Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...
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19 de fevereiro de 2011

The Outsiders - REM



R.E.M.
The Outsiders
Os Estranhos

Você me levou ao restaurante onde nos conhecemos
Você bateu com um pé-de-cabra moderno na minha cabeça
Eu fiquei com o barulho na cabeça do tic, tac,tic,tac do relógio
Quando você me disse o que você sabia
Perdido por um momento, o dia que a música parou
E eu me lembro de você

Chorus:

DESARRUMANDO A TOALHA DE MESA COM UMA ROLHA FAZENDO DESENHOS
PROMETENDO UMA ERUPCÃO VULCANICA
ONDE ISSO VAI NOS LEVAR? EU ESTOU COM MEDO DESSA TEMPESTADE
OS ESTRANHOS ESTÃO SE REUNINDO, UM NOVO DIA ESTÁ NASCENDO

Eu tentei te dizer eu não estou com medo
Você olhou pra cima e viu tudo através do meu rosto
Então eu estou com você ou estou contra?
Eu não acho que isto é fácil, estamos perdidos em desgosto
Agora estou tentando relembrar o sentimento quando a música parou
Quando você me disse o que você sabia
Perdido por um momento, o dia que a música parou
E eu me lembro de você

CHORUS 2x

OS ESTRANHOS ESTÃO SE REUNINDO,
UM NOVO DIA ESTÁ NASCENDO.
OS ESTRANHOS ESTÃO SE REUNINDO

Um homem anda por aí, quando cada músculo diz para parar
Quantos dias de ontem? Cada um deles tão pesados
Quem disse que as mudanças podem vir, quem disse que nós chamamos por nosso lar
Eu sei que você vê bem através de mim, minha luminosidade se apaga
O anoitecer traz um antídoto, Eu não estou com medo
Eu tive um milhão de vezes, na minha mente, e isso é apenas um detalhe técnico
Fragilidade, realidade

Oh, é hora de respirar. Hora de acreditar. Deixe ele ir correndo rumo ao mar
Eles não ensinam isto, Eles não entendem o que você quer dizer
Eles não compreendem, Eles não entendem o que você quer dizer
Eles não manjam, eu quero gritar
Eu quero respirar de novo . eu quero sonhar
Eu quero citar palavras de Martin Luther King
Eu não estou com medo,eu não estou com medo. Eu não estou com medo
EU NÃO ESTOU COM MEDO, EU NÃO ESTOU COM MEDO, EU NÃO ESTOU COM MEDO, EU NÃO ESTOU COM MEDO...

22 de novembro de 2011

Você conhece a paz?

pombos
Há alguns dias, numa comunidade do Facebook criada para o compartilhar de textos de Jiddu Krishnamurti, postei um de seus textos que versava sobre a paz, cujo conteúdo publico abaixo:

"...E cada um de nós necessita de paz. Isto é, necessitamos paz, no sentido de termos imenso espaço interior, espaço sem limites. Paz significa espaço no qual nenhum centro existe para criar limites. Isso é muito difícil de investigar e de compreender. A paz é um estado de espírito que não dá fronteiras ao espaço. E, para compreendermos a paz, teremos de compreender o que é o prazer, porquanto é o prazer que cria a imagem, o centro que projeta um espaço limitado e traduz os valores de cada ato. Peço-voz observeis a vós mesmos, para verdes vossas próprias maneiras de pensar e de sentir, conscientes e inconscientes, os valores pro vós mesmos criados." Krishnamurti - (extraído da Net fonte não citada)

Sete horas após a postagem deste, recebo um comentário com a seguinte questão:

— ‎Nelson Jonas, Você conhece isto que Krishnamurti está falando ?


