Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

18 de abril de 2014

Os tratantes da realidade que somos e a idiotice humana

Quando removemos a inverdade dentro de nós, as raízes ocultas da verdade que há em nós começam a dar seus primeiros brotos, da mesma forma que uma semente em germinação expulsa seu talo verde para o ar a fim de que se torne real e visível... Enquanto você não passar em todos os exames, ninguém lhe dará um diploma demonstrando que você realizou um certo trabalho interior que o qualifica para esse grau. É exatamente o que ocorre com a "colação de grau" espiritual. Não podemos receber, e não receberemos, nada de graça. Mas, por infelicidade, o grosso da humanidade acredita nesse contra-senso. É por isso que, em nossa época, há tantos TRATANTES OCULTISTAS que procuram explorar a IDIOTICE dos homens, prometendo-lhes que irão fazer o trabalho por eles (naturalmente, em troca de recompensa financeira adequada) e "iniciá-los" sem qualquer esforço essencial de sua parte. Eis porque aparecem tantos livros e "ensinamentos" INÚTEIS no momento, que por vezes até obtêm um certo "sucesso" de vendas. Mas alguns poucos livros sérios e verdadeiros, que NÃO MASCARAM a verdade da NECESSIDADE DE UM TRABALHO ÁRDUO para se obter a realização, são menos favorecidos neste século. Mas os sábios romanos sabiam disso, e foram eles que disseram: "As pessoas gostam de ser enganadas". Tantas pessoas preferem palavras enganosas, porém lisonjeiras, ao discurso tranquilo e despretensioso da Verdade.

Mouni Sadhu

14 de abril de 2014

Invisível aos olhos da sociedade


Sobre o sarcófago da memória


O uso de substâncias e o processo de iniciação


Vivendo com uma respiração mais tranquila


O uso de máscaras tem seu início na família


Minha linguagem está no silêncio


10 de abril de 2014

A dificuldade de pensar juntos - Mais além do tempo



K: Um de nossos problemas que falaremos esta manhã é a dificuldade de pensar juntos, não sobre algo, senão a capacidade de pensar juntos. Pergunto-me, o que impede as pessoas de fazerem isto? É por suas opiniões, suas conclusões, seus conceitos, seus ideais, seus enormes preconceitos profundamente arraigados?

DB: Creio que é porque as pessoas se aderem a estas coisas; possuem uma opinião com a qual se identificam, elas não o sabem, mas se aderem a isso.

K: É isso o que impede as pessoas de pensarem juntas, cooperarem juntas?

DB: Bem, isso é claramente um fator importante, pode-se ver politicamente, digamos que o Leste e o Oeste...

K: Oh, politicamente, por suposto.

DB: Bem, se queremos ter paz teríamos as duas partes dispostas e discutir sem opiniões fixas.

K: Por suposto, por suposto. Mas isso é impossível com os políticos.

W: Pois não, não estou de acordo que seja impossível.

K: Quero dizer, tal como é na atualidade.

W: Sim, mas quero dizer, como você disse, não há nada como que isso seja impossível.

K: Não, nada é impossível, mas se querem faze-lo o podem fazer.

W: Sim, e creio que se queremos que o façam, podemos fazer com que o façam.

K: Sim, isso é correto. Se nós os cidadãos, de pé, queremos que o façam, o farão. Bem, agora, como os cidadãos a pé vão ajudar para que queiram isto?

W: Bem, creio que eles têm que superar seu sentimento de impotência. E creio que em última instância eles também têm que reconhecer sua própria responsabilidade, não só os políticos que estão sendo desajeitados, os demais estão sendo demasiadamente desajeitados.

K: Apresenta-se de novo o ser responsável em tudo o que faz, em cada pessoa. E não sentem dessa maneira, não se sentem responsáveis. Eles se convertem em líderes, líderes políticos, líderes religiosos, ou outra classe de líder e dependem deles.

W: E os culpam.

K: Exato. Assim que a coisa está toda do avesso, todo este assunto.

DB: Bem, parecem que não podemos começar dessa maneira, isso porque não serve de nada culpar as pessoas pelo que são. Porém, as pessoas não estão dispostas...

K: Portanto, você tem que começar por si mesmo.

DB: Porém, é possível que algumas pessoas o pudessem começar de todos os modos, independente do que fazem os demais.

K: Deixe os demais...

DB: Bem, não pode afetar aos demais no momento, mas uma vez sugerido, mais adiante, algumas pessoas possam fazê-lo, então, eventualmente, outros podem adentrar.

K: Sim, correto.

DB: O que não quer dizer que estão descuidando dos outros, mas...

K: ... Mantém a porta aberta.

DB: Sim, não é a ordem correta para começar com os demais.

K: Não, estou de acordo. Você tem que começar por si mesmo.

DB: Ou com quem seja.

W: Mas se você diz que somos nós mesmos em nossas relações, que o que eu sou em minha relação com outras pessoas e, portanto, há que se olhar, observar estas relações, nesse sentido se está começando com os demais. Você começa...

K: Com os demais e consigo mesmo, inter-relação constante.

W: Quando você diz que existem estes bloqueios e que as pessoas não podem...

K: Saltá-los...

W:... Entre uma pessoa e a outra, este não é sempre o caso. Não é relevante que às vezes entre duas pessoas que possuem uma estreita relação e uma relação de amor, há uma grande quantidade de estar na mesma longitude de onda, um tipo de relação empática imediata em que uma mente não está realmente separada da outra mente. Mas não é isto possivelmente relevante para este assunto da mudança de si mesmo, a transformação de nossa própria mente, que é através deste processo de inter-relação.

K: Inter-relação, correto... Senhor, seria suficiente se a metade de uma dezena de nós realmente entende-se este assunto? Como podemos afetar o mundo? Creio que podemos. Hitler afetou o mundo.

DB: Hitler era um só, claro. O fez tudo por si mesmo.

K: Claro. Um homem louco, que infectou a todo mundo.

DB: Bem, houve um programa recentemente na BBC sobre Thomas Paine, e demonstrou que na realidade tinha um efeito significativo no mundo inteiro. Tinha uma tremenda energia e paixão. Foi muito claro nesse programa que afetou a totalidade da história.

K: Sim, senhor. Então, surge uma pergunta: Por que é que não somos apaixonados? Por que é que somos tão mornos? Creio que estamos muito luxuriosos por poder, por isto, ou por aquilo, porém, parece que temos perdido, ou nunca tivemos essa paixão por fazer o correto, fazer o que é bom.

DB: Eu só ia dizer que creio que parte da razão desta falta de paixão, é só o fato de não compreender este ponto. Muita gente pode sentir que é muito importante fazer algo, mas dizem que a sociedade é tão grande...

K: Tão grande que está asfixiada.

DB: Assim que a questão, é que existe uma falta de clareza neste ponto, o que podemos fazer realmente, que fique realmente claro que é possível fazer algo.

K: Sim, senhor. Creio que é realmente possível.

DB: tem que ser tão evidente que você não renuncie quando haja problemas, quando se torne difícil.

W: Creio que a sociedade nos condiciona para que nos sintamos impotentes. Isso é parte da dificuldade.

K: Mas, por que estamos preocupados com a sociedade? Por que nos asfixiam, por que isso deveria reduzir ou destruir nossa paixão? E o que é a paixão? Como se tem isso — não como, não é um método, mas, quando se produz? Isso está melhor. Quando tem as rédeas soltas esta paixão?

W: Bem, nós sabemos quando há rédeas soltas, e é então quando todas estas forças primitivas se detêm. E suponho que o fundamental é que se os indivíduos na sociedade estão sendo dominados por suas imagens de si mesmos e então querem perpetuar o estado das coisas em que isto parece ser assim. E, portanto, exercerá uma influência condicionante através da sociedade para manter a todos neste estado de desamparo e engano.

