Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

28 de setembro de 2012

O Amor


A mente que busca não é uma mente apaixonada, e não buscar o amor é a única maneira de encontrá-lo; encontrá-lo inesperadamente e não como resultado de qualquer esforço ou experiência. Esse amor, como vereis, não é do tempo; ele é tanto pessoal como impessoal, tanto um só como multidão. Como uma flor perfumosa, podeis aspirar-lhe o perfume, ou passar por ele sem o notardes. Aquela flor é para todos e para aquele que se curva para aspirá-la profundamente e olhá-la com deleite. Quer estejamos muito perto, no jardim, quer muito longe, isso é indiferente à flor, porque ela está cheia de seu perfume e pronta a reparti-lo com todos.

O amor é uma coisa nova, fresca, viva. Não tem ontem nem amanhã. Está além da confusão do pensamento. Só a mente inocente sabe o que é o amor, e a mente inocente pode viver no mundo não inocente. Só é possível encontrá-la, essa coisa maravilhosa que o homem sempre buscou sequiosamente por meio de sacrifícios, de adoração, das relações, do sexo, de toda espécie de prazer e de dor, só é possível encontrá-la quando o pensamento, alcançando a compreensão de si próprio, termina naturalmente. O amor não conhece oposto, não conhece conflito.

Podeis perguntar: "Se encontro esse amor, que será de minha mulher, de minha família? Eles precisam de segurança". Fazendo essa pergunta, mostrais que nunca estivestes fora do campo do pensamento, fora do campo da consciência. Quando tiverdes alguma vez estado fora desse campo, nunca fareis uma tal pergunta, porque sabereis o que é o amor em que não há pensamento e, por conseguinte, não há o tempo. Podeis ler tudo isto hipnotizado e encantado, mas ultrapassar realmente o pensamento e o tempo — o que significa transcender o sofrimento — é estar cônscio de uma dimensão diferente, chamada "amor".

Mas, não sabeis como chegar-vos a essa fonte maravilhosa — e, assim, que fazeis? Quando não sabeis o que fazer, nada fazeis, não é verdade? Nada, absolutamente. Então, interiormente, estais completamente em silêncio. Compreendeis o que isso significa? Significa que não estais buscando, nem desejando, nem perseguindo; não existe centro nenhum. Há, então, o amor.

Krishnamurti - Liberte-se do Passado

26 de setembro de 2012

Morrer para o ontem



Pensamos que o viver está sempre no presente e que o morrer é algo que nos aguarda num tempo distante. Mas nunca indagamos se essa batalha da vida diária é de fato viver. Queremos saber a verdade a respeito da reencarnação, desejamos provas da sobrevivência da alma, prestamos ouvidos às asserções dos clarividentes e às conclusões das pesquisas psíquicas, porém nunca perguntamos, nunca perguntamos como viver — viver com deleite, com encantamento, com a beleza, todos os dias. Aceitamos a vida tal qual é, com toda a sua agonia e desespero, com ela nos acostumamos, e pensamos na morte como uma coisa que devemos diligentemente evitar. Mas, a morte se assemelha extraordinariamente à vida, quando sabemos viver. Não podeis viver sem morrer. Isso não é um paradoxo intelectual. Para se viver completamente, totalmente, de modo que cada dia seja uma nova beleza, tem-se de morrer para todas as coisas de ontem, pois, de contrário, viveremos mecanicamente, e uma mente mecânica jamais saberá o que é o amor ou o que é a liberdade.

Em geral tememos a morte, porque não sabemos o que significa viver. Não sabemos viver, e por isso não sabemos morrer. Enquanto tivermos medo da vida, teremos medo da morte. O homem que não teme a vida não teme a insegurança, porque compreende que, interiormente, psicologicamente, não existe segurança nenhuma. Quando não há segurança, há um movimento infinito, e então a vida e a morte são uma só coisa. O homem que vive sem conflito, que vive com a beleza e o amor, não teme a morte, porque amar é morrer.

Se morreis para tudo o que conheceis, inclusive vossa família, vossa memória, tudo o que sentistes, a morte é então uma purificação, um processo de rejuvenescimento; traz então a morte a inocência, e só os inocentes são apaixonados, e não aqueles que crêem e que desejam descobrir o que acontece após a morte.

Para descobrirdes o que realmente acontece quando se morre, tendes de morrer. Isso não é pilhéria. Tendes de morrer, não fisicamente, mas psicologicamente, interiormente, morrer para as coisas que vos são caras e para as coisas que vos amarguram. Se morrestes para cada um dos vossos prazeres, tanto os insignificantes como os mais importantes, sem nenhuma compulsão ou discussão, então sabereis o que significa morrer. Morrer é ter uma mente completamente vazia de si mesma, vazia de seus diários anseios, prazeres e agonias. A morte é uma renovação, uma mutação, em que o pensamento não funciona, porque o pensamento é coisa velha. Quando há a morte, há uma coisa totalmente nova. Estar livre do conhecimento é morrer; e, então, estais vivendo!

Krishnamurti

O tempo e o sofrimento


O homem vive do tempo. A invenção do futuro se tornou seu favorito jogo de fuga. Pensamos que as mudanças em nós mesmos só podem ser efetuadas no tempo, que a ordem só pode ser estabelecida em nós mesmos pouco a pouco, aumentada dia por dia. Mas, o tempo não traz a ordem nem a paz e, portanto, temos de deixar de pensar em termos de gradualidade. Isso significa que não há um amanhã em que viveremos em paz. Temos de alcançar a ordem imediatamente. 

Quando se apresenta um perigo real, o tempo desaparece, não é verdade? A ação é imediata. Mas, nós não percebemos o perigo existente em muitos dos nossos problemas e, por conseguinte, inventamos o tempo como um meio de superá-los. O tempo é um embusteiro, porquanto nada faz para ajudar-nos a promover uma mudança em nós mesmos. O tempo é um movimento que o homem dividiu em passado, presente e futuro. E, enquanto fizer essa divisão, o homem viverá sempre em conflito.

O aprender depende do tempo? Após tantos milhares de anos, ainda não aprendemos que existe uma maneira de vida melhor do que odiarmos e matarmos uns aos outros. Muito importa compreender o problema do tempo, se desejamos uma solução para esta vida que cada um de nós contribuiu para tornar tão monstruosa e sem significação como é.

A primeira coisa, pois, que se deve compreender é que só podemos olhar o tempo com aquele vigor e aquela inocência da mente, que já estivemos considerando. Vemo-nos confusos a respeito de nossos numerosos problemas, e perdidos no meio desta confusão. Ora, quando uma pessoa se perde numa floresta, qual a primeira coisa que faz? Pára e olha em torno de si. Mas nós, quanto mais nos vemos confusos e perdidos na vida, tanto mais corremos em todos os sentidos, buscando, indagando, rogando. A primeira coisa que deveis fazer, se me permitis sugeri-lo, é fazer alto, interiormente. E, quando parais, interiormente, psicologicamente, vossa mente se torna muito tranqüila e clara. Podeis então considerar verdadeiramente a questão do tempo. 

Os problemas só existem no tempo, isto é, quando nos encontramos com um fato de maneira incompleta. Esse encontro incompleto com o fato cria o problema. Quando enfrentamos um desafio parcial, fragmentariamente, ou dele tentamos fugir — isto é, quando o enfrentamos com atenção incompleta — criamos um problema. E o problema continua existente enquanto continuarmos a dar-lhe incompleta atenção, enquanto esperarmos resolvê-lo um dia destes.

Sabeis o que é o tempo? — Não o tempo medido pelo relógio, o tempo cronológico, porém o tempo psicológico? É o intervalo entre a idéia e a ação. Uma idéia visa, naturalmente, à autoproteção: a idéia de estar em segurança. A ação é sempre imediata; não é do passado nem do futuro; o agir deve estar sempre no presente; mas a ação é tão perigosa, tão incerta, que preferimos ajustar-nos a uma idéia que nos promete uma certa segurança.

Olhai isso em vós mesmo. Tendes uma idéia do que é certo ou errado, ou um conceito ideológico relativo a vós mesmo e à sociedade, e de acordo com essa idéia ides agir. A ação, por conseguinte, ajusta-se àquela idéia, aproxima-se da idéia, e por essa razão existe sempre conflito. Há a idéia, o intervalo, e a ação. Nesse intervalo encontra-se todo o campo do tempo. Esse intervalo é, essencialmente, pensamento. Quando pensais que amanhã sereis feliz, tendes então uma imagem de vós mesmo a alcançar um certo resultado no tempo. O pensamento, pela observação, pelo desejo, e pela continuidade desse desejo, sustentada por mais pensamento, diz: "Amanhã serei feliz; amanhã terei sucesso; amanhã o mundo será um belo lugar." Dessa maneira, o pensamento cria esse intervalo que é o tempo.

Agora, perguntamos: Pode-se deter o tempo? Podemos viver tão completamente que não haja um amanhã para o pensamento pensar nele? Pois o tempo é sofrimento. Isto é, ontem ou há um milhar de "ontens", amastes ou tínheis um companheiro que se foi, e essa memória perdura e ficais pensando naquele prazer ou naquela dor; estais a olhar para trás e a desejar, a esperar, a lamentar, e, assim, o pensamento, ruminando continuamente aquilo, gera essa coisa que se chama sofrimento e dá continuidade ao tempo. 

Enquanto existir esse intervalo de tempo, gerado pelo pensamento, tem de haver sofrimento, tem de haver a continuidade do medo. Assim, perguntamos a nós mesmos: Pode esse intervalo terminar? Se disserdes: "Terminará ele algum dia?", isso então já é uma idéia, uma coisa que desejais conseguir e, por conseguinte, tendes um intervalo e de novo vos vede na armadilha.