Com base nas diversas experiências que tenho referentes a participação em comunidades criadas nas redes sociais, senti o receio de que, talvez, este poderia ser mais um daqueles comentários cujo espírito que o move se baseia na egocêntrica competição de conhecimento intelectual/espiritual, ou em testes de "iluminômetro", tão comuns, seja na "sociedade  presencial" ou nestas redes sociais on-line. Isso é muito natural de ocorrer, pois, se na vida real isto sempre ocorre, que dirá onde podemos proteger nossa personalidade repleta de mazelas ocultas atrás desta tela de cristal liquido comprada em suaves prestações? Bem, não vem ao caso aqui, se quem publicou tal questionamento se enquadra ou não neste tipo de postura imatura, postura esta da qual já fiz parte ferrenha e que, se não me observo sou tentado a nela recair. O que vem ao caso, foi o que essa pergunta causou em meu interior...

Olhando com bastante seriedade, a resposta a que chego é: "Sim" e "Não". Apesar da profunda dificuldade de expor isso através da limitação das palavras, começarei postulando a respeito do bem-aventurado "Sim", tendo como base o fato de que, a grande maioria dos seres humanos, em determinado momento de sua existência já saborearam aquilo que convencionei chamar de "pequena amostra grátis de Deus"...

Todos nós já vivenciamos aquele estado de ser que não pode ser captado pela palavra, pelo pensamento, aquele estado de ser que apesar de ficar registrado em cada uma de nossas células, somos incapazes de reproduzi-lo através de nossa limitada vontade. Todos sabemos o que representa aquele estado de ausência de movimento mental, aquele estado onde nenhuma forma de conflito se faz presente, onde um profundo sentimento de integridade e integração amorosa, de doação incondicionada e de silêncio, se faz presente. Aquele estado em que não existe mais um "você" e a natureza, um "você" e o "outro", onde todo sentimento de  separatividade, sem a ação de nossa vontade, de forma incausada, deixa de existir. Creio que todo aquele que já vivenciou esta bem-aventurança, através destas poucas palavras, sentirá aquilo que com elas tentei verbalizar. Todos que vivemos esta "boa-aventura" sabemos que, a partir dela, nunca mais somos os mesmos... Ela se vai mas, algo fica: uma nova consciência de um estado de Consciência infinitamente superior, nunca antes vivenciado. Nessa experiência, todo nosso acumulo de experiências passadas, toda nossa visão de mundo, toda nossa visão da vida de relação é literalmente jogado fora e nos vemos instantaneamente arremessados num novo paradigma, num paradigma que traz consigo o que podemos chamar de "ponto zero", ponto este que torna nossos antigos valores uma nulidade. Todos sabemos bem o que significa o ingresso nesse ponto zero... Confusão. Tudo que antes tinha graça, agora, depois do experimento da verdadeira Graça, passa a ser visto como algo sem graça, o que, na visão de muitos ao nosso redor, é tido como uma espécie de desgraça. As antigas autoridades, convenções e escala de valores passam a ser vistos como condicionamentos enclausurantes, que servem tão somente para nos privar da liberdade de movimento e expressão e para nos impelir à conformação, à formatação da domesticação servil. Esta bem-aventurança, esta "amostra gratuita da paz de Deus", aos olhos dos outros que se encontram devidamente ajustados ao sistema criado pela astuciosa rede do pensamento, faz de nós membros rotulados como rebeldes, entre outros tantos rótulos, isso quando não nos torna pessoas "não gratas", pessoas de idéias perigosas das quais seus filhos e mentes devem ser mantidos afastados. Todos sabemos que este ponto zero, que este portal, que este paradigma que se apresenta mediante a manifestação desse incausado estado de profunda paz, faz de nós "passageiros", "estrangeiros numa terra estranha",  aquilo que Colin Wilson retratou de forma brilhante em seu livro cujo título é "Outsider - O Drama Moderno da Alienação e da Criação". Como este texto não tem por fim a idealização de um tratado, creio que a sustentação da resposta "Sim", já foi devidamente explanada.