K: A paixão pela responsabilidade, digamos isto, por exemplo, se você tem uma tremenda paixão, vem com o fim da dor? A paixão está relacionada com o fim do sofrimento? A palavra paixão, etimologicamente, está relacionada com o sofrimento?

W: Bem, isso é só uma pergunta, em certo sentido, da erudição, o qual eu não estou tanto, porém, você lhe dá um significado mais profundamente presumivelmente.

K: É claro... Veja, recém-chegado da Índia, havia ao redor de sete mil pessoas em Bombaim, uma seção transversal de toda a sociedade — os muito ricos, a classe media e alguns muito pobres. Falei com eles em inglês, claro, e se vê que realmente não entendem esta extraordinária complexidade da vida, a única coisa que querem são soluções para os problemas, aos problemas pessoais, problemas econômicos, problemas espirituais, querem soluções. E na busca de soluções não resolvem os problemas.

DB: Não, mas creio que é justamente o ponto, as pessoas em primeiro lugar, geralmente, não entendem isso, que as soluções não são pertinentes, e que, obviamente, ajuda a dissipar sua energia.

K: Sim, sim. Assim que o enfoque do problema é importante.

DB: Sim.

K: E o enfoque não é a solução do problema, senão como se observa o problema. O problema é diferente de você? Mas bem, você é o problema, o problema não está aí fora.

DB: Mas para comunicar isso é difícil porque você vê a uma pessoa que está desempregada, sente que seu problema está aí fora, se só tivesse um trabalho iria estar bem.

K: Sim.

DB: Bem, agora, você está dizendo algo muito mais profundo: em que sentido podemos dizer que o problema é você? Suponhamos que alguém comece, você quer falar com alguém, e ele está desempregado.  

K: Sim, senhor, escutava outro dia a dois desempregados, que estavam sendo entrevistados — estavam amargurados, enojados, furiosos, desde há três anos não tinham um emprego, e estavam furiosos com os líderes, os líderes conservadores, dirigentes sindicais, etc. Eles não se preocupam com nada mais do que o emprego, conseguir dinheiro, comida, refúgio, isso é a única coisa que os preocupa. Creio que o vasto mundo está preocupado com isso e nada mais.

DB: Bem, agora, suponhamos que você quer falar com este homem, como vai fazer para que se preocupe por algo mais?

K: “Não”, ele diz, “Primeiro o pão, pelo amor de Deus primeiro o pão. Mantenha todas suas coisas espirituais para mais adiante quando você tenha me dado pão”. Tenho falado com muita gente na Índia e outros lugares, é o mesmo problema, se o pão é o primeiro o outro é o primeiro. Se é o pão, então não existe uma solução, e estão amarrados nisso, todos eles estão amarrados nisso, o primeiro é o pão. E se tem sorte, o outro o pode ter. Mas a grande maioria das pessoas está preocupada com a urgência; como você vai demonstrar algo? Não pode. Portanto, só está reservado para os “benfeitores” que possuem tempo livre, os que têm certas oportunidades para estar sós, para olhar a si mesmos, falar disso? Isso parece terrivelmente injusto. Mas é um fato. Assim, pois, os da classe “sem ocupação”, ou as pessoas que têm tempo livre, vão entender sua relação? Ou vão utilizar esse tempo livre para se divertir, para se entreter?

DB: bem, acho que, isso não faz nenhuma diferença.

K: Nenhuma diferença, isso é o estou dizendo. Creio que a “desocupação” é uma coisa maravilhosa. Penso que se aprende muitíssimo mais quando se tem tempo livre.

DB: Talvez, voltando a questão do salário, como você vê, as pessoas que sofrem estão desempregadas, estão enfermas, maus governos, etc, bem, agora, você tem dito que a paixão está conectada com a dor, pelo qual poderia ser um enfoque.

K: Mas veja, seria incluso para as pessoas com tempo livre, para as pessoas muito bem educadas, que realmente estão frente aos problemas da vida e os problemas do mundo. Terão suficiente tempo livre para dar seu tempo, sua energia, e dizer, olhe, vamos compreender a relação de cada um e entrar no todo. Parece tão extraordinariamente difícil para a maioria das pessoas.

DB: Bem, sim o entendo. É por isso que estamos discutindo se algumas pessoas poderiam começar isto...

K: Sim, claro!

DB:... e que poderia afetar aos demais. Há pessoas que possuem tempo livre e que estão interessados, mas creio que não acabam vendo a verdadeira possibilidade disto. Há pessoas que poderiam estar prontas para fazer isto, mas não vem que tudo seja possível.

K: Sim, senhor, o sei.

DB: Agora, se puderem ver algo que na realidade é possível, mais deles poderiam vir.

K: Então, como ajudar — digamos, por exemplo, que me ajuda a ver que há uma possibilidade, há uma porta aberta para mim, para escapar de todo este horror — não escapar, o sinto — para compreender todo este assunto, como pode me ajudar? Falaram para mim, assinalando todas as misérias, toda a confusão, mediante as análises, mediante a busca de uma causa? Temos feito tudo isso.

DB: Isso não é suficiente. Agora se nos dizem que as pessoas com uma grande energia, como Hitler, o Thomas Paine, ou várias outras pessoas, tem tido seu efeito na história, algumas boas e outras más. E a pergunta é, se é possível que um grupo de nós...

K: Se é possível para...?

DB: Para um grupo de nós.

K: Oh, sim, claro, essa é a única maneira!

DB: Aprofundar realmente em todo este...

K: Desastre! Claro que é possível. É isso que estamos tratando de fazer. Em Brockwood, ou em outros lugares, é reunir a um grupo de pessoas que pensam igual — não igual —, que pensam, que têm uma boa compreensão da relação e entrar em tudo isto. Mas parece tão incrivelmente longo.
Senhor, poderia dizer, para ir a outro tema, você diria que somos os donos do tempo? Que fazemos nosso próprio tempo? Aparte do tempo físico, o tempo interno, a esperança interior, o interior de ser cada vez melhor, a ideia de converter-se em algo, tudo isso implica tempo. Se pudéssemos encurtar o tempo, ou seja, sou violento, e creio que posso superar essa violência mediante o tempo. E assim, inventámos o tempo. Enquanto que, se na realidade no tenho tempo, “o que é” se torna extraordinariamente importante e se pode transformar. Mas se permito o tempo, estou perdido. Não sei se estou comunicando algo.

W: Bem, o seguimento seguinte é relevante aqui, de que se você pega a alguém que tenha vivido toda a sua vida e não tenha podido desenvolver-se de todos os modos, e tem poucos dias de vida, e estes estão enquanto tanto morrendo, — eu quero dizer que se tenha visto a um anúncio recentemente que se estava morrendo, e, pela primeira vez em sua vida parecia ter um papel enquanto se estava morrendo, e nada podia aproveitar estar longe dele. Bem, agora, algumas pessoas diriam que isto é muito triste, porém, é só por um dia ou dois, mas seguramente o tempo não importa em absoluto.

K: Não.

W: É isto parte das coisas que você quer dizer que sempre estamos medindo as coisas, e dizer, é importante porque isto será maior que aquilo com o tempo, mas na realidade é a qualidade.

K: Pode a mente parar de medir? O qual significa que sou o passado, o presente e o futuro. Eu sou isso. E meu tempo é o amanhã — espero ser feliz amanhã. Assim que estou inventando meu próprio tempo. Assim que sou o dono de meu tempo. E se entendi isto profundamente, então gostaria de tratar com “o que é” e terminar com ele de imediato. Não sei se estou comunicando algo.

W: Sim, significa que você se daria conta do “que é” em vez de desejar ser dominado pelos pensamentos acerca do que foi, ou o que poderia ser no futuro.