Krishnamurti - Liberte-se do Passado

25 de setembro de 2012

Áudio: Pode o pensar resolver os nossos problemas?

Reunião feita pelo Paltalk em 24/09/2012

Viver com nós mesmos como somos


Nunca as agonias da repressão, nem a brutalidade da disciplina de ajustamento a um padrão conduziram à verdade. Para encontrar-se com a verdade, a mente deve estar completamente livre e sem a mínima deformação.

Mas, primeiramente, perguntemo-nos se desejamos realmente ser livres. Quando falamos de liberdade, estamo-nos referindo à liberdade completa ou à libertação de uma certa coisa inconveniente, desagradável ou indesejável? Gostaríamos de ficar livres de lembranças dolorosas e desagradáveis e de nossas experiências infelizes, conservando, porém, nossas aprazíveis e satisfatórias ideologias, fórmulas e relações. Mas, conservar uma coisa sem a outra é impossível, porque, como já vimos, o prazer é inseparável da dor.

Cabe, pois, a cada um de nós decidir se desejamos ou não ser completamente livres. Se dizemos que o desejamos, temos então de compreender a natureza e a estrutura da liberdade.

É liberdade estar-se livre de alguma coisa — livre de uma dor, de uma espécie de ansiedade? Ou a liberdade, em si, é coisa inteiramente diferente? Podeis estar livre do ciúme, por exemplo, mas não é essa liberdade uma reação e, por conseguinte, liberdade nenhuma? Podeis libertar-vos muito facilmente de um dogma, analisando-o, rejeitando-o, mas o motivo dessa libertação tem sua reação própria, porquanto o desejo de nos livrarmos de um dogma pode dever-se a ter ele caído de moda, já não sendo conveniente. Ou podeis ficar livre do nacionalismo por crerdes no internacionalismo, ou porque sentis que, economicamente, já não é necessário estar-se apegado a esse estúpido dogma nacionalista, com sua bandeira e demais futilidades. Podeis facilmente rejeitá-lo. Ou podeis reagir a um certo líder espiritual ou político que vos prometeu a libertação como resultado de disciplina e de revolta. Mas, terá uma racionalização, uma conclusão dessa espécie, alguma coisa em comum com a liberdade?

Se dizeis que estais livre de uma certa coisa, trata-se de uma reação, que depois se tornará outra reação que produzirá uma outra maneira de ajustamento, uma outra forma de domínio. Dessa maneira, podeis ter uma cadeia de reações e aceitar cada reação como uma libertação. Mas isso não é libertação, porém, apenas, a continuidade modificada de um passado a que a mente está apegada.

A juventude de hoje, como a juventude de sempre, está em revolta contra a sociedade, e isso, em si, é uma coisa boa, mas revolta não é libertação, porquanto o revoltar-se constitui uma reação, reação que estabelece o seu peculiar padrão, no qual ficais enredado. Pensais que se trata de uma coisa nova. Mas não é; é o velho, posto num diferente molde. Qualquer espécie de revolta social ou política reverterá inevitavelmente à boa e velha mentalidade burguesa.

A liberdade só existe quando vedes e agis, e nunca mediante a revolta. Ver é agir, e essa ação é tão importante como a ação que se modifica ao verdes um perigo. Não há então atividade mental, não há discussão nem hesitação; o próprio perigo compele ao ato e, por conseguinte, ver é agir e ser livre.
A liberdade é um estado mental; não é estar livre de alguma coisa, porém um estado de liberdade — liberdade para duvidar e questionar todas as coisas e, portanto, uma liberdade tão intensa, ativa e vigorosa, que expulsa toda espécie de dependência, de escravidão, de ajustamento e aceitação. Essa liberdade implica o estar completamente só. Mas, pode a mente que foi criada numa dada cultura e que tanto depende do ambiente e das próprias tendências descobrir aquela liberdade que é solidão total e na qual não há líderes, nem tradição, e nenhuma autoridade?
A solidão é um estado mental interno, independente de qualquer estímulo ou conhecimento, e não o resultado de alguma experiência ou conclusão. A maioria de nós nunca está só, interiormente. Há diferença entre o isolar-se, o segregar-se, e o estar só, a solidão. Todos sabemos o que significa estar isolado — o levantar uma barreira ao redor de nós para que nunca sejamos molestados, nunca sejamos vulneráveis; ou o cultivar o desapego, que é uma outra espécie de agonia; ou o viver na fantástica torre de marfim de uma ideologia. A solidão é completamente diferente disso.

Nunca estais só porque estais cheio de todas as memórias, todas as murmurações de ontem; vossa mente nunca está livre desses trastes imprestáveis que acumulou. Para ficardes só, tendes de morrer para o passado. Quando estais só, totalmente só, sem pertencer a qualquer família, a nenhuma nação, a qualquer continente em particular, tendes a sensação de ser um estranho. O homem que, dessa maneira, está completamente só, é inocente, e essa inocência é que liberta a mente do sofrimento.

Levamos conosco a carga de tudo o que disseram milhares de pessoas, e das lembranças de todos os nossos infortúnios. Abandonar tudo isso, totalmente, é estar só, e a mente que está só não apenas é inocente, mas também jovem — não no tempo ou na idade, porém juvenil, purificada, viva, qualquer que seja a idade; só essa mente pode ver o que é a verdade, e aquilo que as palavras não podem medir.

Nessa solidão, compreendereis a necessidade de viverdes com vós mesmo tal como sois e não como pensais deveríeis ser ou como fostes. Vede se podeis olhar-vos sem nenhum estremecimento, sem falsa modéstia, medo, justificação ou condenação; vivei com vós mesmo, tal como realmente sois.

Só vivendo intimamente com uma coisa, começais a compreendê-la. Mas, tão logo vos acostumais com ela, tão logo vos acostumais com vossa ansiedade ou inveja ou o que mais seja, já não estais vivendo com ela. Se ides morar perto de um rio, passadas algumas semanas já não ouvireis o som das águas, ou, se tendes um quadro na sala, que vedes todos os dias, após uma semana já o perdestes. O mesmo em relação às montanhas, aos vales, às árvores; o mesmo em relação aos filhos, ao marido, à esposa. Mas, para viverdes com uma coisa, tal como o ciúme, a inveja, a ansiedade, nunca deveis acostumar-vos com ela, nunca deveis aceitá-la. Deveis cuidar dela, como cuidais de uma árvore recém-plantada, que protegeis contra o sol e as intempéries. Tendes de zelar aquela coisa, jamais condená-la ou justificá-la. Assim, começais a amá-la. Quando tendes zelo por ela, já estais começando a amá-la. Isso não significa amar a inveja ou a ansiedade, como há quem o faça, porém, sim, ter o zelo necessário à observação.

Assim, será possível, vós e eu, vivermos com o que realmente somos, sabendo que somos estúpidos, invejosos, medrosos, crentes de que possuímos uma enorme capacidade de afeição, quando não a possuímos, facilmente ofendidos, facilmente lisonjeados e entediados; poderemos viver com tudo isso, sem o aceitar nem rejeitar, porém, tão-só, observando-o, sem nos tornarmos mórbidos, deprimidos ou orgulhosos?

Agora, façamos a nós mesmos mais uma pergunta: Pode essa liberdade, essa solidão, essa entrada em contato com a inteira estrutura daquilo que somos em nós mesmos, ser alcançada mediante o tempo? Isto é, pode a liberdade ser alcançada por meio de um processo gradual? Não pode, evidentemente, porque, tão logo se introduz o tempo, ficais a escravizar-vos cada vez mais. Ninguém pode libertar-se gradualmente. Não é uma questão de tempo.

A pergunta subseqüente é esta: Podeis tornar-vos consciente dessa liberdade? Se dizeis "Sou livre", nesse caso não estais livre. É o mesmo que um homem dizer "Sou feliz". No momento em que diz: "Sou feliz", está vivendo na lembrança de uma coisa passada. A liberdade só pode vir naturalmente, e não pelo crer, desejar, ansiar por ela. Também, não pode ser encontrada mediante a criação de uma imagem do que pensais ser ela. Para encontrar-se com ela, a mente tem de aprender a olhar a vida, esse vasto movimento não sujeito ao tempo, porque a liberdade reside além do campo da consciência.

Krishnamurti — Liberte-se do Passado

20 de setembro de 2012

As cinco dimensões da educação


A educação que prevaleceu no passado é bastante insatisfatória, incompleta, superficial. Ela só cria pessoas que conseguem ganhar o seu sustento, mas não dá a elas uma visão sobre a vida em si. Ela não só é incompleta como é prejudicial também — porque é baseada na competição.

Qualquer competição, no fundo, é violenta e cria pessoas pouco amorosas. Todo o esforço é para que sejam conquistadoras — de renome, de fama, de todos os tipos de ambições. Obviamente elas terão que lutar e entrar em conflito para fazer essas conquistas. Isso destrói sua alegria e sua afabilidade. Parece que todo mundo está brigando contra o mundo inteiro.

A educação até agora tem sido voltada para o cumprimento de objetivos: o que você aprende não é importante: o importante é o exame que você fará um ano ou dois anos depois. Ele torna o futuro importante — mais importante do que o presente. Ele sacrifica o presente em prol do futuro. E isso se torna o seu próprio estilo de vida; você está sempre sacrificando o momento por algo que não está presente. Isso cria um imenso vazio na vida.

Na minha visão, a educação terá cinco dimensões. Antes de começar a tratar dessas cinco dimensões, algumas coisinhas precisam ser mencionadas. Uma é que não deverá haver nenhum tipo de exame como parte da educação, mas uma observação diária, feita de hora em hora, por parte dos professores.