Agora, caminhemos em direção a resposta "Não", com relação ao conhecimento do estado de paz profunda na qual se refere Jiddu Krishnamurti em seu texto... Apesar de sabermos bem o significado desta profunda mutação em nosso estado de ser, produto direto da ação desta "bem-aventurança", todos sabemos o que significa a profunda frustração mediante a total impotência de reproduzi-la mediante a nossa limitada vontade. Todos sabemos, como nas palavras de nosso  amigo Nabil Chaar, em seu blog http://abordagemassimetrica.blogspot.com, o que significam essas "entradas e saídas do Ser" que somos. Todos sabemos o que significa a nossa impotência diante da estabilização desse estado de paz na qual desaparecem todas as formas de "controvérsias públicas", onde desaparecem todas as necessidades de doações psicológicas de fora, onde desaparece toda forma de fragmentação, toda forma de visão dual por nossa parte. Creio que todos nós sabemos muito bem o que significa essa falta de unicidade, caso contrário, por que dedicaríamos tanto tempo e energia em comunidades que colecionam artigos cujo maior esforço e experiência se traduzem no simples e acelerado apertar das teclas Ctrl A, Ctrl C e Ctrl V? Por que dedicaríamos tanto tempo ao estudo das obras deixadas por homens e mulheres que em seus escritos nos levantam a suspeita de que alcançaram o sucesso por nós, outsiders, tão almejado? (Por favor não se prenda na palavra outsiders)... Bem, acho que, no tocante a negativa do conhecimento de um estado estabilizado de paz, podemos encerrar por aqui.

Para uma pergunta com tal conteúdo, não caberia de forma alguma, uma resposta levianamente reacionária. Não sei se o questionador foi motivado por um amoroso espírito convidativo para a reflexão. Se o fez, com certeza, ao término da leitura desta resposta, saberá que foi feliz em seu intento. Espero que, do mesmo modo, minha reflexão seja tão nutritiva, como para mim o foi seu questionamento. E em meio disso, em silêncio, aqui ficamos, como nos dizeres mecanicamente repetidos por alguns cristãos: aguardando a vinda do "Cristo" Salvador, a vinda da paz que transcende todo entendimento...

Um fraterabraço,

Nelson Jonas Ramos de Oliveira

22 de março de 2011

O Outsider e suas características

O novo rebelde


CARACTERÍSTICAS DO OUTSIDER
1 – DA DEFINIÇÃO
Segundo o dicionário Aurélio:

outsider
[QwtÈsajd«Õ] [Ingl.] 
Substantivo masculino. 
1. Turfe Cavalo que tem o mínimo de possibilidades de vencer. 
2. Fut. Lance em que a bola vai fora do campo. 
3. Mar. Merc. Navio mercante que não se atém aos acordos estabelecidos nas conferências de frete.
Em termos práticos, Outsider pode ser visto como aquele que não se enquadra, que não faz questão de fazer parte de nenhum grupo determinado, alguém que vive a parte da sociedade, alguém que de fora observa um determinado grupo; alguém dotado de um estivo de vida independente e alternativo. Um estrangeiro, um forasteiro, um peregrino, um homem fora do lugar, um anônimo.
                                                                                  *
*   *
2 - DA VOLUNTÁRIA DISSIDENCIA SOCIAL
A dissidência como “outsider” dá-se quando a pessoa começa a se irritar diante da constatação de que não é livre. Enquanto a pessoa for um ser humano comum, nascido uma só vez, ela não é livre, mas não tem consciência disso. Essa falta de consciência a deixa momentaneamente livre da irrealidade que é sua vida. Isso não quer dizer que sua ignorância não faça diferença; faz. O Outsider, voluntária e abertamente se recusa a aceitar o ambiente, com sua mecanicidade e atual virtualidade. É sempre alguém que não se deixa contagiar pelo absurdo entusiasmo geral. Possui uma profunda resistência a integração na cultura globalizada, imunização a influência da moda, mídia e economia. Assume uma condição dissidente diante de uma sociedade de desenfreado consumo. Abre mão do modo de vida burguês com todas as suas futilidades e relações destituídas de verdadeira intimidade, que para ele, não passa de uma verdadeira piada. Não tem em conta convenções familiares, onde quase sempre, por sentir-se inadequado nesses contatos, sente necessidade de afastamento físico e emocional. Não teme, através de sua mente questionadora, arrancar sistematicamente, todas as afeições e crenças que se mostrem sem fundamento, mesmo que isso implique num estado de aterrorizante vazio. É controverso e arredio as discrepâncias e falhas do sistema econômico e social. Recusa-se a desenvolver uma mecanicista mentalidade prática burguesa. Prefere buscar por caminhos diversos de experimentação e vivência, mesmo que estes conduzam a solidão e a dor, tudo em nome da experimentação da vida com total intensidade. Por ser portador de uma vontade resistente e inadaptável, a qual direciona para a questão existencialista, tem ampliada a sua problemática em torno do social. Adota uma postura ética de renúncia e disciplina que o torna menos escravo de um cotidiano voltado para a domesticação servil, a qual impede a livre expressão das potencialidades humanas. O Outsider possui potencial libertário e inconformista, além de uma vontade dúbia e tênue por rebelião às instituições básicas. Por causa disso, rompe com a vida social e passa a buscar por um modo de vida alternativo, longe dos ditames e grilhões da sociedade dita civilizada. Por estar de fora, prefere viver a essência do anonimato, do que manter-se participante dos insanos jogos de aparências, uma vez que tem consciência de que quem vive de aparências, só aparentemente vive. Ao contrário do coletivo que insiste no falseamento de sua realidade, o Outsider é uma amante da Verdade, por mais dura que esta possa ser. Sofre e faz sofrer por causa de sua sinceridade e autenticidade. Possui um profundo sentimento de não aceitação do modo de vida vivido pelos seres que se dizem humanos numa sociedade que nada tem de humana. Seu forte insight sobre a natureza da liberdade, faz com que não aceite os estúpidos valores pelos quais os demais pautam suas vidas. Sente a necessidade de assumir comportamentos completamente novos e empreender um estudo deste mundo irreal que se apresenta. O Outsider se separa das outras pessoas por uma inteligência que impiedosamente destrói os valores das mesmas e o impede de se expressar pela incapacidade de recolocar novos valores. Seu maior desejo é o de deixar de ser um outsider, não pela domesticante inserção burguesa no sistema, mas sim, pela transcendência do sistema e de si mesmo.  Para ele não há como retroceder; seu problema, portanto, é o de saber como seguir em frente. Na máxima manifestação de sua dissidência, pode preferir optar pelo fim de sua existência do que negar a expressão maior de seus ideais.
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3 - DO SEU APURADO PODER DE VISÃO
