus, assimilou o sotaque de seu avô indiano, estudou yoga, deixou os cabelos e a barba crescerem e se mudou para uma região do Arizona, onde não tardou em ter seguidores.

O documentário Kumaré acaba de ser lançado nos Estados Unidos. De acordo com a crítica, a crença das pessoas no falso guru dá o tom da comédia. Um dos críticos observou que Kumaré é um filme fascinante porque às vezes é muito engraçado e outras, muito preocupante.

Diferentemente de Borat, que interagiu com racistas, antissemitas e homofóbicos, o guru Kumaré se relacionou com pessoas aflitas cuja esperança, muitas vezes, residia tão somente em sua própria credulidade.

Por isso, Gandhi (foto) durante as filmagens, teve conflitos morais, principalmente quando a sua “religião” começou a atrair um número crescente de seguidores. É o que explica ele ter poupado no documentário pessoas como um viciado de crack que tentava se recuperar e uma jovem que lutava para salvar o seu casamento. A comédia, assim, em determinados momentos se torna pungente e melancólica.

Durante suas pregações, Kumaré dizia aos seus seguidores que era portador de uma verdade que afetava todos ali e que um dia ela seria revelada. Os seguidores, obviamente, acreditavam ser algo ligado ao transcendente. Um dia Kumaré contou a tal verdade: ele era uma farsa, um ator interpretando um guru para uma filmagem.

Em março, o documentário ganhou o prêmio do público do SXSW Film Festival 2011 e tem estado na pauta de publicações como o jornal Time.

Gandhi admitiu que o documentário o abalou, mas conseguiu provar o que suspeitava: nenhum líder espiritual é mais santo do que qualquer pessoa comum.




Constatação sobre imitação


Segundo Tânia Montoro, professora da Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutora em cinema e televisão, "existe um conceito filosófico comprovando que as pessoas em formação imitam o que veem com frequência". Isso me parece ser um fato no que diz respeito ao desenvolvimento emocional/psíquico/espiritual. Nessa esfera, imitação é o que menos falta. Numa terra de cegos, quem tem um olho, facilmente por estes é endeusado, o que torna difícil a "revelação" da verdadeira realidade dos falsos profetas.

Nelson Jonas — nj.ro@hotmail.com



Curtas do dia


"Somente depois de ter sentido desejos humanos e conhecido alegrias humanas, depois de ter-se defrontado com limitações intelectuais e de ter sofrido desapontamentos mundanos é que o místico pode fazer avaliações. Se não teve experiência suficiente da vida comum, ele não pode estimar adequadamente os valores indicados pelas intuições místicas, nem entender corretamente o significado de suas experiências místicas em si mesmas. Assim, o que obtém de ambas depende, até certo ponto, do que traz para elas. Se trouxer uma contribuição pequena demais ou unilateral demais, seu eu mais elevado gradualmente o levará a procurar desenvolver aspectos ainda deficientes. E para obrigá-lo a mudar de direção quando deixar de responder à orientação interior, lançará sobre ele, por algum tempo, a terrível treva da noite escura."

Paul Brunton

"A verdade só pode ser expressa pela negação do falso - na ação. Para isso, você deve ver o falso como falso e rejeitá-lo. A renuncia do falso energisa e liberta. Ela abre o caminho para a perfeição."
Nisargadatta Maharaj

"Parece que ainda fazemos as coisas numa concepção mercantilista: "O que ganharei com isso?"... E isso não serve ao Grande Encontro Consigo. Este Encontro é sempre uma perda. Uma Morte. "Morra antes que a morte o encontre", diziam os Zen Budistas. Quem quer perder tudo? Quem quer deixar para trás este legado de estupidez que vem sendo confeccionado há milhares de anos sobre nossas mentes? Querer ou esperar algo é receber o que já se tem..."
Lobo da Caatinga

"Vigiai. Entrai em oração, pois o tempo é chegado."
Trigueirinho

Especialistas em comunicação advertem sobre perigo do 'humor fácil' na TV


Brasília - Especialistas em comunicação advertem que programas exibidos pelas emissoras de televisão têm um efeito em cadeia na educação das crianças e adolescentes. Para eles, um programa que contenha cenas de violência e que exponha a figura feminina, por exemplo, deve ir ao ar em um horário no qual apenas adultos acompanhem a exibição. Também alertam sobre as ameaças de agravamento da violência e da discriminação por meio da banalização do chamado humor fácil.