Essas observações feitas ao longo do ano decidirão se o aluno deverá ou não permanecer na mesma classe. Ninguém fracassa, ninguém passa — a questão é apenas que algumas pessoas são mais rápidas e outras são um pouquinho mais preguiçosas. A ideia de fracasso cria uma ferida profunda de inferioridade, e a ideia de ser bem-sucedido também cria um tipo diferente de doença: a da superioridade.

Ninguém é inferior e ninguém é superior. A pessoa é simplesmente ela mesma, incomparável. Portanto, não haverá espaço para exames. Isso mudará toda a perspectiva do futuro para o presente. O que você está fazendo neste momento será decisivo, e não cinco perguntas no final de cada ano. O aluno passará por milhares de coisas a cada ano e cada uma delas será decisiva. Por isso a educação não será voltada para os exames.

O professor ocupou um papel de imensa importância no passado, pois ele sabia que tinha passado em todos os exames, tinha acumulado conhecimento. Mas a situação mudou — e esse é um dos problemas: a situação mudou, mas nossas respostas continuam as mesmas.

Agora a explosão de conhecimentos é tão grande, tão imensa, tão rápida, que você nem pode escrever um livro muito extenso sobre nenhum tema científico, porque quando o livro estiver completo já estará ultrapassado; novos fatos, novas descobertas, terão tornado o seu livro irrelevante. Agora a ciência precisa depender de artigos, de periódicos, não de livros.

O professor se formou trinta anos atrás. Em trinta anos tudo mudou, e ele vai repetir o que lhe ensinaram. Ele está ultrapassado, está tornando os seus alunos ultrapassados. Portanto, na minha visão, a velha ideia de professor não tem lugar. Em vez de professores, haverá orientadores, e é preciso entender a diferença: o orientador lhe dirá em que lugar da biblioteca é possível encontrar as últimas informações sobre um assunto.

O ensino não deverá ser administrado da maneira antiga, pois a televisão pode fazer isso de um jeito melhor, pode trazer as últimas informações sem nenhum problema. O professor precisa atrair os seus ouvidos; a televisão atrai os seus olhos e o impacto é muito maior, pois os olhos absorvem oitenta por cento das situações da vida — eles são o mais vivo de todos os seus sentidos. Se você puder ver algo, não há necessidade de memorizar nada; mas, se ouvir algo, precisará memorizar isso.

Quase noventa e oito por cento da educação pode ser administrado pela televisão; e as perguntas dos alunos poderão ser respondidas pelo computador. O professor deve ser apenas um guia para mostrar o canal certo, para mostrar como usar o computador para encontrar o livro mais atual. Sua função será completamente diferente. Ele não transmitirá conhecimento, só tornará o aluno consciente do conhecimento contemporâneo, do conhecimento de vanguarda. Ele é só um orientador.

Com essas considerações, eu divido a educação em cinco dimensões. A primeira é informativa, como história, geografia e muitas outras matérias que podem ser administradas por meio da televisão e do computador. A segunda parte deve ser as ciências. Elas podem ser administradas pelo computador e pela televisão também, mas são mais complicadas e o orientador será mais necessário.

Na primeira dimensão também estão as línguas. Todas as pessoas do mundo deverão aprender pelo menos duas línguas; uma é o seu idioma natal e a outra é o inglês, como veículo internacional de comunicação. Elas também podem aprender línguas com mais eficácia por meio da televisão — a pronúncia, a gramática, tudo pode ser ensinado mais corretamente pela televisão do que por meio de professores individuais.

Podemos criar no mundo uma atmosfera de fraternidade: a língua conecta pessoas e também as desconecta. Não existe atualmente nenhum idioma internacional. Isso se deve aos nossos preconceitos. O inglês é perfeitamente apropriado, porque é conhecido por mais pessoas ao redor do mundo em escala mais ampla — embora não seja a língua falada pela maioria das pessoas.

A primeira é o espanhol, no que diz respeito ao número de pessoas. Mas a população que fala espanhol está concentrada e não espalhada por todo o mundo. A segunda é o chinês, e é ainda mais concentrada; só é falada na China. Essas são as línguas faladas pelo maior número de pessoas, mas a questão não é o número, mas o quanto são disseminadas no mundo todo.

O inglês é a língua mais difundida mundialmente, e as pessoas precisam deixar de lado o preconceito — elas precisam ver a realidade. Houve muitos esforços para criar línguas que evitassem preconceitos — os espanhóis podem dizer que a língua deles deve ser a língua internacional porque é falada por um número maior de pessoas.

Para evitar essas disputas, foram criadas línguas como o esperanto. Mas as línguas não criadas também dão certo. São poucas as coisas que crescem, que não podem ser criadas; e a língua é algo que se desenvolve ao longo de milhares de anos. O esperanto parece tão artificial que todos os esforços de implantá-lo fracassaram.

Mas é absolutamente necessário criar duas línguas — primeiro a língua natal, porque existem sentimentos e nuanças que você só pode expressar na sua língua natal.

Um dos meus professores, o senhor S. K. Saxena, viajava pelo mundo todo e foi professor de filosofia em muitos países. Ele costumava dizer que você pode falar tudo numa língua estrangeira, mas quando se trata de brigar e de amar, você sente que não está sendo sincero e verdadeiro com relação aos seus sentimentos. Por isso, quando se trata dos seus sentimentos e da sua sinceridade, a sua língua natal... que você bebeu com o leite da sua mãe, que se tornou parte do seu sangue e dos seus ossos. Mas isso não é suficiente, pois faz surgir pequenos grupos de pessoas e torna as outras estrangeiras.

Uma língua internacional é absolutamente necessária como base para um mundo unificado, uma só humanidade. Por isso duas línguas são absolutamente necessárias para todos. Isso faz parte da primeira dimensão.

A segunda é a pesquisa de assuntos científicos, o que é extremamente importante, pois a ciência corresponde à metade da realidade, ou seja, a realidade externa.

E a terceira será o que falta atualmente na educação: a arte de viver. As pessoas acham que sabem o que é amor. Elas não sabem... e, quando descobrem, é tarde demais. Toda criança deveria receber ajuda para aprender a transformar sua raiva, seu ódio, seu ciúme, em amor.

Uma parte importante da terceira dimensão também deveria ser o senso de humor. Nossa assim chamada educação faz com que as pessoas fiquem tristes e sérias. Se um terço da sua vida é gasto numa universidade, em ser triste e sério, isso fica enraizado.Você se esquece da linguagem do riso — e a pessoa que se esquece da linguagem do riso se esqueceu muito da vida.

Portanto, o amor, a risada e o conhecimento da vida e das suas maravilhas, seus mistérios... os passarinhos cantando nas árvores, não deveriam passar despercebidos. As árvores e as flores e as estrelas precisam ter uma conexão com o coração. O nascer do sol e o pôr do sol não são apenas coisas externas, eles são internos também. A reverência à vida deve ser a base da terceira dimensão.

As pessoas não têm reverência nenhuma pela vida. Elas ainda continuam matando animais para comer — chamam isso de "jogo". E, se os animais as comem, elas chamam isso de calamidade! Estranho... num jogo, ambas as partes devem ter oportunidades iguais. Os animais não têm armas e você tem revólveres ou flechas. Você pode não pensar sobre a razão por que os revólveres e as flechas foram inventados — pois foi para que se pudesse matar os animais de uma distância maior; chegar muito perto é perigoso. Que tipo de jogo é esse? E o pobre animal: indefeso contra as balas...

Não se trata de uma questão de matar os animais; é uma questão de não ter reverência pela vida, pois tudo de que você precisa pode ser obtido por meio de suplementos nutricionais ou por outros métodos científicos. Todas as suas necessidades podem ser satisfeitas; nenhum animal precisa ser morto. E uma pessoa que mata animais, lá no fundo pode matar seres humanos sem qualquer dificuldade, pois qual é a diferença?

Uma grande reverência pela vida deve ser ensinada, pois vida é Deus e não existe outro deus que não seja a própria vida, e a alegria, o riso, o senso de humor — em resumo, um espírito dançarino.

A quarta dimensão deve ser das artes e da criatividade: pintura, música, artesanato, cerâmica, alvenaria, qualquer coisa que seja criativa. Todas as áreas da criatividade devem ser permitidas: os alunos podem escolher. Só algumas poucas coisas devem ser obrigatórias — por exemplo, uma língua internacional; uma certa capacidade para ganhar o próprio sustento; uma determinada arte criativa.

Você pode escolher a partir de uma ampla paleta de artes criativas, pois, a menos que a pessoa aprenda a criar, ela nunca se tornará uma parte da existência, que é constantemente criativa. Sendo criativa, a pessoa é divina; a criatividade é a única prece.

E a quinta dimensão deve ser a da arte de morrer. Nessa quinta dimensão estarão todas as meditações, de modo que você possa saber que a morte não existe, que você possa se tornar consciente de que há uma vida eterna dentro de você. Isso deve ser absolutamente essencial, pois todo mundo tem que morrer; ninguém escapa disso. E, sob o amplo termo genérico da meditação, você pode ser apresentado ao Zen, ao Tao, ao Yoga, ao Hassidismo, a todos os tipos e a todas as possibilidades que existem, mas que hoje não são incorporadas à educação.

Nessa dimensão, você também deve aprender que existem artes marciais como o aikido, o jiu-jitsu, o judô — a arte de autodefesa sem armas — e não só de autodefesa, mas também de meditação, simultaneamente.