O Outsider exerce profunda observação sobre o espaço que o cerceia, excluí e por ele é excluído. Sua capacidade de visão o torna profundamente questionador, com infinitas indagações no tocante ao que é fundamental. Produz questionamentos sobre o viver correto, sobre novas formas de ver e sentir que não sejam esmagadas pelas próprias limitações e que não obstruam a capacidade de agir, bem como a potencialização de seus talentos. É dotado de uma demasiada profundidade do olhar, da qual faz uso de forma silenciosa e com a qual constata o jogo de falsidade, interesses velados e superficialidade pelo qual transcorre grande parte das relações sociais. Tem os olhos bem abertos para o caos instalado, enquanto a grande maioria, em sono profundo, se preocupada apenas com a satisfação das medianas preocupações imediatistas burguesas. A visão de vida de um Outsider não se apóia na Tradição, mas sim na relação direta de seus insights, experiências e racionalidade. Seu apurado poder de visão lhe faculta um perfeito juízo da injustiça de os seres humanos terem que viver nesse nível morno das trivialidades cotidianas; ele sente que deveria haver uma maneira de viver o tempo todo com a intensidade do êxtase criativo do artista e é para este que constantemente aponta seu olhar. Por perceber a irrealidade de tudo, começa a formular perguntas do tipo: Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? São essas perguntas que acabam com a ilusão de identidade com o script social e o “condena a ser livre”.  O Outsider busca pela interioridade; reconhece as emoções que lhe roubam a energia, que não contribuem para a sua interioridade, e se dispõem a exterminá-las de si mesmo. À medida que caminha em direção ao seu objetivo, cresce o seu suprimento de força vital excedente, ampliando assim seu poder de visão.
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4 - DO SEU SOFRIMENTO, MAL-ESTAR E DIFICULDADES
Um dos seus sentimentos mais desconcertantes é o sentimento de “estrangeirismo”; de alguém que se encontra `fora de lugar’, de ser um `anormal’, um introvertido que não consegue participar de uma maneira satisfatória da vida de relação. Vivencia um estado de desespero diante da miséria da realidade social. Sente a necessidade de buscar por equilíbrio diante de tantos desequilíbrios de ordem social, econômica e psíquica. Observa seu conflito interno e o mal-estar gerado pelo sentimento de inadequação. Não teme o contato com suas feridas, ao contrário, ousa remexe-las. Por vezes, sente-se degenerado, doente, dividido, ressentindo-se por pensar (de forma errônea) não ter nenhum talento especial, nenhuma mensagem para oferecer. Tem profunda ojeriza a conversações pautadas em experiências passadas; seu interesse está nas experiências do agora que apontam para a possibilidade de um saudável futuro. Possui um excesso de energia intelectual aliada a uma nula capacidade de ação, além de dificuldades de auto-expressão, ausência de assertividade na defesa de seus valores, idéias e visão de mundo. Devido sua dificuldade de auto-realização, busca constantemente por um modo de agir no qual se aproxime mais de si e pelo qual obtenha a auto-expressão máxima (excelência de ser). Sente uma inquietante necessidade de colaborar de forma criativa e direta para a manifestação da ordem ao caos instalado, ao qual é extremamente sensível e vulnerável, mas não o suficientemente forte para esboçar reação assertiva.  Anseia profundamente por um modo de vida que não seja fútil, absurdamente acelerado e impessoal. Sofre a infelicidade de perceber que não existe uma real comunicação com os outros seres humanos, nem mesmo com aqueles a quem mais ama. Experimenta constantes ataques de insatisfação, tédio e sentimentos de irrealização, os quais, depois de algum período são amenizados por breves momentos de insights criativos. É uma pessoa que se sente dividida e anseia pelo estado de unidade através do qual possa viver mais abundantemente. O sofrimento resultante de seu conflito não se trata de inferioridade, ainda que possa torná-lo menos apto a sobreviver do que o burguês; não-reconciliado é um sinal de grandeza; reconciliado, manifesta uma vida mais abundante que torna inquestionável a sua superioridade aos outros tipos de homens. Quando se torna consciente de suas forças, sente-se unificado e feliz. Parte de sua infelicidade é resultante de sua incorrigível tendência a fazer concessões, de preferir as temperadas regiões burguesas, civilizadas. Seu bem-estar encontra-se nos extremos, não nasceu para ser homem de meias medidas. Seu traço mais característico: é a incapacidade de parar de pensar. Sente-se um prisioneiro de seu pensamento. O resultado é um