Para a pós-doutora em cinema e televisão e professora da Universidade de Brasília (UnB) Tânia Montoro, o tipo de humor apresentado no programa incentiva a violência. "Esse tipo de humor de naturalização da violência simbólica contra o feminino presta um desserviço à população brasileira", disse ao se referir ao programa Pânico na Band. "Existe um conceito filosófico comprovando que as pessoas em formação imitam o que veem com frequência. O programa passa ensinamentos de discriminação e atos violentos", completou.

O Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos entrou hoje (24) no Ministério Público Federal (MPF) com uma representação em que pede a retirada do ar dos quadros A Academia das Paniquetes e O Maior Arregão do Mundo, exibidos no programa Pânico na Band. Para o conselho, a atração da emissora de TV Band reproduz exemplos negativos para crianças e adolescentes, estimula a discriminação e constrange a figura feminina. Procurada pela Agência Brasil, a emissora informou por e-mail que não comentará a representação.

Tânia Montoro disse ainda que é contrária a qualquer tipo de censura dos meios de comunicação. Mas advertiu: "A sociedade está cansada desse tipo de programa humorístico". "O fato de ter audiência não significa em momento algum que formas grotescas possam ser incentivadas. Agredir as pessoas não é humor e, sim, violência."

O jornalista e mestre em comunicação visual Cláudio Ferreira defendeu a revisão da chamada classificação indicativa do Pânico, assim como de seu conteúdo. "A primeira providência a ser tomada é reclassificar o programa. Essa mudança é um instrumento importante para preservar esse público infantojuvenil de programas inadequados. É obrigação do Estado rever a classificação indicativa. Ao perceber que tem conteúdo inapropriado, deve-se mudar o horário de exibição."

Para o professor, as autoridades e a sociedade devem exigir qualidade na programação de televisão. "Temos várias formas de fazer pressão para que um programa como esse tenha boa qualidade, mas, com o humor, é um pouco mais difícil, porque às vezes perde-se o limite de respeito. Vivemos em uma sociedade com muitos problemas de educação. A televisão, além de ser um meio de comunicação, é um meio de instrução para as pessoas. Ela mostra o comportamento e pode influenciar nesse sentido", disse ele.

25 de maio de 2012

Como reconhecer o Eu interno

Todo o trabalho criativo é derivado do que veio antes‏

Perguntas

O que mais chamou a atenção no “depoimento” de Carlinhos Cachoeira à CPMI foi a presença de um dos maiores advogados criminalistas brasileiros, Marcio Thomaz Bastos, ao lado do bicheiro. Thomaz Bastos tem um histórico de defesa de réus “incômodos”: o médico Roger Abdelmassih, acusado de molestar sexualmente dezenas de pacientes; os estudantes acusados de afogar outro estudante na piscina da USP em 1999, e os estudantes que colocaram fogo e mataram um índio em Brasília em 1997. Todos estão em liberdade, mesmo que vigiada. Foi também Ministro da Justiça entre 2003 e 2007 durante o governo Lula.

Marcio Thomaz Bastos é uma referência do Direito brasileiro. E lá estava, junto ao bicheiro, impassível e sem demonstrar constrangimento. Era um profissional no cumprimento do dever, que não foi designado para o caso, mas contratado. Podia não aceitar, mas aceitou, cobrando R$ 15 milhões pelo “serviço”. E ficam as perguntas: o que o levou a dedicar seus talentos, habilidades e credibilidade, desenvolvidos ao longo de mais de meio século de estudos e trabalho, à defesa de alguém que é evidentemente culpado de um dos grandes escândalos nacionais? Como é que ele lida com os dilemas morais? Por que, com tantas causas para escolher, ele optou justamente por essa? Até onde ele irá para defender o bicheiro?