Teremos uma educação completa, integral. Tudo o que é essencial deve ser compulsório, e tudo o que é não essencial deve ser opcional. A pessoa pode lazer suas opções, que serão muitas. E, depois que o básico for preenchido, então você precisa aprender algo de que gosta: música, dança, pintura — você tem que saber algo que o leve ao seu interior, a se conhecer. E tudo isso pode ser feito muito facilmente, sem nenhuma dificuldade.

Eu mesmo fui professor e me demiti da universidade com a seguinte nota: isso não é educação, é uma completa estupidez; vocês não estão ensinando nada de significativo.

Mas essa educação insignificante prevalece no mundo inteiro. Ninguém busca uma educação mais completa, integral. Nesse sentido, quase todo mundo é pouco instruído; mesmo aqueles que têm muitos diplomas são pouco instruídos nas áreas mais vastas da vida.

Alguns não são instruídos, muitos são pouco instruídos — mas ninguém tem instrução realmente. Mas encontrar uma pessoa instruída é impossível, pois a educação como um todo não existe em lugar nenhum.

Osho, em "Transformando Crises em Oportunidades: O Grande Desafio Para Criar um Futuro Dourado Para a Humanidade"

18 de setembro de 2012

Áudio: A família como fator condicionante



Vídeo sobre o condicionamento pela moda

Toda criança que nasce, nasce com um certo número de marcas colado em sua pele. 
O recém-nascido é certamente o alvo número um de qualquer marcar que queira
segui-lo do berço à sepultura e se eles puderem capitalizar em cima de sua morte, melhor.

Circulando por grandes centros de consumo como Paris, Nova Yorque e Montreal, o documentário fala sobre a influência das marcas no consumo de determinados produtos e nos leva a refletir sobre o poder destas, que atraem seus adeptos emocionalmente e diferenciam classes sociais e culturais.









Reflexões contra o irrefletido e condicionante discurso burguês

17 de setembro de 2012

Filme: Quanto vale, ou é por quilo?

Um excelente filme que retrata bem o processo histórico de sabotização dos direitos em nome da manutenção de privilégios embasados em desgastados discursos burgueses.

Filme: Área Q




Gênero: Suspense
Duração: 107 min.
Origem: Brasil
Direção: Gerson Sanginitto
Roteiro: Gerson Sanginitto, Julia Câmara
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2012

Sinopse: Thomas Mathews (Isaiah Washington) é um repórter reconhecido no círculo jornalístico como o homem que vai atrás dos fatos para revelar a verdade. Ele é o vencedor do Prêmio Conscience-in-Media por expor um escândalo de derramamento tóxico por uma grande corporação.

A vida de Thomas dá uma guinada quando seu filho Peter desaparece. Um ano se passa e Thomas não descobriu nada sobre o sequestro. A busca obsessiva por uma pista que pudesse explicar o desaparecimento de Peter vira a vida de Thomas de cabeça para baixo. Thomas está prestes a perder sua casa e seu emprego. Seu chefe e amigo, Dylan, a fim de ajudar, oferece a ele um projeto especial em que Thomas terá que investigar casos de avistamentos de OVNIs, contatos imediatos do primeiro, segundo e terceiro grau, e até de abduções. O único problema é que Thomas terá que ir ao Ceará, estado localizado no Nordeste do Brasil. O jornalista definitivamente não quer deixar Los Angeles, porque uma nova pista sobre seu filho pode aparecer a qualquer momento. Depois de pensar muito a respeito, Thomas decide ir.

No Brasil, ele investiga histórias sobre os avistamentos de alienígenas que ocorreram nas pequenas cidades de Quixadá e Quixeramobim, conhecidas como Área Q. Durante a investigação, Thomas conhece João Batista, (Murilo Rosa), um caboclo que tem muitas respostas sobre o que está acontecendo nessa área e também sobre o filho de Thomas.

Uma série de eventos inesperados acaba com o plano original de Thomas, que é escrever a matéria e ir embora o mais rápido possível e o jornalista se vê lutando para acreditar no que tem visto. Pouco a pouco, ele começa a perceber que está prestes a vivenciar a maior descoberta de sua vida.

11 de setembro de 2012

Áudio: Automelhoramento é progresso no sofrimento e não eliminação do sofrimento


Reunião feita pelo Paltalk na tarde de 10-09-2012

Áudio: Automelhoramento é progresso no sofrimento e não eliminação do sofrimento


Reunião feita pelo Paltalk na tarde de 10-09-2012

Existe um método de como ficar com o conflito e observá-lo?

C.J. diz: Bom dia Out!

Outsider diz: Bom dia!

C.J. diz: Estou investigando uma situação e queria seu ponto de vista, me avise quando tiver um tempo, por favor.

Outsider diz: Diga lá!

C.J. diz: De acordo com nossas conversas, toda vez que surge o sofrimento, a dica de K é ficar com isso, observar. Você me falou em observar o conflito, ficar com ele. Percebo que você tem clareza quando se expressa em palavras, então me ocorreu de pedir para — didaticamente — colocar em palavras essa coisa que é ficar com o conflito e observá-lo. Quando alguém está sofrendo, em crise, com medo, pânico, enfim em sofrimento, portanto com ansiedade, como conseguir juntar todos essas confusões, se aquietar e observar?

Outsider diz: Muito bem!... Isso me parece como a busca de um "como", de um "método"... Será possível isso?

C.J. diz: Creio que não, mas deve ter um jeito!

Outsider diz: Será possível, o modo como me reporto a isso, funcionar também para outro ser humano? Essa me parece uma boa pergunta...

C.J. diz: Deve ser possível, porque K ajudou muitas pessoas.

Outsider diz: No caso aqui do freguês, o que tenho percebido é que é muito difícil romper a, digamos assim, "barreira inicial" que abre um caminho para a possibilidade dessa prática da solitária observação do sofrimento; o consciente enfrentamento, pela primeira vez, do ataque conflituoso é profundamente delirante e desgastante, algo em que parece que o corpo vai se desintegrar... Você precisa mesmo "se agarrar" na cadeira para superar o impulso de buscar por respostas externas que silenciem — mesmo que momentaneamente — a dolorosa força de tal ataque conflituoso; a impressão que se tem é a de que, literalmente, acabaremos em estado de loucura total, num surto psicótico sem volta... Isto é algo muito, mas muito difícil mesmo de relatar através das palavras. No entanto, uma vez que se consegue isso, há posteriormente ao período de dor, a instalação de um estado de ser em que você sente que "algo" ocorreu, que uma "etapa" foi atravessada; há a instalação de um "estado de presença", uma presença que traz a segurança de que é possível fazer frente a tudo aquilo que se apresentar. A partir daí, o ato de fazer frente, fica mais fácil, apesar de ainda, por vezes, se manter "doloroso" e também "desgastante", se bem que não mais na mesma intensidade de outrora. Mas o importante aqui, é que começa a ocorrer aquilo que chamo de "ego-conhecimento"... Porque é o conhecimento do movimento do ego, do eu, do movimento do pensamento. A partir desse movimento, QUEM SABE, possamos chegar ao verdadeiro AUTO-conhecimento: o conhecimento da realidade que somos, quando não mais identificados com essa entidade, a qual denominamos "eu", "ego", "pensamento". Costumo brincar que isso é somente para homens e mulheres de saco roxo, visto que — inicialmente — se mostra algo realmente assustador. Uma vez que estamos por décadas condicionados a fugir de algum modo, daquilo que se manifesta em nosso corpo emocional, psíquico — e olha que são inúmeras as formas de fuga — é claro que fazer frente à tal conteúdo, acaba se mostrando algo assustador, quando não, algo parecido como uma atitude masoquista, destituída de sentido prático. Se tiver que simplificar a "prática", o "método", seria: obter a disposição de, aconteça o que acontecer, só sentar e olhar; olhar tudo, sem ajuda de nada, nem lápis, caneta e papel... Só olhar, olhar, olhar, olhar... É isso! Ser uma testemunha inativa. Penso que, ao invés de tentar dissertar "didaticamente" sobre esta questão, quem sabe, melhor que uma visão isolada, seria marcarmos algo parecido como tema de uma de nossas reuniões on-line. Ok?

C.J. diz: Olha, estive pensando... Com tantos mestres promovendo satsangs que acentuam o ego, por que você não faz reunião tipo Paltak ao vivo, mas, presencial?

Outsider diz: Por que penso que o princípio está acima da personalidade que relata, através da limitação das palavras, uma ínfima fração desse principio; sinto força na ação do anonimato, na não "organização da mensagem". O importante é a mensagem e não o mensageiro. Bem, agora preciso sair; trabalharemos esse tema numa reunião on-line, assim, mais confrades poderão compartilhar de suas observações.

C.J. diz: Ok!

Outsider diz: Vou nessa! Como diz um Confrade: Vida que segue!

C.J. diz: Ok!

Outsider diz: Tenha um ótimo dia!

C.J. diz: Ótimo dia para você também!

Outsider diz: Um fraterabraço e um chute nas canelas!

C.J. diz: OUtro!