K: Dou toda a minha energia a isso.

W: Sim, a “o que é”... (longa pausa)... Mas então, quer dizer que o sofrimento é uma questão da memória e do passado?

K: Sim, isso é correto.

W: E estas recordações do passado lhe impedem de experimentar diretamente “o que é”?

K: Sim. E também se reconheço que sou o passado, o presente e o futuro, eu sou tudo isso, e ocorra o que ocorrer tenho que lidar com o que ocorre de imediato, não adia-lo, nem encontrar alguma desculpa e tudo mais. Penso que é melhor que paremos. Não? Continuemos?

W: Sim, só acabamos de começar, certo!

K: Ah, só começamos! ”... (longa pausa)... E também estávamos falando em Ojai, com o Dr. Bohm, o homem, os seres humanos teriam tomado o curso equivocado?  

W: Ele sempre tem tomado o curso equivocado!

K: E, portanto não há saída? Isso é “desesperante”, pensar nesses termos é impossível.

DB: Bem, é o mesmo que dizíamos esta manhã sobre o conhecimento. É dizer, o conhecimento é tempo.

K: O conhecimento é tempo.

DB: Porque é o passado que chega até o presente fazendo o futuro. É o mesmo, não ter tempo e conhecimento, para colocar fim na atividade do conhecimento. O conhecimento não é um conhecimento meramente abstrato, senão que é muito ativo, porque faz o tempo.

K: O pensamento é tempo. Pode o pensamento deter-se?... (longa pausa)... Devido ao pensamento ter criado toda esta bagunça, o pensamento tem inventado as guerras, tudo é inventado pelo pensamento.

DB: Claro, também o pensamento inventou todo tipo de coisas boas.

K: Claro, claro!  

DB: Queremos dizer que o pensamento chega a seu fim, o qual não quer dizer que as características úteis do pensamento se detenham.

K: Não, não, não! O pensamento tem seu lugar.

DB: Mas o pensamento dominante chega a seu fim, sim?

K: Não, quero dizer que o pensamento como tempo chega a seu fim.

DB: De que tipo de pensamentos acaba sem tempo?

K: Vacuidade.

DB: Isso também é pensamento?

K: Não.

DB: Mas eu queria dizer suponhamos, que você tem que pensar ao fazer algo.

K: Aí você tem que pensar.

DB: Mas, então o tempo entra quando você tem que pensar.

K: Sim, claro. Tenho um trabalho como cirurgião, ou o que quer que seja, e tenho que pensar. Isso é correto e necessário pensar aí. Mas estou questionando todo este tema de que o pensamento domine minha vida.

DB: Sim, pensado sobre si mesmo.

K: O pensar em si mesmo, pensar no futuro, pensar no passado, pensar em minha família, — pensando, pensando, pensando. O pensamento é limitado, minhas ações são limitadas, e, portanto, mais catástrofe e mais miséria. Assim que pergunto a mim mesmo, se o pensamento pode chegar a seu fim psicologicamente, internamente, mas externamente tenho que pensar, assim que podemos deixar isso de lado. Então,  o pensamento pode chegar completamente a seu fim? O pensamento é conhecimento, o pensamento é tempo, o pensamento é limitado, divisor, e o pensamento tem criado as guerras, e as igrejas, e as coisas dentro das igrejas e templos e todo o resto da mesma. Você vê que o pensamento é muito,  muito limitado e destrutivo.

DB: Esse tipo de pensamento.

K: temos dito isso. Então, pode o pensamento chegar a seu fim internamente? Isso significa: pode o conteúdo da consciência, que é o resultado do pensamento, pode o conteúdo ser apagado? O medo, a ansiedade, a angústia, todas as crenças, tudo isso é minha consciência. E isso é tempo. E estou pedindo: pode o tempo, pensamento, chegar a seu fim? Mas o pensamento como conhecimento na ocupação, nas profissões, na habilidade, é necessário. Não temos que voltar a isso, repeti-lo uma e outra vez.

W: Mas poderia incorporar esta questão que surge no tema da relação, entre duas pessoas? Então de ser assim: se o pensamento chega a seu fim há algum tipo de apreensão direta entre as pessoas, mas o pensamento ter chegado a seu fim no sentido de que não está dominado pela ideia do que esta pessoa fez antes, ou o que poderia fazer no futuro, senão uma apreensão direta de “o que é” nesse instante?

K: Agora, senhor, espere um momento. Minha mente — nossa mente, não vou dizer minha mente — a mente de você está falando, falando sem parar, lendo, todo o tempo tremendamente ativa a respeito de coisas triviais e grandes coisas. Estou perguntando se o pensamento tem seu lugar, por que deveria estar pensando no que seja? Entende minha pergunta? Por que deveria estar pensando sobre meu futuro, meu passado, ou sobre mim mesmo, por quê? Por que esta acumulação de conhecimento psicológica? Essa é realmente minha pergunta. O conhecimento físico, o conhecimento para atuar com destreza em algum campo, ali é necessário. Mas, é necessário o conhecimento interno?

W: Bem, me parece que o pensamento é parte de uma relação criativa, mas é só um componente em todo o assunto.

K: Sim, mas, o pensamento é amor?

W: Não, não é.

K: Portanto...

W: Mas me pergunto um pouco se o pensamento não entra algo no amor? Refiro-me a que está unido até certo ponto.

K: Não. Pergunto-me se o amor é pensamento.    

W: Não, certamente, não.

K: Portanto, é possível amar a outro sem o pensamento? Amar a alguém significa que não há pensamento. E se produz uma relação totalmente diferente, uma ação diferente.

W: Creio que pode haver uma grande quantidade de pensamento numa relação amorosa, mas o pensamento não é o primordial.

K: Não, quando há amor o pensamento pode ser usado, mas não o contrário.

W: Não ao inverso, sim. Um tem uma primazia sobre o outro. Considerando que o problema, o problema básico é que tende a ser ao contrário, somos como os computadores que estão sendo dirigidos por nossos programas... (longa pausa)... Creio que o que eu estava tratando de fazer a um minuto era que se você disse que somos nossas relações, eu estava tratando de incorporar o que disse sobre: pode o pensamento chegar a seu fim, na relação, e pensar que tipo de relação existe sem pensamento? Creio que era isso o que eu estava tratando de clarear.

K: Só há que ver o que ocorre sem pensamento. Tenho uma relação com meu irmão, ou minha esposa, e essa relação não se baseia no pensamento senão no fundo, profundamente no amor. E nesse amor, nesse sentimento, esse sentimento estranho, por que deveria pensar em absoluto?... (longa pausa)... O amor é compreensivo? E quando o pensamento entra nele é divisor, destrói a qualidade, sua beleza.

W: Mas é o amor compreensivo, não é onipresente e não compreensivo? Porque sustento que o amor não pode expressar-se adequadamente sem pensamento.

K: Compreensivo no sentido de integro. Quer dizer, o amor não é o oposto ao ódio.

W: Não.

K: Assim que em si mesmo não tem nenhum sentimento de dualidade.

W: Suponho que o amor é muito mais uma qualidade da relação, e uma qualidade do ser, que impregna.

K: Sim. Quando o pensamento entra nisso então me recordo de todas as coisas que ela disse, ou que ele fez, os problemas, as ansiedades, tudo isso se lança... (longa pausa)... Essa é uma de nossas grandes dificuldades, realmente não temos compreendido o sentido deste amor que não é possessivo, apego, ciúmes, ódio e tudo isso.

W: Não é ao amor uma espécie de grande conscientização de unidade?

K: O amor não tem consciência, é amor. Não é que seja consciente do amor e de que todos somos um. É como um perfume, é um perfume, não se pode direcionar o perfume, o analisar o perfume, é um perfume maravilhoso. E no momento em que o analisa o dissipará.  