Esse assunto tem a ver com uma interessante discussão de ordem filosófica sobre o Direito. A sociedade é testada pela forma como trata os marginais, inclusive os piores criminosos. Quando um culpado de um crime terrível recebe um julgamento justo, ficamos aliviados: isso é garantia de que o sistema funciona. Se o sistema começar a contornar as leis porque o culpado é mau, temos que ficar preocupados e inseguros. Não importa o criminoso, o sistema tem que ser honesto e é o advogado de defesa a única peça entre o cliente e o poder do estado. Sem o advogado de defesa resta o despotismo, quando ninguém tem segurança jurídica. Portanto, os piores criminosos deveriam ter sempre os melhores advogados, caso contrário o sistema estaria em desequilíbrio. Ponto.

Quem conhece o assunto diz que o advogado experiente não julga seu cliente, apenas o defende. Quem julga é o júri. Mas será possível ser analítico, lógico e objetivo diante de casos como o de Cachoeira, Roger Abdelmassih ou dos garotos que botaram fogo no índio, sem ser afetado por dilemas morais, ideologias, valores e convicções? Serão os advogados treinados para tratar como questão meramente técnica aquilo que acham ofensivo ou repugnante? Ou não acham? Haja sangue frio...

A professora de Direito da Universidade de Stanford, Barbara Babcock, em seu livro “Defendendo o Culpado”, elencou algumas possíveis motivações que poderiam explicar a escolha de Thomaz Bastos:

A razão do “lixeiro”: alguém tem que fazer o trabalho sujo; a razão legalista ou positivista: a verdade não pode ser conhecida, a culpa é uma conclusão legal; a razão do ativista político: muitos dos que cometeram crimes foram vítimas de injustiças e opressão; a razão humanitária: muitos dos criminosos estão em desvantagem e devem ser tratados com humanidade e respeito. E por fim, a razão egotista: o trabalho da defesa é mais interessante, desafiador e compensador que o trabalho de rotina feito pela maioria dos advogados.

Muito bem. Não consigo reconhecer uma explicação para a dupla Thomaz Bastos e Cachoeira em nenhuma das razões acima. Nem mesmo na explicação filosófica sobre Direito e Justiça. Além disso, Thomaz Bastos já é rico, portanto não será pelos R$ 15 milhões que ele assumiu a bronca.

Sobra uma razão: Thomaz Bastos está protegendo amigos, o Cachoeira é apenas uma peça secundária do tabuleiro.

E então vem a pergunta: mas que amigos? A pista está na famosa frase dita por Hal Holbrook no filme “Todos os homens do Presidente”:

- Siga o dinheiro.

Luciano Pires

Aldeias de Portugal - O regresso às origens

As Aldeias de Portugal garantem a possibilidade de ficar alojado numa casa de traça tradicional, saborear a gastronomia típica, adquirir artesanato, desfrutar de actividades de animação ou percorrer percursos pedestres.







24 de maio de 2012

O Sopro que anima tudo

Ser é o que você é
...Você é aquele Insondável
Onde toda experiência e conceitos aparecem.
Ser é o Momento em que não há o ir e vir.
Isto é o Coração, a Fonte, o Vazio.
Isto brilha de Si, por Si, em Si.
Ser é o que dá o sopro a Vida.
Você não precisa procurar por Isto, Isto está Aqui.
Você é Isto através do que você procura.
Você é Isto que você procura !
E Isto é Tudo o que é.
Somente o Ser é.

Papaji

Constatações sobre insanidade


Alguém disse um dia:

"Insanidade é fazer as mesmas coisas esperando por resultados diferentes".

Digo, agora:

Insanidade é esperar que valores transitórios preencham a profunda ânsia pelo Não Transitório; que valores relativos saciem a imensurável sede de plenitude no Absoluto, onde em última análise, encontra-se a essência da sanidade, a qual põe fim em toda manifestação de esperança.

Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com 

Uma experiência essencial


"Há o que eu chamaria de "uma experiência essencial", um momento no qual há uma mudança na consciência. E é essencial porque, até aquele momento, todos falam de ser "verdadeiro" ou "vigilante" ou "falando a verdade" e isso é abstrato - como algo que você iria aprender na sala de aula. Nada disto pode ter significado concreto em sua vida até que você tenha passado por essa experiência. Com esta mudança na consciência, o que não era conhecido é subitamente visto. E esse reconhecimento é a sorte de uma vida. É uma bênção de uma vida. É uma graça vindo à tona. A graça que foi coberta surge naquele momento.

Esse reconhecimento é o começo. Pode ser o fim dos erros de identificação. Pode ser o fim. Mas com a maioria dos seres humanos normais, é o começo. Estamos tão dependentes dos poderes da mente, que o que normalmente ocorre logo depois dessa experiência é um pensamento: "Como faço para manter isso?" ou "Não poderia ser assim tão simples" ou "Eu nunca vou perder isso." Seja qual for o pensamento, ele é seguido por outro pensamento. E, eventualmente, o pensamento conduz para: "Bem, o que aconteceu? Isso aconteceu? Era real?" Depois, há a sensação de estar "perdido". E a busca começa novamente - a busca exterior. Ou, existe o pensamento, "eu me lembro o que fiz. Eu enfrentei a minha emoção. Entrei no meu medo. Vou fazer isso agora e consegui-lo de volta. Vou tê-lo de volta”. Esta é a mesma busca, mas agora você está usando um movimento íntimo para ir de dentro para fora. Torna-se um exercício, um processo, algo a fazer para alcançar o que você é. E talvez pareça funcionar meia dúzia de vezes. Mas, torna-se obsoleto, porque se baseia em uma mentira: você ainda está a tentar alcançar o que você é. Você não pode "conseguir" o que você é. Isso está claro?

Você não pode alcançar aquilo que você é. Para alcançar algo, deve haver "você" e "algo". E você alcança e você chega e obtém algo. Como é que você obtém o que você é? Aonde você pretende chegar? E você não pode "compreender" quem você é. Você pode ler a expressão "Eu sou a Verdade, eu sou a Consciência", e pode sentir-se bem. Pode vibrar com isso. Você pode cantar isso. É uma sensação boa. Você pode pedir por isso. Você pode ler sobre grandes santos e sábios. É uma sensação boa, é útil, e não há nada de errado com nada disso. Mas finalmente, tem de haver uma vontade de ser quem você é. E para a maioria das pessoas, isto é absolutamente amedrontador. Porque o que a maioria das pessoas suspeitam que são, é a pior coisa imaginável: uma criatura de imperfeição e falta, cheia de feiúra e estupidez. Mesmo que haja uma máscara de conhecimento superior ou realização, debaixo disso temos uma crença de que você está deformado, feio, irresgatável, alma perdida separados de Deus. Certo? Você tem que saber isso.

Toda a nossa atividade é uma tentativa de escapar disso. Mesmo após o "momento essencial", o esforço para escapar continua: tentar "obter" o momento de volta, alegando que possa "mantê-lo". Tudo isso é alimentado por uma profundamente arraigada crença de que você é um feio, antipático, algo que está separado de Deus. E você nunca pode trabalhar duro o suficiente ou ser suficientemente bom para ser reunificado com Deus.

Então esse é o dilema. Esta crença oculta conflita com a enorme, cósmica ânsia de descobrir quem realmente é. E a vida espiritual torna-se muitas vezes uma vida de tortura, auto-tortura. Esta batalha entre ego e superego, entre o "mais alto ser” e o "ser inferior", entre mim e eu, é apenas para evitar experimentar a feiúra que você acredita ser.