10 de setembro de 2012

Curtas do dia

Onde estão os muitos pontos da consciência? Na sua mente. Você insiste que o mundo é independente da sua mente. Como pode ser? Seu desejo de conhecer a mente das outras pessoas é devido ao seu desconhecimento de sua própria mente. Primeiro conheça sua própria mente, e você verá que a questão das outras mentes não se apresenta, porque não há outras pessoas. Você é o fator comum, o único elo entre as mentes. Ser é consciência. O "Eu Sou" se aplica a todos.
Nisargadatta Maharaj

Não vos enevoeis com pensamentos que vos desviam da rota.
Trigueirinho

... Eu nunca estou realmente sozinho quando escrevo, mas de vez em quando surge diante dos olhos da minha mente a visão de um homem ou uma mulher cuja vida pode tomar um novo rumo e mais nobre curso por causa de alguns parágrafos que fluem suavemente a partir desta minha velha caneta…
Paul Brunton

Quem está lá para ser Consciente da inconsciência? Enquanto a janela está aberta, há sol na sala. Com as janelas fechadas, o sol continua [existindo], mas ele vê a escuridão na sala? Há algo como escuridão para o sol? Não há tal coisa como inconsciência, porque a inconsciência não é experimentável.
Nisargadatta Maharaj

8 de setembro de 2012

Curtas do dia

Aquilo que você é, seu verdadeiro Self, você o ama, e o que quer que você faça, você faz para sua própria felicidade. Encontrar seu verdadeiro Self, conhecê-lo, amá-lo é sua urgência básica. Seja verdadeiro com você mesmo, ame a si mesmo absolutamente. Não finja que você ama os outros como a si mesmo. Você não pode amar o outro a menos que você tenha compreendido que ele [o outro] é um com você. Não finja ser o que você não é, não se recuse a ser o que você é. O seu amor pelos outros é o resultado do seu auto-conhecimento, não a sua causa. Sem a auto-realização, nenhuma virtude é genuína. Quando você sabe além de qualquer dúvida que a mesma vida flui através de tudo que é, e que você é essa vida, você irá amar tudo natural e espontaneamente. Quando você compreende a profundidade e a amplitude do seu amor por você mesmo, você sabe que cada ser vivo e o universo inteiro estão incluídos no seu afeto. Mas quando você olha para qualquer coisa como separada de você, você não pode amá-la porque você a teme. A alienação causa medo, e o medo aumenta a alienação. É um circulo vicioso. Apenas a auto-realização pode quebrá-lo.

Nisargadatta Maharaj
_____________________________

O efeito de uma absorção completa e adequada dessas ideias é fortalecer a pessoa e revigorar seu propósito, para fazê-la sentir que o que está por trás do universo está atrás dela também.

Paul Brunton
_____________________________

Aprendei a respeitar o silêncio e aprendereis a amar.
Trigueirinho
_____________________________


Pressentia desde o início a singularidade do meu destino, o sentido da minha vida seria cumpri-lo. Isto me dava uma segurança interior que nunca pude provar a mim mesmo, mas que era provada. Não possuía esta certeza, mas ela me possuía... Ninguém conseguiu demover-me da certeza de que estava no mundo para fazer o que Deus queria e não o que eu queria.
C. G. Jung

7 de setembro de 2012

Testemunhando aquele que testemunha


C.J: Bom dia Out!

Outsider: Bom dia, C.J.

C.J: em paz né?

Outsider: sempre observando a mente; paz real, ainda não! A paz ainda é uma idéia!

C.J: sim, é isso mesmo!

Outsider: há momentos desprovidos de ataques mentais, isso sim, mas eles ocorrem quando menos se espera; no entanto, a observação dos mesmos impede a antiga identificação reativa inconsciente e inconsequente, que por fim, acaba dando continuidade a mais confusão e a mais alimento para o movimento mental.

C.J: gostaria de lhe colocar algo que estive meditando; é sobre os mestres; gosto de pesquisá-los! Out, vejo verdade nisso que coloca, porém os mestres que dizem terem vivido um momento de luz que os transformaram. Como você percebe isso? Todos dizem que estavam no caminho da busca e, de repente, sentiram algo inexplicavel...

Outsider: Veja, quase todos apontaram a mente como o fator que impede esse estado de "uma mente silenciosa". Aqui não tem ninguém realizado, no entanto, aos 24 anos, vivi uma experiência desse "algo inexplicavel", experiência essa que transformou radicalmente o direcionamento da minha existência. Quase todos nós vivemos o que chamo de uma "amostra grátis do Sagrado"; há um trabalho posterior de reconhecimento dos condicionamentos. Talvez, pelo que me parece, através dessa "meditação consciente", a qual deve ser SEM ESFORÇO, SEM DESEJO DE ALTERAR O QUE SE VÊ, isso a que se referem os mestres, possa se manifestar. Nosso conflito está em ação contínua porque não conseguimos ficar com o que é, com o que se apresenta, momento a momento, sem que a mente julgue, rotule, analise, compare, com bases no que viveu, no que leu, no que viu, no que escutou, no que vivenciou, enfim, naquilo que é seu FUNDO PSICOLÓGICO. Todos esses mestres apontam que esse fundo psicológico — que é o conhecido — precisa sumir para que o desconhecido possa se fazer manifesto. Isso me parece muito lógico!

C.J: sim! Não operar na percepção do AGORA.

Outsider: Então, para mim, penso que isso que eles dizem, só pode se manifestar pela meditação, momento a momento daquilo que se apresenta em nosso interior e também no exterior, sempre percebendo como nosso interior reage ao que vê no exterior. Observar, observar, observar... Absorver, absorver, absorver... Absolver-se, absolver-se, absolver-se!

C.J: honestidade!

Outsider: sim! PARA CONSIGO MESMO!

C.J: ser honesto é difícil!

Outsider: pois bem! O que é que torna essa honestidade dificil?... Qual é a entidade que resiste à honestidade?... Então, observar essa resistência.

C.J: o ego, condicionamentos!

Outsider: muito mais do que, com uma resposta rápida — que é sempre resultante do conhecido — como por exemplo, a sua: "O ego", será possivel, observar isso tudo ocorrendo, SEM NOMEAR, SEM ROTULAR, SEM SE BASEAR EM RÓTULOS LIDOS? Estou me fazendo compreender?

C.J: sim; continue, por favor.

Outsider: Veja, mesmo quando dizemos, "eu", o "ego", isso não foi uma PERCEPÇÃO DIRETA NOSSA; ainda é resultante do fundo psicológico, percebe?... Sendo assim, podemos ver, só ver, sem nomear tudo que sentimos, percebemos e vemos?... Isso sem nomear, sem comparar com o passado, sem comparar com o nosso arquivo de conhecimento, seja ele pessoal, ou literário, institucional? Compreende? Esses mestres tiveram A SUA PRÓPRIA VISÃO DO REAL e, todos eles, pela limitação da palavra, tentaram deixar "pistas"; "setas" neste caminho sem caminho.

C.J: vou colocar o que acontece comigo: quando compreendo algo, sinto que só o silêncio é bom. Parece que, quando algo real se manifesta, nos calamos... falar parece que complica.... Mas, ao mesmo tempo, é bom falar, compartilhar... Parece que vivemos em contradição!

Outsider: isso! Veja, essa palavra, "CONTRADIÇÃO"... Não seria isso, a fonte de toda nossa ausência do que você chamou de paz? Nossa mente diz uma coisa em um segundo, dois segundos depois, diz outra, três segundos após, diz outra ainda! E isso nos causa conflito e, na vontade de fugir do conflito, tomamos uma postura qualquer baseada em uma das sugestões da mente, em uma de suas falas e imagens, que são sempre produto do passado; não temos a coragem de VIVER O CONFLITO, VIVER A CONTRADIÇÃO — HOLISTICAMENTE — VÊ-LA OCORRER EM NÓS, tão só COMO TESTEMUNHAS, SEM AÇÃO... A única ação é a de ser TESTEMUNHA do movimento da mente na ponte do tempo "passado e futuro"; testemunha da mente que pede por ações com base no arquivo dessa ponte para que possamos fugir da dor.... Assim, quase sempre, fugimos da dor, fugimos de vivê-la, de observá-la e, MUITO MAIS IMPORTANTE QUE ISSO: deixamos de chegar àquele ponto em que começamos a observar "aquele" que está OBSERVANDO tudo isso; observar "esse" que está sempre preso na trama da contradição... Não damos o tempo necessário para nos aprofundarmos nisso e, assim, permanecemos num ciclo vicioso de pensamentos; ficamos só na trama da contradição. No entanto, PENSO EU, que o grande lance, o eureka, o insight, só pode ocorrer, quando vamos além da trama da contradição, que ocorre na mente, somatizando sensações dolorosas em nosso corpo fisico. E, ao ir além da trama da contradição, ao ir além dos sintomas fisicos e emocionais, sem fugir, sem correr para nenhum lugar, sem palavrear o que se sente para ninguém, é que conseguimos perceber a "entidade" que observa, que sente tudo isso e que está CONDICIONADA a FUGIR DE TUDO ISSO, seja pela droga, pelo sexo, pelos mestres, ou por outra forma qualquer, ou pelo que se convencionou chamar de DEUS.

C.J: sim!... Fugir! A palavra não é a coisa mesmo!

Outsider: Sabemos o quanto que isso é difícil, não fugir do conflito, da dor, ficar ali, como testemunha... Estamos condicionados... Somos partidários do "Tomou Doril, a dor sumiu"...

C.J: Out, vou tentar te passar minha compreensão para verificar a sua em relação ao meu momento. Sinto que todos os caminhos para o autoconhecimento, tambem são criações da mente; a mente é o unico que temos nessa existência; parece que é "impossivel" compreender o desconhecido e, ao mesmo tempo, queremos saber, porque sentimos que há algo mais. Mas, sinto que essa paz e amor que queremos, também é criação mental. Como disse a você, pesquiso os mestres e, esses dias, quis participar de um Satsang de um dos Mestres da atualidade... Custo: R$1.800,00...

Outsider: ahahahahah

C.J: Então, vejo que esse caminho é muito, mas muito caro! (risos)

Outsider: A graça custa caro quando vem de quem diz que tem a graça...

C.J: Então, compreendo bem o valor do dinheiro; acho que é uma luz neutra; nós é que damos valor a ela conforme queremos. No entanto, não é caro? Estou errada pensando assim?

Outsider: É absurdamente caro! Elitização da espiritualidade; comércio puro! Organização! Mas, a verdade, a graça, não podem ser organizadas!