W: Sim, mas creio que — de acordo com o que você disse que é um perfume, então é algo assim como uma qualidade, porém esta qualidade está associada com este sentido de unidade, não é certo, que este é um tipo de aspecto?

K: Mas você está lhe dando um significado.

W: Falo a respeito! Não estou tratando de precisar. Mas quero dizer, pode haver amor sem nenhuma consciência desta unidade?

K: É muito mais que isso.

W: Está bem, é mais que isso. Porém, pode existir ao menos esse sentimento de unidade que está aí?

K: Espere, espere um momento. Eu sou católico. E amo, sou compassivo. Pode haver compaixão, amor, quando existe esta profunda convicção arraigada, ideia, prejuízo? O amor deve existir com a liberdade — não a liberdade de fazer o que gosto, isso é uma idiotice. A liberdade de escolha e tudo isso não tem nenhum valor no que estamos falando, mas tem que haver uma total liberdade para amar.

W: Sim, bem, o que ia dizer é o que poderia dizer é um disparate, a Igreja Católica poderia ter um bom monte de amor, porém, tem limites em certas situações.

K: É claro, sim, é claro!

W: Mas é como seu ponto, se pode ter um ovo que é em parte ruim! Mas este sentimento de unidade é parte de todo o assunto, não?

K: Se temos amor há unidade.

W: Sim, está bem. Inevitavelmente. Isso me satisfaz. Estou de acordo com você em que tendo um sentimento de unidade não se acende o amor.

K: Não, não... Veja todas as religiões e as pessoas que são altamente religiosas, sempre tem convertido o amor e a devoção para um objeto em particular, ou uma ideia em particular, um símbolo. O amor não tem nenhum obstáculo. Esse é o ponto, senhor. Pode existir o amor quando o eu está? Claro que não!

W: Mas se você diz que o eu é uma imagem fixa, então o amor não pode existir com qualquer imagem fixa, com algo fixo, porque não tem limites.

K: Isso é correto, senhor.

W: Mas eu acho que em relação ao diálogo e um movimento entre duas mentes sem sentido de limite...

K: Ah!

W: e necessariamente fora do tempo, porque o tempo seria colocar um limite, então algo novo pode surgir.

K: Mas, podem duas mentes alguma vez se encontrarem? É como duas linhas de trem paralelas que nunca se encontram. É nossa relação com os demais, como ser humano, esposa e esposo, etc., é sempre paralelo, cada um perseguindo sua própria linha, e nunca se encontrando realmente, no sentido de verdadeiro amor pelo outro — o amor, incluso sem objeto.

W: Sim, bem, na prática, claro, sempre há certo grau de preparação porque...

K: Sim, isso é tudo o que estou dizendo.

W: Quero dizer que se a relação pode estar num nível diferente, então não há mais linhas separadas no espaço.

K: Claro, claro! Mas para chegar a esse nível parece quase impossível. Estou apegado a minha esposa. Eu digo que a amo. E ela se apega a mim. E isso é amor? Eu possuo-a, ela me possui, e gosto de ser possuído, etc, e todas as complicações da relação. E eu digo a ela, ou ela me diz: “Te amo”. E isso parece nos satisfazer. E me pergunto se isso é amor em absoluto.

W: Bem, faz com que a pessoa sinta consolo durante um tempo.

K: E conforto é amor? ... (longa pausa)...

W: Refiro-me a que é limitado e quando um dos cônjuges morre, o outro é miserável.

K: A solidão, as lágrimas, o sofrimento. Na realidade, deveríamos falar disto. Eu conheci um homem que para ele, o dinheiro era Deus. E tinha um montão de dinheiro. E quando estava morrendo queria olhar todas as coisas que possuía. E as possessões era ele. Morria das possessões externas, nas as possessões externas era ele mesmo. Não sei se estou... e ele não estava temeroso deste estado de chegar a seu fim, mas sim de perder isso. Não sei se estou transmitindo isto. Perder aquilo, não perder ele mesmo e encontrar algo novo. A morte não... — não devemos começar com a morte neste momento. Já chegaremos.

W: Bem, eu poderia fazer-lhe uma pergunta a respeito da morte? Que se passa com um homem que está morrendo e quer ver a todos as pessoas que tenha conhecido, a todos os seus amigos antes que morra, é isso um apego a estas relações?

K: Sim, isso é apego. Ele vai morrer e a morte é bastante solitária, é o clube mais exclusivo, a ação mais exclusiva. E nesse estado quero reunir-me — minha esposa, filhos, netos, porque sei que vou perdê-los todos e vou morrer, terminar. É uma coisa terrível. Outro dia vi a um homem que estava morrendo. E, senhor, nunca havia visto tanto medo em minha vida, na realidade, absolutamente temeroso de qualquer coisa que lhe termine. E eu disse: —o conhecia — lhe disse, “De que você tem medo?” Ele disse: “Tenho medo da separação de minha família, do dinheiro que tenho tido, das coisas que tenho feito. E isto, disse, “é minha família, os quero muito”. E tenho medo de perde-los.

W: Mas suponho que o homem pode querer ver a todos seus amigos e sua família para dizer...

K: Adeus muchachos. Esse é um assunto diferente. Nos reuniremos no outro lado!

W: É possível.

K: Eu conhecia a outro homem, senhor, é muito interessante, disse a sua família, o próximo ano, em janeiro, vou morrer em tal e tal data. E nessa data convidou a todos os seus amigos e sua família, disse: “Estou morrendo hoje”, e fez o testamento: “Por favor, deixam-me”. Todos eles foram saindo da residência, e ele morreu!

W: Sim, bem, se as relações com todas estas outras pessoas eram para ele e ia morrer, e ele gostaria de vê-los pela última vez, e agora se havia terminado — “estou morrendo, me morro”. Isso não é um apego.

K: Não, claro que não. E as consequências do apego é doloroso, ansioso, há certa sensação de angústia, de perder.

W: Insegurança constante, medo.

K: A insegurança e tudo o mais que se segue. E a isso eu chamo amor. Eu amor a minha esposa. E sei profundamente no interior, de todo o tormento deste apego, porém não posso soltá-lo.

W: Mas você toda via se sente com pena de que sua esposa esteja triste quando morra.

K: Oh, sim, isso é parte do jogo, parte de todo o assunto. E pronto se coloca em cima dele e se casa com outra pessoa, e continua o jogo.

W: Sim. Você poderia estar preocupado e temeroso da dor de outras pessoas.

K: Sim, senhor.

W: É de se supor que a aceitação da própria morte poderia reduzir sua dor.

K: Não. Está o sofrimento preso ao medo? Eu tenho medo da morte, tenho medo de acabar com minha carreira, com todas as coisas que tenho acumulado tanto física como internamente, tudo isso chega a seu fim. E o medo inventa então a reencarnação e todo o assunto. Então, pode realmente ser livre do medo da morte? O que significa, posso viver com a morte? Não interpretem mal isto. Eu não estou cometendo suicídio, senão, vivendo com ela, encantado com o final das coisas — o final de meu apego. Minha esposa toleraria se eu dissesse: “Terminou meu apego por você”?... Haveria angústia. Assim que estou questionando este conteúdo da consciência colocado ali pelo pensamento, e o pensamento predomina nossa vida, e digo a mim mesmo, o pensamento tem seu lugar, e só em seu lugar e não em outro. Por que deveria haver pensamento em minha relação com meu amigo, ou com minha esposa, ou alguma menina, por que deveria pensar nisso? Quando alguém diz: “Estou pensando em você”, soa um tanto tonto.

W: Bem, frequentemente tem que pensar nos demais, por razões práticas, claro.