Lembro-me de ler uma vez que TRUNGPA (um professor espiritual) disse: "Nunca incentive seus amigos para entrar na vida espiritual, é uma vida dura". E a maioria de nós entra atropeladamente com a idéia de que nos fará feliz para sempre. Mas então algo te agarra pelo pescoço e diz que "pare aqui, diga a verdade, enfrente a verdade, seja você mesmo".

Então eu convido você a estar disposto a ser agarrado pelo pescoço, a ser levado até o chão até que você se entregue para a verdade, independentemente do resultado. Pronto? Você não estaria aqui lendo isso, se já não estivesse. Porque você já descobriu que a investigação sobre a sua verdade não vai dar-lhe grandes poderes ou riqueza, ou felicidade. Na verdade, nada é oferecido. Tudo lhe será tirado; tudo o que você tiver acumulado, tudo que você aprendeu. Tudo que você tiver armazenado é revelado como vazio, como uma ilusão que só o mantém separado de si mesmo. Este é um negócio radical. É extremamente grave. É um negócio prazeroso, um simples negócio. Mas não é para os fracos de coração. É preciso a coragem de uma vida, porque tudo em nós, todo o nosso condicionamento diz: "Não, não. Não vá lá. Não toque nisso. Não faça isso." E ainda quando você atingir um determinado estágio da ânsia, tudo em sua vida está a dizer "você precisa, tem que descobrir a verdade, tem que saber, tem que ser verdadeiro". E então você vai ver onde está a sua lealdade, onde a atenção é."

Gangaji

O lucrativo ciclo da alheia ignorância


A escassez de seriedade, sustenta a ignorância,
que por sua vez, gera sustento em abundância
aos que usam a alheia ignorância, com seriedade.

Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com 

23 de maio de 2012

O pensamento não pode compreender a vida integral

O cérebro é um instrumento de surpreendente sensibilidade. Incansável em sua atividade de captar, registrar, interpretar e acumular impressões, ele não para jamais de funcionar. Herdando do animal o instinto de sobrevivência e a busca de segurança física, o cérebro tomou-os como base de todas as suas atividades e projeções, tais como deus, a virtude, a moral, a ambição, os desejos, as exigências e os ajustamentos. Por ser extremamente sensível, o cérebro, com sua capacidade de pensar, passa a dedicar-se ao cultivo do tempo, do passado, do presente e do futuro. Com isto, ele tem a oportunidade de adiar a ação, de buscar a satisfação, de perpetuar-se através da busca do ideal e do preenchimento. Daí nasce a dor, a fuga na crença, no dogma, no misticismo, em toda atividade e nas múltiplas formas de entretenimento. 

A morte e o medo estão sempre presentes, obrigando o pensamento a buscar alívio e refúgio nas crenças, na esperança e nos conceitos, racionais ou irracionais. A verbalização e as teorias adquirem grande importância, servindo de base ao cotidiano e suscitando sentimentos e pensamentos condicionados. Por mais que se julgue profundo, o pensamento atua num âmbito bem estreito da vida. Seja ele hábil, seja experiente ou erudito, o pensamento é superficial. Como parte do todo, o cérebro, com sua incessante atividade, valorizou-se demais perante si mesmo e dos restantes fragmentos. Por serem a desintegração e a contradição suas características essenciais, é ele incapaz de perceber o todo. Acostumado a reagir e a pensar em termos de opostos, o cérebro vive até hoje no conflito, na confusão e no sofrimento.

O pensamento não pode compreender a vida integral. Essa compreensão nasce da absoluta imobilidade do cérebro e do pensamento, sem estar ele adormecido, embotado, pela disciplina e compulsão, ou hipnotizado. Extraordinariamente sensível, o cérebro pode permanecer imóvel e quieto sem que isto implique perda de sensibilidade ou capacidade de penetração. Surge o insondável mistério do incognoscível quando o tempo e a medida cessarem de existir.