C.J: Ainda acho que devem cobrar! Na verdade, não é Satsang; são dois dias de curso!

Outsider: "curso?"

C.J: Sim! É o ABC da espiritualidade!

Outsider: Mas, alguém pode lhe dar o curso certo para se encontrar?

C.J: Claro, que não! Ninguém pode! Mas, de verdade, tinha gostado do jeito desse guru brasileiro; ele diz que só o amor resolve; eu concordo com isso!

Outsider: É um velho e desgastado chavão espiritualista! Por causa da imaturidade espiritual, muitos são atraídos para as mãos exploradoras de verdadeiros "lobos com pele de cordeiro" e, em meio da sua dor e confusão, pagam muito caro, pagam o que for pedido diante da promessa de se verem livres de tamanha dor, sem ter que ser responsavel, POR SI MESMO, de observar aquilo que é.

C.J: Mas, quando estamos no caminho de busca, precisamos de dicas de alguém que já experimentou o "Click".

Outsider: vejo isso como condicionamento!

C.J: Acho que é correto seu modo de perceber. Penso, Out, que o Amor pode ser mesmo a solução; não adiantam muitos argumentos.

Outsider: Veja, me ocorreu algo aqui... Seus pais, de certo, lhe falaram o que é a vida, não foi?

C.J: sim, mais ou menos!

Outsider: Eles lhe falaram, segundo seus condicionamentos.

C.J: Sim!

Outsider: Você, então, sai para a vida, com um pouco do entendimento daquilo que eles lhe falaram sobre a vida. No entanto, descobre, POR SI MESMA, que a vida, não tem nada a ver com aquilo que lhe falaram, ou que, em algumas poucas nuances, se assemelha com o que eles disseram. Mas, o importante, foi sua DECISÃO DE IR PARA A VIDA e VIVÊ-LA, senti-la e aprender por si. Então, penso que na nossa "jornada espiritual" — se é que podemos chama-la assim — precisamos, a principio de "pais espirituais", com seus condicionamentos e interesses velados, mas, chega um momento, isso se você for realmente sério, vai sentir que precisa jogar tudo isso fora, deixar isso tudo de lado, todas as palavras, todos os cursos, todos os livros, todos os gurus, tudo que viu, tudo que viveu, tudo que aprendeu de fora e, perceber por si mesma, se questionar, se é possível uma mente silenciosa, uma mente "virgem", uma mente inocente, se isso é possível mesmo. Mas, veja bem, sem o uso de qualquer tipo de condicionamento e para isso, contrariando um pouco sua visão, não creio que o instrumento que temos seja a mente, pois a mente É O PASSADO, o que temos é o SER QUE SOMOS, A CONSCIÊNCIA QUE SOMOS, QUE VAI SE TORNANDO CADA VEZ MAIS COINSCIENTE DE SI MESMA, NA OBSERVAÇÃO DE TUDO ISSO QUE OCORRE NA MENTE CONDICIONADA. Compreende?

C.J: Olha Out, acho que na verdade não tenho nenhuma visão; estou tateando, percebendo, tentando seriamente, honestamente, como posso sentir conforto interior, que é o mais importante para mim no momento. Estou em conflito, não consigo no momento conviver com ninguém; os amigos me "criticam"; nada está bom! Já te falei que quero sair do emprego e não consigo e, por outro lado, nessa minha busca, encontro mestres que a princípio me sinto bem em ler o que escrevem mas, logo não me atraem mais. Tenho um amigo que se diz iluminado e tenta me ajudar. Mas é muito duro; acha que tudo é ilusão; resume demais... Ele diz que só Deus É e pronto! Não critico ninguém, apenas direciono minha busca para quem tem amor, generosidade...

Outsider: Olha só, uma das coisas que vivenciei em mim mesmo e também percebi em outras pessoas, é a AUTO-MISTIFICAÇÃO; isso é um auto-engano fantástico, muito poderoso, um narcótico fortissimo! Muita gente parece cair nisso - não afirmo ser o caso de seu amigo. No entanto, deixemos isso para lá, pois isso não ajuda na compreensão daquilo que você acabou de me colocar; fiquemos com sua colocação, ok?... Se me permite, Por que insistimos em buscar "como posso, sentir conforto interior?"... Por que, ao invés de querer fugir do DESCONFORTO, ou como brinco DEUSCONFORTO (É SEU CHAMADO), por que não dedicamos nossa energia para, ao invés de tentar achar algo externo para aliviar tal desconforto (seja um livro, um guru, um video, uma ação) — o que implica perda de energia vital e movimento no tempo —, não usamos essa mesma energia, que usariamos para fugir do desconforto, para nos sentarmos, como você mesma mencionou, em silêncio, para observar, SEM QUALQUER TIPO DE JULGAMENTO, SEM QUALQUER TIPO DE COMPARAÇÃO - O QUE IMPLICARIA NA CONTINUIDADE DO PASSADO E TODO SEU ARQUIVO — SEM QUALQUER TIPO DE JUSTIFICAÇÃO, SEM QUALQUER TIPO DE ROTULAÇÃO? Só se sentar em silêncio e TESTEMUNHAR O DESCONFORTO. E, sendo mais sério, ousando adentrar pelo portal que separa os adultos dos adolescentes espirituais, TESTEMUNHAR AQUELE QUE TESTEMUNHA O DESCONFORTO?... Sei que isso pode soar um tanto estranho; mas, como pensei outro dia, em todo nascimento, o que vem à luz primeiro é a cabeça; depois é que passa a região do coração, e, por último o corpo todo. No enatnto, só se torna humano, quando se corta o cordão umbilical, quando não mais somos uma extensão de outro. Então, aqui, isso pode começar pela tentativa de compreensão mental do que venha a ser A TESTEMUNHA TESTEMUNHANDO AQUELE QUE TESTEMUNHA. Mas, como pode findar o desconforto testemunhado, enquanto aquele que testemunha não desaparecer do jogo? Então, me parece que o problema, não está no desconforto, mas sim, naquele que se sente desconfortado. Quando se ultrapassa a testemunha, pela ação da consciência — o que não é fruto da vontade —, talvez, então, surja isso que você chamou de paz, de amor, e que, em sua graça, TORNA NOVA TODAS AS COISAS que outrora causavam DESCONFORTO, pois talvez ocorra o conforto do que chamam "Deus". Isso é o que sinto ser verdade. O momento que vivo é de testemunhar, é de jogar fora todo conteúdo do passado como fator de base para mudança, visto que, mudança, NÃO É TRANSFORMAÇÃO; é preciso "algo que transpasse" todo conhecimento e isso está além dos limites da TESTEMUNHA QUE PENSO SER

C.J: Sim.

Outsider: Outra coisa, você colocou acima: "Estou em conflito, não consigo conviver com ninguém no momento, os amigos me "criticam", nada está bom!"

C.J: E isso que coloquei é meu "deserto"!

Outsider: Ok, me identifico, pois também já vivenciei esse desconforto e sei muito bem como é bastante doloroso; mas, já está atravessado. Ele é básico e, profundamente, fundamental! faz parte de um processo de parto de novos homens, claro que, desde que compreendido sua função.

C.J: Sim!

Outsider: O grande lance, você já sabe... OBSERVAR, EM SILÊNCIO, TUDO QUE SENTE E VÊ e, por silêncio, me refiro a NÃO INTERFERÊNCIA DA MENTE COM SEU CONTEÚDO DO PASSADO. Sabe, falar sobre isso é difícil, uma vez que as palavras limitam mesmo.

C.J: Sim, eu sei muito bem!

Outsider: Volto a falar que, penso que a grande sacada que estou vivendo é ir ALÉM DO CONFLITO, DO DESCONFORTO, DO MAL ESTAR E PERCEBER A AÇÃO DA MENTE - COM O PASSADO - COM O CONHECIDO - SEMPRE PEDINDO POR REAÇÃO e ficar na inação, a qual mantém o conflito como se o mesmo estivesse numa tela de cinema e a TESTEMUNHA AQUI, TUDO TESTEMUNHANDO, PERCEBENDO, COMPREENDENDO, VENDO O FALSO, VENDO O VERDADEIRO. Não tenho uma conclusão final; estou em 'PROCESSO; processo é NÃO QUERER FAZER CESSAR,  é DEIXAR OCORRER, DEIXAR VIR. Posso usar aqui uma metáfora: estou vivendo um "PURGATÓRIO"; não estou no céu, nem no inferno, estou testemunhando o PURGAR DO CONTEÚDO DA MENTE, o PURGAR DO CONTEÚDO DAQUELE QUE TESTEMUNHA... Penso que se todo o conteúdo da mente, se todo o conteúdo daquele que testemunha, CESSAR, então, quem sabe, o "PRO" possa se manifestar... O "TRANS" possa se manifestar... A transcendência...

C.J: Bem, você me passou que sua esposa também passou por momentos de depressão no passado... E então, eu estava pensando que é preciso estar sem depressão , estar bem fisicamente ao menos para buscar, para ver. Sabe Out, acho que avancei um pouco; estou vendo que todas as situações que passo na empresa onde trabalho, o ciúme profissional que há em relação a mim, está tudo em mim mesma! O jeito que me tratam, sou eu mesma que sinalizo; estou vendo isso. Vou te contar algo que me aconteceu essa semana no item relacionamento; desculpe mas vou te contar porque acho que você vai poder me dar uma dica. Bem, um amigo que já conheço há algum tempo, quer ter um relacionamento comigo... (risos)... Veja, eu mesma dou abertura, e depois, quando há chance, eu relato para ele todos os meus defeitos, faço ele compreender que não sou suficiente pra ele... Ainda bem que estou vendo essa loucura! É como um jogo, Out! Estou sendo muito sincera ao lhe contar isso!