K: Isso é outra coisa. Mas, estou dizendo, onde o amor está, por que existe o pensamento? O pensamento na relação é destrutivo. Há apego, possessão, se aferram um com o outro por consolo, por salvação, segurança, e tudo isso não é amor.

W: Não, mas como você disse o amor pode fazer uso do pensamento, e é ao que você chama atenção na relação.

K: Isso é outra coisa, sim, sim. Olhe: eu estou preso a você, estou apegado a minha esposa, ou meu marido, ou o que seja, ou a um móvel. Eu amo a minha esposa nesse apego, e as consequências disso são incalculavelmente danosas. E posso amar minha esposa, sem apego? O maravilhoso que é, amar a alguém sem querer nada de você.

W: Essa é uma grande liberdade.

K: Sim, senhor, assim que o amor é liberdade.

W: Mas, o que lhe parece se dizemos que se há amor entre esposo e esposa, logo, se um morre, parece estar dando a entender que o outro não teria dor. Creio que talvez é correto.

K: Creio que sim. Assim é, senhor.

W: Poderia transcender a dor.

K: A dor é pensamento. A dor é uma emoção, a dor é um choque, a dor é um sentimento de perda; o sentimento de perder a alguém e de repente encontrar-se a si mesmo completamente desolado e solitário.

W: Sim. Você se refere a um estado de solidão que é contrário a natureza, por assim dizê-lo?

K: Então, se eu pudesse entender a natureza de finalizar, terminar com algo todo o tempo — terminar minha ambição, colocando fim ao que seja, terminar com a dor, acabar com o medo, colocar fim à complexidade do desejo e termina-lo, o qual é a morte.
W: Sim, mas creio que os cristãos costumavam falar a respeito de que é necessário morrer todos os dias.

K: Isso é correto.

W: A mesma ideia.

K: necessário morrer cada dia para tudo que psicologicamente tenha reunido.

W: E todo o mundo está de acordo em que a morte é liberdade.

K: isso é verdadeira liberdade.

W: Não há dificuldade em apreciar isto. Quer dizer que você quer transpor essa liberdade suprema em toda a vida?

K: Sim, senhor. Senão somos escravos. Escravos da escolha, escravos de tudo.

W: Não donos do tempo senão escravos do tempo.

K: Escravos do tempo, sim.

W: Tenho estado interessado neste tema em particular da morte, já que meu pai estava morrendo e o observamos.

K: Pobre homem.

W: Creio que é um homem afortunado. Tem sido toda uma educação.
K: Uma vez me convidaram para uma casa onde o pai estava morrendo, e a família me pediu para que fosse vê-lo. Senhor, era incrível. Aferrou-se a vida como se... Aferrou-se a vida, com tanta ansiedade, com tanto temor; e ele estava morrendo; morreu no dia seguinte, aferrando-se a tudo que tinha.

W: E suponho que sua morte era uma espécie de... Resume de toda sua vida.

K: Toda sua vida, sim.

Será que de fato nada lhe é tão importante quanto a verdade

7 de abril de 2014

Falar pra que?


Toda reação tem uma consequência


A vida não está nem aí pros seus desejos umbigóides


A busca tem que ser observada


A mente impede a receptividade


A intuição me salvou da insanidade


Deixando a linguagem vir do coração


Perdendo o medo de errar


Toda reação tem uma consequência


Sobre as dores de parto da Consciência que somos


5 de abril de 2014

Da medicação à Meditação


Se eu quiser acabar com o eu tenho que lamber o chão

Vou falar um pouquinho aqui, trocar um pouquinho das percepções; são percepções que a gente não fica grudado nelas não, pode ser que se perceba algo diferente mas, por enquanto, até o presente momento, nesse agora, o que eu for dividir com vocês é o que estou vendo como fato. Eu não venho aqui trocar ilações, não venho trocar conjeturas com vocês, não venho trocar com vocês "e se", nada disso! O que venho tentar trocar com vocês, é do que tem sido observado, do que tem sido vivenciado, do que tem sido visto "aqui dentro do freguês", e o que também tem sido visto através do contato com outros confrades, com outras pessoas, não é? Com outros seres humanos aqui na vida dessa assim chamada "relação", que é uma relação muito, mais muito, muito superficial; extremamente superficial.

Tenho falado muito pra vocês, daquela música do Gilberto Gil, "Se eu quiser falar com Deus"; numa parte ele fala: "Se eu quiser falar com Deus, tenho que lamber o chão dos palácios suntuosos dos meus sonhos, tenho que me ver tristonho, tenho que me achar medonho, e apesar do mal tamanho, alegrar meu coração!" Isso é uma coisa que vejo ser um fato mesmo nesse processo: Se não estiver, realmente, totalmente prostrado, totalmente estirado ao chão; se não tiver chego à bancarrota, do movimento de identificação com o pensamento, e que através dessa identificação com o pensamento condicionado, viciado, ter feito um monte de loucura aí, realmente, e todos os setores da vida estarem totalmente afetados por essa "pensamentose", fica muito difícil de você "poder se achar medonho"... "Se achar medonho!", sabe?... Se achar completamente rendido! Se não chegou nesse ponto aí, você não se acha medonho;  você se acha ainda "o cara que sabe" o que é que precisa fazer, como é que tem que fazer, sabe tudo! Está numa "puta" de uma confusão dos infernos, mas ainda sabe como que as coisas têm que rolar; como é que o outro tem que falar com você; o que é que o outro tem pra falar pra você;  quando é que o outro tem que falar pra você; sabe? Sabe tudo! Sabichão, ainda!

Enquanto não chegou nesse estado em que você se vê medonho mesmo, não tem como, não tem como ter a abertura necessária pra poder escutar algo novo; pra poder escutar alguma coisa nova, que não venha através “da pessoa”, mas pode partir da pessoa, “por meio” da pessoa; uma inteligência  maior, algo maior, um insight maior pode vir através de um interlocutor — que não é o interlocutor! Porque, enquanto não se acha medonho, você acha que os outros é que são medonhos; o outro ainda é o medonho, entendeu?

Então, realmente, se não tem esse processo e o que torna muito difícil de chegar nesse processo é que tem sempre alguém pra, não hora em que você está quase caindo ali, está quase esticando no chão, tem sempre alguém, que acaba bancando o co-dependente, não é? E vai lá e dá uma "puxadinha" antes do fulano cair no chão; aí o fulano já levanta, e já acha que sabe como é que tem que ser a coisa; e aí continua... Não tem espaço pra essa dor fundamental'; não tem espaço pra essa crucificação; não tem!

A gente vem aqui falando pra vocês — e a gente tem que ir falando bem devagarzinho aqui, não é? —; a gente tem que ir falando no ritmo do grupo;  a gente vem falando desde o início, dando uns "toquezinhos": isso aqui não é "melzinho na chupeta"... Isso aqui é uma doença de determinação fatal, que pode levar a pessoa à loucura ou a morte prematura, sem nenhum aviso prévio! Foi muito bem falado aqui!... Você não sabe como é que o pensamento vai atacar;  você não sabe o poder real desse pensamento condicionado; você não sabe com que carga que ele vem, com que falas que ele vem;  que defunto que ele vai levantar lá da tumba da memória!... Você não sabe! Não é? Você não sabe como é que vão ser os "Walking Deads"...

A grande maioria aqui não faz ideia, do que é realmente essa "pensamentose"; o que é um ataque ligeiro,  sem aviso,  desses "zumbis"!... São verdadeiros zumbis! Vocês estão achando que "neguinho" mata por quê?  Vocês estão achando que "neguinho" se suicida por quê?  Por que "neguinho", com 20 anos de recuperação em algum determinado padrão de comportamento,  faz uso de tudo que não usou em "vinte anos limpo" e, em cinco minutos, dez minutos,  se tranca dentro de um lugar aí, e quer "esquecer o mundo"?... Porque, quando a coisa "bate forte na cabeça"... Se não estiver atento, se não estiver observando, não é?...