Krishnamurti

Missa Solemnis: de Beethoven à Ramana Maharshi


Jamais esquecerei a maravilhosa mensagem que Ramana Maharshi me enviou pelos lábios de um amigo indiano (ele nunca escrevia cartas). Foi alguns anos antes de sua morte. Meu amigo estava visitando seu asham  em preparação para uma viagem ao Ocidente, aonde estava sendo enciado em missão pelo governo. Há muito tempo eu estava sem contato com a administração do ashram e não havia a menor probabilidade de eu ver o santo outra vez. O visitante mencionou a Maharshi sua intenção de se encontrar comigo: haveria alguma mensagem da qual ele poderia ser portador? "Sim" disse Maharshi, "Quando o coração fala ao coração o que há para dizer?" Não sei se ele tinha consciência da existência de Beethoven no distante mundo da música ocidental, mas tenho certeza de que não poderia ter conhecimento de que a dedicatória da Missa Solemnis fosse "Que o coração possa falar ao coração". Essa é uma obra cuja rara execução me comove até o fundo quando a ouço, tão reverente, tão sublime ela é. Poucas pessoas sabem que o próprio Beethoven considerava a Missa a sua maior composição. Por certo é sua composição mais espiritual, uma perfeita expressão da ligação entre o homem e Deus. 

Paul Brunton

A melhor arma de guerra

Constatações sobre a passividade popular

Fonte de inspiração: o estado de passividade do povo diante do caos provocado pela greve dos metroviários do estado de São Paulo em 23/05/2012, bem como diante da violenta ação de repressão policial frente aos poucos que tiveram a coragem de se manifestar.

Filme - O Operário


Título Ortiginal: The Machinist
Título no Brasil: O Operário
País de Origem: Espanha
Ano: 2004
Colorido
Tempo: 102 minutos
Produção e Direção: Brad Anderson
Roteiro: Scott Kosar
Elenco original: Christian Bale, Jennifer Jason Leigh, John Sharian, Aitana Sánchez-Gijón, Michael Ironside
Gênero: suspense
Idioma original: inglês

The Machinist (também conhecido como El Maquinista; Br: O Operário, Pt: O Maquinista) é um longa psicológico, que estreou em 2004. O filme foi escrito por Scott Kosar, dirigido por Brad Anderson e estrelado por Christian Bale.

É o retrato de um personagem, Reznik, perturbado pela culpa e por um passado que o assombra. Durante o filme ele procura saber o motivo pelo qual tem perdido tanto peso e porque não consegue dormir direito, para chegar em um final surpreendente. É clara a influência da obra de Dostoiévski neste filme, assim como as inúmeras referências aos seus livros. Crime e Castigo aparece como uma placa durante a visita de Reznik ao brinquedo do trem fantasma, e o tema da culpa é abordado extensivamente durante o filme. Podemos ver o protagonista lendo O Idiota durante seus surtos de insônia. A criança epiléptica é uma referência também ao protagonista de O Idiota, assim como ao próprio Dostoiévski. Referências a Irmãos Karamazov também aparecem, como Ivan, personagem que lembra muito Ivan Karamazov na conversa com o diabo durante seu sonho. Alguns desses detalhes aparecem na entrevista com o diretor que acompanha o DVD.