Outsider: Olha só, não sei se é seu caso, mas, pela minha vivência, pela vivência de minha esposa e de alguns confrades que vieram de lares disfuncionais, nossa base, nosso fundo psicológico, é o MEDO e o medo, cria toda forma de autoboicote, cria toda impossibilidade de intimidade e, a principal delas, é a INTIMIDADE COM NÓS MESMOS, COM AQUILO QUE SENTIMOS, portanto, uma vez que fugimos de uma intimidade com aquilo que se apresenta em nós (MUITO ALÉM DO QUE PENSAMOS SER) como será possível a manifestação de um estado de ser relaxado que se permita qualquer tipo de intimidade com outro ser humano e com a natureza que nos cerca? Portanto, vejo como falso, olhar para fora como o foco de nosso desconforto, pois, a base do desconforto, pelo que tenho testemunhado, está no medo que trazemos conosco, o qual tem suas raizes no passado, em nosso arquivo morto, mas que insiste em se fazer vivo devido a nossa falta de vivacidade na observação do conteúdo de nossa mente, sem que haja qualquer tipo de "nomeação" do que se vê. A própria palavra é tempo, é passado e, palavrear aquilo que se vê, mesmo que apenas para nós mesmos, é dar continuidade ao passado e nisso, impedir a vivência direta daquilo que tantos Mestres vivenciaram e que tentaram, pela limitação das palavras, deixar como pistas. Então, o que vejo ser de profunda importância no agora que vivencio é, em todas as relações em que me encontro, estar atento, testemunhando muito mais do que as ocorrências externas, mas sim, como elas REVERBERAM AQUI NO FREGUES, como elas agitam o sal do passado que acaba sempre turva a água pura do SER QUE SOU... Ficar ali, olhando tudo... A mente, de fato, vai dizer que isso tudo é bobeira, que é perda de tempo, que é babaquice, que não é funcional, que com isso se está deixando a vida passar, apenas assistindo... Mas, se formos bem honestos, não é exatamente isso que estivemos fazendo até aqui?... Deixando a vida passar, sem ao menos vivencia-la? O que mais vivenciamos não é conflito?

C.J: Sim, é isso que sinto!

Outsider: Acho interessante a gente olhar mais uma coisa... Você se reportou a depressão... Alguma vez você já parou para olhar o que foi sua experiência de depressão?

C.J: Sim!

Outsider: No meu caso, a depressão ocorreu pela NÃO ACEITAÇÃO E TAMBÉM PELA IDENTIFICAÇÃO TOTAL COMO, EU SENDO O CONTEÚDO DO QUE SE PASSAVA EM MINHA MENTE E EMOÇÕES, ALIANDO-SE A UMA FUGA FRENÉTICA PARA ENCONTRAR RESPOSTAS NO EXTERNO PARA TUDO AQUILO QUE ME ASSUSTAVA INTERIORMENTE. A depressão sumiu depois que parei de correr, depois que parei de me identificar como sendo o conteúdo do que passa na mente, do que ocorre no corpo emocional, no corpo físico. Quando ocorreu a compreensão de que não sou a mente, que não sou as emoções, que não sou o corpo físico, mas sim que sou ISSO que testemunha; quando ocorreu a compreensão de que é possível testemunhar sem o antigo vício de sair correndo por aí, visto que ISSO QUE SE EXPRESSA MOMENTANEAMENTE, SEJA NA MENTE COMO NO EMOCIONAL, TAMBÉM PASSA, deu-se a capacidade de uma nova maneira de enfrentar essas situações, podendo sentar comigo e observar tudo... Essa disposição de não correr, essa disposição de sentar com aquilo que se apresenta, consciente de que aquilo não está ai para me destruir mas sim para destruir aquilo que chamam de ego, não pelo esforço, mas pela compreensão, o que chamam de depressão, sumiu. A pressão que roubava a energia, sumiu! A energia passou a ser usada para fazer frente aquilo que se manifesta, momento a momento, EM TODAS AS ATIVIDADES. A dor é original, o sofrimento passou a ser opcional; a dor tem se mostrado uma pedra de toque para a manifestação de um estado cada vez mais alterado, mais qualitativo da consciência que sou; essa dor é um chamado, um aviso que me aponta para situações em que a persona tenta tomar o espaço que não lhe cabe, espaço esse que é consciência — a consciência, apresenta, a persona tenta minar essa apresentação, nisso ocorre a dor; se há identificação com esse "minar" — o que é uma forma de resistência — dá-se o sofrimento e a ampliação da dor. A resistência, que é uma forma de fuga, é a fonte do conflito, portanto, tenho procurado observar a "entidade" que procura resistir ao conteúdo que a consciência faz consciente, complicado isso?

C.J: Não é complicado; a chave é compreender. Estou verificando que a base é a  busca honesta, ser honesto, sem jogos. A entidade que você se refere é um "eu" resistente, condicionado é isso? Não sei bem a palavra mas é algo ilusório

Outsider: Se quiser usar a palavra "eu", tudo bem! Veja, há um estado de consciência aqui, tornando-se consciente de tudo, seja internamente ou externamente; esse estado de consciência, toma consciência, momento a momento, de tudo que essa "entidade" que tem vida própria, que age, fala, projeta imagens, sem a participação ativa dessa consciência. Esse estado de consciência, toma consciência de que, essa entidade, com sua atividade mecânica, acelerada e autônoma, tenta criar um estado de "torpor hipnótico", um estado de transe inconsciente, onde, nesse estado de transe inconsciente, nesse estado de torpor, a possibilidade de uma vivência 100% holística do que ocorre no agora, deixe de acontecer; é esse estado de torpor, esse estado de transe - QUE ACONTECE COM UMA RAPIDEZ INCRIVEL - é que impede a escuta, a intimidade, a partilha, a comunhão.

C.J: Acontece porque é inconsciente, como um cavalo sem rédeas!

Outsider: Este estado de consciência que está testemunhando tudo e que, nesse testemunhar, está se tornando cada vez mais consciência, cada vez mais percebe a manifestação, SEMPRE NA PONTE DO TEMPO PASSADO/FUTURO, da ação dessa entidade. Estou usando a palavra entidade para não usar o peso do passado da palavra "eu" e "ego".

C.J: Você acha que a entidade em algum momento ficará vazia? Quando, através da observação, passarmos tudo o que é inconsciente, portanto autônomo, para o consciente, estaremos livres, liberados?

Outsider: Veja, isso são apenas conjecturas, as quais me parece ser um vicio da própria entidade, que acaba fazendo uso delas para minar nossa observação da própria ação da entidade; além do que, isso demonstra o condicionamento de nossa busca, a qual é desejo de por fim a algo e, onde há desejo, haverá de fato, conflito, continuidade do medo, movimento no tempo pela ação da esperança e, com isso, uma perda de energia na compreensão do que se apresenta AQUI E AGORA. Isso, essa coisa de se "será possível" — que me soa como uma necessidade de se ter segurança no tempo —, me parece um meio de fuga criado pela própria entidade. Vejo como fundamental — e também EXTREMAMENTE DIFÍCIL — se manter no aqui e agora; Já ouvimos isso mil e uma vezes, mas quantas vezes, de fato, o conseguimos? NUNCA! A entidade não permitiu até aqui, visto que, se isso ocorre, não há mais entidade, pois essa entidade precisa de tempo e por isso ela cria esse movimento constante.

C.J: A entidade tem vida própria, então, não somos livres!

Outsider: Penso que o inicio da liberdade daquilo que realmente somos, tem seu inicio quando começamos a perceber que NÃO SOMOS A ENTIDADE, mas que somos A TESTEMUNHA SEM NOME, que toma consciência da ação da entidade; isso cria um espaço que impede a instalação do estado de "transe hipnótico" constantemente lançado pela entidade.

C.J: Então quando nos tornamos conscientes do jeito que a entidade opera, quando conhecemos as características dessa entidade, enxergando de fato sua operação, podemos quem sabe estarmos livres da atuação dela?

Outsider: Olha só, isso pode as vezes parecer um pouco de "intelectualismo", mas, as coisas estão no meio das próprias palavras, o modo como estamos condicionados pode ser visto em meio de nossas falas... Leia por favor, novamente o que você acabou de escrever...

C.J: Ok!

Outsider: Você escreveu: "quando nos tornamos conscientes"...

C.J: hummm, isso mesmo, não se torna consciente!

Outsider: Estamos condicionados de que realmente existe uma entidade que se torna consciente e não que somos Consciência tornando-se cada vez mais livre dessa identificação ilusória como sendo essa entidade que diz ter consciência... Pescou?

C.J: Sim! (risos)

Outsider: Então, a própria busca, percebo como uma ação da própria entidade, para, através dela, ter sua continuidade garantida como um buscador.

C.J: É o condicionamento de "vir a ser algo"...

Outsider: É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo...

C.J: Buscar é ilusão! Isso mesmo!

Outsider: Se o cachorro para de girar em círculos, pode perceber que ele já é o rabo e que não faz sentido correr atrás dele... Se conseguirmos parar, em silêncio, ou seja, sem a ação do passado, talvez, possamos perceber que já somos isso que externamente buscamos, ou então, perceber a falsidade daquilo com que nos identificamos e que dá continuidade a um estado de eterno conflito. Então, tenho ficado com o testemunhar da entidade, percebendo sempre seu movimento no tempo, suas projeções, seus links, sua rede de relacionamentos, seu book de faces, como ele usa tudo, tudo, tudo... Veja, aqui mesmo... Enquanto lhe escrevo, enquanto troco figurinhas com você, a entidade diz: "Nossa como você está vendo longe!"... "Falta pouco para você ser mais um iluminado!"... (risos)

C.J: Me ocorreu algo agora. Meu amigo que se diz iluminado, afirma: "Fique em silêncio; a luz cuida de tudo". Então, para ele, já aconteceu a compreensão. O fato é que parece que ninguém pode ensinar nada, a não ser, compartilhar.