Então assim: a coisa é muito séria mesmo, muito, muito, muito séria, e a grande maioria não tem a percepção disso não! E pra poder perceber e entender mesmo isso aqui, realmente, tem que estar prostrado mesmo! Tem que estar totalmente desencantado com os castelos suntuosos... Suntuosos do meu sonho!...

O "Camus" não estava falando aí como é suntuoso "o cabeção"? Coloca a gente no meio de um estádio, ensinando o cara do "Metállica", como é que se toca uma guitarra!... Olha o cara do "Metállica", olhando pra você, ali: "Nossa! Como esse cara toca!"... Esse é o cabeção, não é? Sempre fazendo castelos suntuosos, não é? Ele está sempre numa situação de destaque! Então é muito louco isso daí, mesmo!

E se não tiver esse estado de total humildade mesmo, de total rendição mesmo; se ainda tiver achando que é o sabichão, que já entendeu, que já sacou... Cara! É "dois palitos" pra ele (o pensamento) se apoderar;  se apoderar e fazer loucuras, que acabam afetando sua vida e a vida daqueles menos precavidos que estão a seu lado. Não é? E aí, você sai por aí, com essa "pensamentose", adulterando a vida de todos que vão passando na sua frente, que vão esbarrando em você... É como no filme “Possuídos”, com o ator Denzel Washington... É um furacão de desgraça!... Identificado com a mente obsessiva, compulsiva, condicionada,  você é um furacão de desgraça! Um furacão de adulteração! É um furacão de percepções totalmente desconexas do que diz respeito a realidade!

Então aí, não tem como se abrir pra "algo"; não tem como ocorrer "algo"; não tem como ocorrer a manifestação de "algo" aí, que possa trazer essa "amostra grátis", que tem sido falada aqui, já por alguns dos confrades. Porque também, se não tiver isso, se não há essa ocorrência, essa pequena "experiência da mente não condicionada"... Tudo fica também sendo um novo condicionamento; mesmo essa informação aqui, mesmo essa troca de ideia, passa a ser mais alguma coisa dessa mente adquirida, adquirindo, agora, uma nova língua; só uma nova língua! Só um novo conjunto de palavras, que não acessam, que não tocam, que não fazem "acender esse coração”... Não faz acender o coração! Ao contrário: faz novamente acender o intelecto sagaz; e, ao acender novamente o intelecto sagaz e acende também a competição, a disputa, a comparação, a retaliação, o julgamento... Tudo! Todo esse pacote que a gente sabe no que dá; e que quanto mais aceso fica o intelecto, mais o fogo vai se alastrando, até que chega uma hora que não tem como apagar o incêndio... E é vítima pra tudo quanto é lado!... É vítima pra tudo quanto é lado!

Então, isso aqui, realmente não é brincadeira! Não é um passatempo, um local de distração, de diversão!  Sabe? A gente pensa que... Olha só, a gente "pensa" que compreendeu o que é essa questão do pensamento... Nós pensamos que, mesmo com isso aqui... Vocês todos aqui nesta sala, sabem muito bem, o que é, mesmo com este material, mesmo com esses apontamentos, o que é o ataque da mente! Quando ela vem, quando era lhe pega, e mesmo com todo esse material ali, você fica aí e até perceber,  até chegar mesmo nessa "percepção visceral" quanto à impotência perante ao fluxo dessa mente adquirida, desse pensamento condicionado; enquanto não tem esse "estado de rendição total": "Eu me rendo mesmo!...Eu me rendo!"...

Não há como brigar contra a mente! Não há como brigar contra esse fundo psicológico que se manifesta com aquilo que quer, com as vozes que quer, com as mensagens, com as projeções, com as lembranças que quer, na intensidade que quer, na hora que quer e nos lugares, geralmente, menos esperados e menos adequados; você se vê totalmente prostrado aí. Se não ocorre isso, fica muito difícil de compreender o que esses caras estão tentando, ou tentaram passar através desse paradigma! Estou falando isso, gente, porque, quem responde os e-mails aqui do grupo, sou eu e a "Deca"; então a gente acaba fazendo a maioria dos contatos; alguns a gente acaba passando pra vocês, mas é impressionante de perceber como que a mente, ela não se rende! A gente fica vendo esses confrades que vão chegando, que vão entrando em contato com a gente,  como rapidamente, muito, muito, muito, muito rápido... a sagacidade da mente é incrível! A sagacidade dessa mente adquirida, desse intelecto, da lógica e da razão é algo espantoso... Espantoso! Ele tem o poder de se levantar, quando está quase caindo, com qualquer material que se manifesta. E com este material também... Ele consegue também fazer uso deste material aqui, e entrar num outro jogo, numa outra disputa, agora com este tipo de material; e assim ele aborta essa queda, essa "queda fundamental"!... Precisa ocorrer essa queda; precisa ocorrer essa queda, essa rendição perante o pensamento, perante a mente... Perante a mente; porque se não tiver isso, fica muito difícil de ouvir alguma coisa, e se não conseguir ouvir alguma coisa, não vai nem ter condição de "ouvir a si mesmo"; não vai ter condição de desenvolver esse estado de escuta atenta, sem o qual, não vai ter condições de ter essa escuta atenta "de si mesmo", na hora que ocorrerem os inevitáveis ataques da mente. Porque a mente não vai deixar barato; ela não vai deixar barato!

E se vocês forem pegar na história humana; se vocês forem pegar a história de todos esses homens que conseguiram isso que eles chamam da "vinda do Espírito Santo", "Samadhi", "Iluminação", "Insight Criativo", "Contato com o Inefável"... Sei lá! Coloca o nome que você achar mais legal aí pra você! Vocês vão ver que, todos esses caras, tiveram que aprender a fazer esse estado de escuta atenta; eles tiveram que chegar num "estado de prontificação"; de estar prontos pra poderem falar: "Agora vou sentar comigo, custe o que custar; vou sumir de perto, vou evitar qualquer tipo de influência externa, e vou olhar toda essa confusão; vou sentar aqui embaixo dessa árvore, e vou ver o que vai rolar!... Ou eu fico doido, ou encontro uma 'loucura que tudo cura!'" Então, se não houver essa capacidade de escuta; se não desenvolver essa humildade... "desenvolver" não é a palavra!... Não é a palavra! Se não "ocorrer" esse estado de rendição, que leva ao estado de humildade, de um espaço pra ouvir aquilo que a "Grande Vida" vai apresentar através de sei lá que instrumento: seja humano, seja um livro, seja uma música... Sei lá!... Fica muito, muito difícil de começar esse processo!

Por isso que a gente fala muito aqui: essa sala, ela é um tubo de ensaio... Essa sala é um tubo de ensaio! Essa importância da escuta atenta; essa capacidade de foco, de manter o foco... Que é outra coisa que a mente adquirida, não consegue: manter o foco! Ela só mantém o foco se está lhe agradando um pouquinho; se não estão lhe agradando, ela já se desfoca rapidamente; ela já se distrai facilmente.

Então se aqui, dentro de uma sala dessas, nós não conseguimos manter o foco, não conseguimos manter essa tão necessária escuta atenta, é óbvio que na vida de relação conosco mesmo, fica impossível... Em dois ou três minutos você já não consegue mais estar observando! Uma coceira no dedinho lhe tira a atenção; um latido do cachorro; o telefone que toca... Perde-se o foco!... Perde-se o foco, e a nunca chegamos nesse estado de um "real encontro consigo mesmo"; não conseguimos chegar numa percepção visceral do nosso conflito, daquilo que está nos conflitando. Quantos de vocês aí, já se perceberam, inclusive, sentando pra ler alguma coisa, ao chegarem ao final da página, não percebem que não leram nada do que estava naquela página? Leram a página inteirinha e exclamam: "Volta, vou ler novamente!"... Quando chegam ao final da página, de novo, nada leram! Por quê? Porque não tem ainda esse exercício de escuta interna, de atenção, de foco, que não tem nada a ver com concentração! Que é esse estado que permite uma relação com algo. Percebem?