A Arte como expressão do Divino


Devemos invocar os serviços da arte para dar à religião sua roupagem mais delicada... Através da prática da arte o homem pode chegar mais perto da alma do que através do ocultismo. A arte só pode tomar o lugar da religião e substituí-la quando é verdadeiramente inspirada. Quando chegam a cumprir sua missão mais elevada, a pintura e a escultura tentam tornar visível, a música tenta tornar audível, a prosa literária tenta tornar pensável, a literatura poética tenta tornar imaginável o invisível, o inaudível, o impensável e o inimaginável mistério do puro Espírito. Embora seja verdadeiro dizer que essas artes jamais podem dar forma o que por sua própria natureza é o Sem Forma, é também verdadeiro dizer que podem indicá-lo, sugeri-lo, simbolizá-lo e apontá-lo. A arte cumpre seu propósito mais elevado e adquire um significado mais valioso quando se torna veículo para a beleza espiritual. Algo produzido com tal inspiração libera uma forma de energia que faz com que os que podem percebê-la com suficiente abertura sintam e vejam o que seu criador sentiu e viu. Há uma transmissão real. Uma obra de arte que desperta em seu observador, ouvinte ou leitor um profundo sentimento de reverente adoração, de força interior ou de tranquilidade mental confere-lhe com isso uma benção. Capacita-o a partilhar da inspiração do artista. Existe essa qualidade em torno de uma obra inspirada: a de que você pode voltar a ela muitas e muitas vezes e descobrir algo novo, útil, belo ou abençoado. O escritor, artista ou músico que está destinado a provocar intuições na mente do aspirante deve ser um receptáculo humano da inspiração divina. O artista tem duas funções: receber através da inspiração e dar através da técnica. A faculdade criativa deve ser cultivada e desenvolvida tanto como uma grande ajuda ao crescimento espiritual quanto como expressão dele. Se o indivíduo consegue transmitir, por intermédio de seu trabalho, algo da inspiração que recebe — seja ele sacerdote ou artista — ele é verdadeiramente criativo. Nenhum artista cria realmente alguma coisa. Tudo o que ele pode fazer é tentar comunicar aos outros aquilo que lhe foi comunicado. O que é que atrai na verdadeira arte? Não é a obra que a expressa, mas sim, o espírito que a inspira, cuja fonte divina ela nos lembra. Se a pessoa compõe, pinta, esculpe ou escreve quando a luz interior lhe mostra a coisa ou o pensamento a ser delineado — não quando a opinião, o preconceito ou a falsidade a impelem — ela será verdadeiramente inspirada. Uma produção artística realmente inspirada deve proporcionar alegria ao seu criador no momento da criação, da mesma forma que o seu possuidor, ouvinte ou apreciador. Se não o faz, a obra não é inspirada. O gênio é ao mesmo tempo receptivo e expressivo. Aquilo que obtém intuitivamente do interior ele, em troca, distribui sob as formas de sua arte ou habilidade. Ele cria, não para expressar sua pequena personalidade como tantos o fazem, mas para escapar dela. Pois é no divino que o transcende, e que é sublimemente impessoal, que ele procura inspiração. O método e a técnica são necessários em si mesmos, porém incompletos; a inspiração e a intuição devem luzir por trás deles.

A arte pode ser uma via para a iluminação espiritual, mas não para a iluminação completa e duradoura. Ela pode ter nascido de Vislumbres apenas, e pode dar à luz a Vislumbres apenas. Pois a arte é a busca da beleza, que sozinha não é suficiente. A beleza precisa ser apoiada virtude, e ambas necessitam ser guiadas pela sabedoria. A beleza é um lado da realidade que atrai a nossa busca e o nosso amor. Mas, pelo fato de ela ser tão sutil e nossas percepções tão densas, encontramo-la primeiramente nas formas de arte e na Natureza, e somente mais tarde na existência pura e imaterial da realidade inatingível.

O artista deve erguer a taça da sua visão para o alto em direção aos deuses, na elevada esperança de que eles derramem dentro dela o doce e suave vinho da inspiração. Se a estrela da boa sorte o favorecer nesse dia, ele precisa então entregar os lábios à delicada sedução dessa bebida cor de âmbar, que faz com que as preocupações se evaporem e devolve à língua a esquecida linguagem da alma. Pois essas inspirações sublimes procedem de um céu que é mais brilhante que o seu e que ele não pode controlar. A função da arte difere daquela do misticismo, mas ambas convergem para a mesma e definitiva direção. Ambas são expressões da busca humana de algo mais elevado do que o comum.

Quem quer que aceite a mais elevada missão da arte e dela se aproxime cada vez mais através de sua atividade criativa, partirá então da arte para o Espírito dentro da profundeza do seu próprio ser. A mente que alcança significados espirituais expressivos, ou que se vê atentamente presa a sons muito belos, é uma mente que um dia se mostrará sensível à Verdade.


Paul Brunton
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