Outsider: Eu até concordo com ele; só mudaria uma coisa: tiraria a palavra "luz", pois ela condiciona; em seu lugar, ficaria com as palavras "o que é".

C.J: Sim, boa colocação!...  O que É!

Outsider: Então, aqui, surge a pergunta: "O que é então, "aquilo que É"?... Lançar a pergunta e sem buscar a resposta, deixar reverberar, deixar fecundar...

C.J: O que é,  eu chamo de paz, porque na paz podemos executar tudo de maneira autêntica.

Outsider: Quem sabe, quando o solo da consciência que somos estiver apto, não mais estiver encapsulado pela mente, possa então, dar seus frutos.

C.J: Out, quando há compreensão, o que É se manifesta; quando não há cobrança, o que É se manifesta. O que É parece que está disponível, nós, por colocarmos limitação, de maneira inconsciente, congelamos a manifestação. Ocorreu-me agora de verificar minha existência desde meu nascimento. Eu vejo que tive experiências limitadoras e conflituosas demais... Não tive oportunidade de casar, ter filhos, enfim experimentar o que a maioria faz. Minha busca pela verdade é de muito tempo, tenho escritos desde 11 anos de idade. A entidade me sugere pensar que sou diferente no sentido que me faz ser especial... Imagina! Sempre vi relacionamentos como sendo algo não inteligente... Imagina! Sempre desejei algo especial... Imagina! Que contradição!!!! Estou vendo a entidade no comando de minha vida, Out.

Outsider: Isso é que importa! E, o que me parece ser o mais importante é se perguntar: quem é esse que vê a entidade em suas ações?

C.J: Esse que vê a entidade pode ser algo novo ou mesmo um braço dela mesma, porque a entidade é inteligente, faz manobras! Percebo assim por vezes!

Outsider: Não digo inteligente, mas sim, profundamente sagaz! A entidade vai querer dar a resposta para essa pergunta e, com essa resposta, criar o tal estado de "transe hipnótico" que impede a manifestação da verdade.

C.J: Você pode observar que os mestres que tiveram seu momento de insight, logo após, o querem passar a todos... Não lhe contei sobre o tal guru brasileiro e o preço que cobra pela passar de seu insight? Não seria isso também a entidade dizendo: "Olha, eu sei viu!!!! Descobri a verdade!!!!!" Isso não seria a entidade travestida de consciência?

Outsider: Penso ser pura auto-mistificação!... Uma nova roupagem, agora espiritual, faz a entidade
muito mais poderosíssima, ao ponto de hipnotizar vários dolorosos desatentos para pagarem isso que eles pedem e que dão o nome de "pequena contribuição para o trabalho". Isso está em todo lugar, basta você ligar sua televisão para confirmar. Tem gente descaradamente pedindo 300.000 mil pessoas doando R$1.000,00...

C.J: E outra, como pesquiso, vejo que eles usam nomes sânscritos para complicar ainda mais... Estou tentando não criticar Out, mas estou vendo o falso e, ainda assim, me percebi simpatizante dos ensinamentos desse guru! Veja se não é difícil o caminho!

Outsider: Olha só... Eles tem uma poética maravilhosa! Fantástica! Profundamente envolvente, juntamente com aquele olhar angelical!... Verdadeiros atores!

C.J: Sim tem, são sedutores!

Outsider: Você chegou neles porque eles tem aquilo que você, no momento, pensa precisar e por isso se identifica. Mas, se fica de olhos e mente bem abertos, logo vê o falso, o que não é difícil, basta olhar para o preço cobrado pela venda da graça. Veja, essa auto-mistificação ilusória, isso é muito fácil de ocorrer até com você mesma... A entidade é doida para expressar ao mundo: "agora eu também sei!"...

C.J: Sim!

Outsider: Você que também já leu de tudo, que já frequentou muitas instituições... Tem um fundo literário e institucionalizado amplo; de repente, tem um "pequeno insight"...

C.J: Não frequentei Out; não pude, só li mesmo...

Outsider: Ok! Continuemos! Esse insight amplia sua visão, sua percepção de mundo...

C.J: Sim, amplia.
Outsider: Então, a entidade, que não foi dissolvida pela ação dessa "amostra grátis", rapidamente faz uso do material apresentado pela ação da amostra grátis e, com ele, com a ajuda de imaturos e desavisados adolescentes, ou de adultos infantis, logo passa a se ORGANIZAR COMO TAL!

C.J: Acho que tenho um botãozinho interno que me ajuda a não me envolver.

Outsider: A maioria desses pseudos-mestres, como não conseguiram "sucesso e respeitabilidade na esfera da horizontalidade material", então, fazem uso da espiritualidade para obter "sucesso, validação e reconhecimento social" tentando com isso acobertar seu idealismo falido.

C.J: Sempre questionei os nomes que usam em Sânscrito; isso só confunde!

Outsider: Eles sustentam a imagem idealizada de si mesmos com palavreados em sânscrito, com fotos de seus gurus, com a manifestação de suas "linhagens", uma espécie de "curriculum espiritual". É muito engraçado isso! Gostam de ser adulado como "Mestres, Bába, Braghavan"... Isso já mostra o quanto não perceberam a ilusão dos rótulos e da hierarquia.

C.J: Isso!

Outsider: Tudo isso para assim, VALIDAR, sua psudo-originalidade.

C.J: De fato, parecem cópias!

Outsider: São papagaios espiritualistas.

C.J: Como é bom enxergar!

Outsider: sabe, tem papagaio que também canta o hino do Brasil, mas não sabe aquilo que canta! O mesmo ocorre com esses mestres de segunda mão: cantam, mas, aos de mente e coração abertos, não encantam! No entanto, na terra de cegos de si mesmos, quem tem um olho, logo vira facilitador de satsang, ou então, de "cursinhos avançados de alfabetização espiritual". Tem até um nome bonitinho para isso: "Satsang Intensivo", o qual ocorre num final de semana, sempre com aquelas carinhas de paisagem celeste.

C.J: Olha, eu nunca fui em Satsang; sempre questionei muito.

Outsider: Esses "auto-proclamados gurus", fazem parte do que chamo de o "Novo Vaticano", ou se preferir de "o novo clero". Esse "novo Vaticano", assim como o antigo, faz um enorme número de sonâmbulos, literalmente, entrarem pelo cano do auto-engano!

C.J: O único que vejo são as palestras de Krishnamurti no Youtube; isso eu gosto muito mesmo. Você tem lembrança onde está um texto de K, sobre o Falso e o Verdadeiro? Em qual livro?

Outsider: Você pode pegar uma coletânea sobre neste link: http://www.krishnamurti.org.br/?q=book/export/html/538

C.J.: Bem, Out, o que queria te colocar é que, embora eu esteja na busca, mesmo tendo as crises que eu chamo de "Medo" (os médicos dizem pânico, depressão) evito tomar remédios e também recebo a graça de não me envolver com qualquer pessoa, digo, pessoas que poderiam me anestesiar. E quero agradecer de coração mesmo, por você ser tão amigo e conversar comigo sobre tudo isso.

Outsider: Estamos ai, sempre trocando figurinhas sem colar.

C.J: Sim! Que bom!

Outsider: Sabe, Carol, eu não curto muito um tal de Trigueirinho, no entanto, há dois vídeos desse senhor, que tem se mostrado muito esclarecedor para muitos confrades; um se chama "Como reconhecer o eu interno" e o outro "a experiência do deserto". Neles, ele coloca algo que faz muito sentido.

C.J: Sim.

Outsider: As pessoas e situações estão cumprindo seu papel para que possamos nos aperceber de qual realmente é a nossa pedra de tropeço: a entidade! Se quiser, posso pegar o link desses áudios para você.

C.J: Quero sim!

Outsider: Um momento...

C.J: Certo!

Outsider: A importância da vivência do deserto do real para o estado de prontificação à um novo paradigma: http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/p/o-deserto.html

C.J: Nelson sou sincera em dizer que devido a estar ocupando um cargo de chefia na empresa, talvez me falte humildade no momento, mas me custa receber ordens de quem não sabe nada!

Outsider: Então, sugiro que observe "essa entidade" que resiste a receber "ordens"... Como reconhecer o Eu interno: http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/2012/06/como-reconhecer-o-eu-interno.html

C.J: Não entendi essa frase. Observe "essa entidade" que resiste a receber "ordens"... Ah! Entendi sim! OK!

Outsider: Assista esse vídeo depois da conversa! "Como reconhecer o eu interno": http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/2012/06/como-reconhecer-o-eu-interno.html

C.J: Out, vou ver o vídeo agora, ok?

Outsider: Beleza! Valeu pela conversa! Vou transformar nossa conversa num texto. Acho que talvez possa ser esclarecedora para demais confrades.

C.J: Legal! Depois quero ler!

Outsider: Certo! Então, um fraterabraço e um chute nas canelas... E vê se não passa gelo e nem Gelol!

C.J: Nossa!!!!! (risos)

Outsider: É para cair os condicionamentos dos ossos!

C.J: Ah! sim! Alguém já falou que os condicionamentos ficam armazenados até nas células! Depois te falo sobre o que senti ao ver o vídeo!

Outsider: Beleza! Vai lá fui!

C.J: Um abraço!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Que bom que você chegou! Junte-se à nós!