Gente: eu volto a falar, não é? Olhem isso com bastante carinho! Olhem isso com bastante propriedade! Olhem bem, mesmo! Olhem pra manifestação da pensamentose crônica descentralizante, aí na sociedade; olhes em vocês, também aí! Olhem bem quando ocorrem essas “saídas do ser”... Vejam bem a potência disso!... A força disso!... O quanto que esse pensamento compulsivo, condicionado, o poder que ele tem de se desfocar; de ser influenciado; de perder o centro; de perder o ritmo; de perder o "Sopro". Essa coisa, de perceber, quanto que é realmente importante, é fundamental, esse estado de realmente fazer frente, de maneira limpa, sem nenhum tipo de fuga, sentar consigo mesmo, sentar com esse conflito, sentar com você. Inclusive, convido vocês para fazerem um teste bem simples: "Vou sentar comigo sem fazer nada!"... Vejam lá, quantos minutos vocês aguentam... Vejam como em poucos minutos o que a mente já vai começar a falar; como ela já vai começar a colocar que vocês estão perdendo tempo, que estão perdendo a vida, que estão fazendo algo errado em querer ficar sem fazer absolutamente nada... O corpo vai começar a se mexer, os nervos vão começar a se estirar... Percebam isso! Olhem isso aí; vejam isso aí... A força que tem esse pensamento condicionado; ele faz uso de tudo! De tudo! Inclusive, ele cria toda essa disfunção no corpo aí; toda essa disritmia aí, pra que vocês não consigam ficar focados; ele faz uso inclusive do próprio organismo nosso, pra que através do próprio organismo, a gente se desfoque... Então ele cria a sede, cria a fome, cria a vontade de urinar... Não acreditem no que estou falando não! Deem uma olhada aí, façam o teste com vocês: "Vou ficar comigo, aqui  e agora, numa boa... não vou fazer nada"... E preste atenção no que ocorre... Preste atenção no que ocorre!

Então, percebam: se mesmo consciente já é difícil, imaginem quando, durante o dia, no meio das nossas atividades mecânicas, perdemos o foco desse pensamento... Então é mais ou menos por aí gente... Vamos que vamos!

Um beijo coração de vocês aí e um chute bem forte nas canelas... E "vamos que vamos!" 

Outsider



3 de abril de 2014

No abraço do vazio encontra se a vivência da graça


A mente social adquirida é muito pequenina

O que acontecerá se eu não me ajustar à sociedade?

Estamos aqui com esse tema: "O que acontecerá se eu não me ajustar à sociedade?"... Então, estou vendo vários confrades, naquelas dores iniciais da desabituação com os condicionamentos sociais. Vocês sabem qual é o "melô" do confrade que está tentando sair da sociedade? Quando fica se lembrando da sociedade? Olha só:

"Não é fácil não pensar em você,
não é fácil, é estranho
não te contar meus planos,
não te encontrar...
na verdade eu preciso aprender...
não é fácil,
não é fácil!".
[...]
Acho que eu seria mais felizes
do que qualquer mortal"

... Seu eu voltasse pra sociedade!... Olha o que o "cabeção" faz! Não é fácil não pensar nas coisas da sociedade, não pensar nos prazeres, não é? Não ter aquele monte de memória eufórica, aquelas "nuvens cor de rosa"... Nessas horas em que batem essas angústias, em que batem essas ideias, em que você começa a sentir pela primeira vez que você realmente é solitário; porque antes era um agrupado de solitários, sem que percebessem que eram solitários; porque tinha tanta droga, tanto anestésico que a gente nem percebe, não é? Mas quando começa a bater essas coisas e a gente vai ficando meio "down", a mente só lembra das coisas eufórica, ela não traz para você, aquelas situações em que você estava no meio da sociedade achando tudo "um saco!" Sabe? Em que você estava querendo gritar para todo mundo: “Mas será que vocês não têm outra coisa para falar? Vocês vão contar mesmas estórias, as mesmas piadas? Vão olhar as mesmas fotos que já vimos antes? Vão ser as mesmas músicas, as mesmas festas?"... Sabem? Vocês não tiveram isso? Aí a gente tem que meter aquele sorriso amarelo, fazer um esforço violento e ficar disfarçando, olhando no relógio, pra ver que horas que vai terminar o encontro, que horas que dá pra sair, esperando alguém levantar para, juntos, sair rapidinho; não ser o primeiro a quebrar o protocolo. Isso quando você não é o anfitrião da casa, quando você convida todo o mundo pra vir à sua casa, para quebrar sua solidão e aí, quando eles chegam, você diz pra si mesmo: "O que é que eu fiz?... Ainda é meio-dia e o pessoal só vai sair daqui lá paras às oito horas da noite!... Como aguentarei isso?”... E dá-lhe cachaça! Não é mesmo?... Dá-lhe cerveja!... Dá-lhe churrasco!... Dá-lhe sobremesa!... Põe alguma coisa em cima da mesa, porque, de genuína intimidade, não rola nada, não é?

Então, a mente adquirida, ela não se lembra de nada disso! Ela não se lembra dessas roubadas! O pessoal não bebe porque gosta de beber, mas, para aguentar! Tem que dar uma narcotizada; senão, não dá, não é? Então a mente, ela não se lembra de nada disso quando está tentando sair da sociedade... Só se lembra da memória eufórica! Ela não se lembra das coisas que vinham depois de se entregar pra memória eufórica! Sabe? Aquelas que ecoavam assim: “O que é que estou fazendo aqui? Quem que é essa fulana aqui ao meu lado? Não sei nem seu nome! Espera aí!” Não é nada disso, não é? Ou então aquelas coisas do tipo: você fica louco pra comprar; sofre pra caramba! Quando você sai com o "carnezinho" na mão ou quando chega a fatura em casa é que caí a ficha: "O que é que eu fiz?" Não é mesmo? "O que é que eu fiz?"... O sistema aboliu as algemas de ferro, mas incorporou, agora, as algemas com chip; as algemas agora são todas com chip eletrônico... Um chipzinho com os protocolos e agora é tudo por e-mail... Sua penas — as faturas — agora chegam à você por e-mail. Só que a mente adquirida não percebe nada disso!

Mas é interessante o seguinte: esse paradigma aqui, vocês já ouviram aquele ditado...

"Este paradigma
em testa dura,
tanto o bate
que desestrutura"...

É um paradigma que bate nessa testa dura, bate, bate, bate, até que desestrutura, não é? E aí, conforme desestruturou, é como vaso de porcelana, não é? Quebrou, não adianta querer colar! Não tem mais jeito! Não dá, não é? Pode colar, mas qualquer esbarrãozinho que tiver, quebra de novo! Não dá mais! Quebrou a liga! Tem vários filmes aí que vão mostrando isso; a gente aqui nessa confraria, a gente fala e faz muito uso dos filmes também. A partir do momento que você viu, não tem como voltar! Assistiram "O Show de Truman"?... Na hora que se percebe o show, esquece! Não tem mais como! Não tem! Não é?... Matrix, Revolver... É como Einstein dizia: “Quando uma mente se abre pra uma ideia, nunca mais volta ser do mesmo tamanho; não volta mais a ser a mesma!”... O filme "A Origem"... Como é que começa o filme?... "Uma ideia! Nada é mais perigoso do que uma ideia!”... Quando uma ideia... Não tem nada pior do que uma ideia! Quando ela se instala... Agora, quando se trata da Verdade, aí sim que o negócio fica difícil! Não é? A ideia — que é condicionamento, que é pensamento psicológico —, pra tirar é bem difícil; é muito difícil mesmo; pra arrancar essa ideia, não é "melzinho na chupeta"! Agora, quando bate a Verdade, quando se vê a Verdade mesmo, o negócio cai, cai e cai por completo; não fica nada mesmo! E não tem como compactuar! Se você vê a Verdade, e tenta burla-la, ela te mata, não é? Lá nos "grupos anônimos",  principalmente no A/A, eles costumam a falar mais ou menos assim: "Quem ouviu a mensagem — quem ouviu mesmo —, quem escuto mesmo,  visceralmente, que deixou entrar,
que deixou a mensagem ir lá no fundo, esse pode até ir embora, pode não voltar mais, no entanto, nunca mais voltará a beber sossegado!"... Nunca mais! E isto também é verdade no que diz respeito a este paradigma! Quando você percebeu mesmo; se ficar um tempinho exposto aqui, a esta troca de figurinhas sem colar, não tem mais como!... É por isso que a maioria vai embora! Porque assim: esse paradigma aqui, você vai lendo sem perceber que ele vai batendo por baixo; ele vai minando por baixo, sem você perceber!... Ele não vai fazendo estrago em cima não! Ele vai minando todas as velhas bases adquiridas; daqui a pouco, quando menos se espera, toda estrutura vem ao chão! Na hora que cai, todo mundo fica desesperado... Porque essa mente adquirida é viciada em segurança; ela quer estar segurando em alguma coisa.  Então, como estratégia defensiva, a mente adquirida começa a tentar minar, a quebrar tudo. E têm vários confrades que não aguentam; — não aguentam ser verdadeiros consigo mesmo — não é com o outro!... Não aguentam ser verdadeiros consigo mesmo! Não aguenta reparar nas suas desconfortantes zonas de conforto! Mas é isso: não é nada fácil mesmo; sabemos que não é fácil, pois já passamos por isso na pele.

Essa aqui é a trilha menos percorrida, sair desses condicionamentos sociais, isso aí não é fácil! Tudo que está atrelado ao sistema, acaba por dificultar, por criar resistência. Porque foram tantos anos, foram tantas décadas, e se desidentificar não é fácil! Por isso que a gente vem falando através dos áudios; subimos um, esta semana, que retrata a importância do colapsar: enquanto não tem esse colapsar aí, fica muito difícil de querer assumir mesmo a busca da verdade, não é? Só a verdade mesmo! Só a verdade, apenas a verdade! A grande maioria não consegue ficar; não ficam nessa sala aqui, não ficam com esse paradigma, porque ele arrancando tudo, ele não dá nada! Vai arrancado tudo e o medo vem, não é? O medo de abrir mão das zonas de conforto, profundamente desconfortantes, profundamente estagnantes, faz com que muitos saiam correndo! Faz com que se consiga uma meia-desculpa para sair correndo, criando intrigas, falando mal do paradigma, falando mal de tudo... Transformando esse grupo, essa confraria aqui em inimigos externos... A mente adquirida precisa criar isso! É uma de suas nefastas habilidades, com a qual se escuda pra não correr o risco de se deparar com sua irreal realidade; é por isso que ela está sempre em busca de "inimigos externos"; ela cria um inimigo externo pra depois criar uma justificativa para, de algum modo, buscar por engajamento numa forma qualquer de militância. Esse é um dos padrões dessa mente adquirida, dessa mente social adquirida: a fuga de si mesmo através do engajamento numa forma de militância. Então, têm um monte de militância:  a militância política, a militância vegana, a militância das sociedades protetoras dos animais, a militância contra a Nova Ordem Mundial... Tudo isso para estar ocupada e não ter tempo para perceber sua própria desordem com a qual alimenta a milenar desordem social. Têm um monte de forma de escapismo, socialmente aceito e incentivado; tudo muito bacana... Mas apenas, bacaninha! Bacaninha porque nos distraí da “única coisa necessária"... A única coisa necessária! Que é achar essa "cara que eu tinha... Essa cara que eu tinha, antes de que se passarem esses anos aí,  e eu ficar deste tamanho!", como foi muito bem cantado na música de Arnaldo Antunes e do Nando Reis, a qual ouvimos hoje...

Encontrar essa cara que tínhamos, antes desses condicionamentos sociais aí, alterarem nosso "Sopro", alterarem nosso "Ritmo", criarem essa disritmia do Ser que somos e que a tudo contamina, que a tudo adultera! É isso é "a única coisa!" É "a única coisa"; não adianta! Sem encontrar isso, sem retomar esse "Sopro", sem retomar esse ritmo natural, sem retomar esse contato consciente com a "Consciência que somos", como que — em estado dormente, inconsciente — é possível se fazer algo que realmente seja benéfico, aí na sociedade? Diz pra mim!  É só conflito por onde você for! É bacaninha só nas primeiras páginas, não é? Até ter a primeira riscadinha no ego... Aí, daqui a pouco, já se arruma outro inimigo externo, lá mesmo no lugar da recente militância. Por isso que os partidos políticos têm o nome de "Partido"... Se fosse bom não era partido, era inteiro! Mas é tudo partido, porque a própria base já é partida, não é? Está tudo aí pra gente ver, só que a gente está com os olhos fechados, não é? É aquela cena do "Matrix", em que o "Neo" está deitado na cama, e se vira para o "Morpheus" e diz: "Por que a minha vista está doendo?" E Morpheus lhe responde com muita propriedade de visão: "Porque você nunca as usou antes!"... Nunca os usou antes! Em nossa arrogante rebeldia adolescente, pensávamos que estávamos vendo alguma coisa! Então, não é fácil mesmo, abrir os olhos! Não é fácil se deparar com todas as nossas relações e perceber o grande investimento furado que fizemos durante anos... Não é fácil fazer reparações diretas dos danos causados devido essa inconsequente e inconsciente identificação ilusória com o pensamento psicológico social; com todas suas exigências descabidas, tanto de si, como dos demais. Não é fácil!... Só mesmo homem e mulher de "saco roxo"! Só quem realmente "colapsou"; quem já não tem mais escolha. Quem ainda tem escolha, quem ainda está se achando no direito de escolher a cor da boia,  ainda não está se afogando, não é mesmo? Ainda não colapsou! Então, terá que ir lá pra fora, fazer mais um cursinho de pós-graduação de "pensamentose crônica"; torcer para não arrumar uma neurose crônica, uma psicose, uma esclerose, sei lá outra "Ose"! qualquer! Quem sabe, se der tempo, consiga olhar para o que esses poetas estão falando; têm um monte de poeta que tentam deixar aí pelo caminho menos percorrido, alguns de seus toques!

Vá pegar a única coisa necessária! Vá descobrir quem é você! Você não é esse monte de falas aí do seu pai, da sua mãe, dos seus professores, dos seus amigos, dos seus casos, não é? Das suas conquistas, das suas derrotas...  Nada disso, não é? Não, você não é esse pacotinho todo aí! Não é nada disso!... Vai lá dar uma olhada no que realmente é! Se der tempo, volta, não é? Não é pra aqui! Volta pra isso que você é, volta pra essa realidade aí; volta pra essa realidade! Caso contrário, será que nem cantava Elis Regina:

"Você pensa que é diferente,
mas no fundo, você é igual aos seus pais!"...
Vai acabar sendo mais um adulto,  adulterado, adulterando a realidade dos que estão os olhos mais fechadinhos do que você!

Outsider

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