estado de tensão mental sem fim. Sente que seu maior inimigo é a futilidade humana. As exigências do mundo exterior, infindáveis e sem importância, são lhe um peso imenso. O Outsider é uma pessoa cansada da vida, cansada dos tolos com suas imaturas oposições. Cansada de tanto ter que recompor suas forças para ter que desperdiçá-las de novo, numa sociedade que se movimenta em direção a não vida. Esse cansaço, ao contrário do que todos pensam, é proveniente de problemas existenciais reais, e não delírios neuróticos. Ele sofre por ter elevado seu bom senso e sensibilidade ao máximo, os quais ampliam sua percepção. Um de seus maiores medos é o de se deparar com a morte sem que seu problema existencial tenha sido devidamente resolvido.
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5 - DA SUA RELAÇÃO COM A BURGUESIA
O Outsider se interessa por altas velocidades e grandes pressões; ele prefere dar atenção ao homem que se dispõe a ser muito bom ou muito mau, e não ao bom cidadão que defende a moderação em todas as coisas. Ele não se contenta com velocidades comuns. O Outsider vê naturalmente a grande maioria dos homens como fracassos; na realidade, talvez ache que a grande maioria dos homens que já viveram foram um fracasso. Em vista disso se pergunta: Como devo viver minha vida para não ter de me considerar um fracasso? Sua relação com o burguês tende a ser conflituosa uma vez que o burguês defende a complacente aceitação do establishment enquanto que o Outsider tenta sempre expressar seu senso de anarquismo dissidente. Não o faz por provocação, mas pelo profundo impulso de que a Verdade deve ser dita, custe o que custar, caso contrário, nunca será possível o estabelecimento final da ordem. Sente profunda alergia ao caos proveniente da confortável e protegida infeliz felicidade da zona de conforto burguesa, bem como pelo seu profundo esforço pela manutenção de seu ilusório prestígio passageiro. Onde o burguês vê realização, o Outsider vê pesadas correntes. Contempla o mundo burguês como uma enfermidade. Está envolvido por uma sensação de estranheza e de irrealidade que o leva a enxergar a natureza burguesa como caótica, doente e enfastiante. Sua máxima: A verdade deve ser dita, o caos deve ser enfrentado. Já para o burguês, a verdade deve ser encoberta e o caos, bem decorado. Vê o mundo burguês como um verdadeiro caos, uma irracionalidade profundamente contagiante. O outsider é o principal suporte do burguês; sem ele o burguês não existiria. A vitalidade dos membros ordinários a sociedade depende dos seus outsiders. Muitos Outsiders se unificam, se realizam como poetas ou santos. Outros permanecem tragicamente divididos e improdutivos, mas mesmo assim suprem a energia espiritual da sociedade; é a sua tenacidade que purifica o pensamento e impede o mundo burguês de afundar sob seu próprio peso morto. O outsider é o dínamo da sociedade. Possui uma imensa capacidade de renúncia, sofrimento, de indiferença pelos ideais da burguesia, e de paciência quando relegado àquele último grau de solidão que rarefaz a atmosfera do mundo burguês, transformando-o em éter gelado em torno dos que sofrem para se tornarem homens. Prefere se comprometer com um futuro incerto e solitário do que se render à conformação da pseudo-segurança e companhias interesseiras tidas num modo de vida burguês. Sem dificuldades ou hesitação, abre mão das aparências em busca da essência de tudo que é. Quanto mais aumenta sua consciência, mais aumenta o desprezo pelos valores burgueses. O outsider, por ter experienciado um contato, ainda que breve, com a “Grande Realidade”, sente-se inutilizado para a futilidade da vida do dia-a-dia burguês. Sente-se totalmente incapaz de se adaptar a trivialidade cotidiana. Sente que a vida é uma eterna tensão entre a “Grande Realidade” e o sofrimento resultante do conformismo ao modo de vida burguês. O outsider não gosta de sentir que a futilidade seja a única opção de vida; sua natureza lhe diz que há alguma coisa à qual possa responder com total assentimento, e, por ela, busca. Nesse ínterim, sofre pela sua não autossuficiência e pelo doloroso “vácuo” em que se encontra. Sente que o modo de vida burguês é uma forma de morte viva. Diante de sua profunda percepção da doença proveniente do modo de vida burguês, com toda sua corrupção, erros, mesquinhez, pobreza, imundice e desprezível conforto, insiste em apontar para a necessidade de reconhecimento da mesma, para uma possível cura. O Outsider tem consciência de que as demais pessoas inseridas no sistema, não possuem a consciência da natureza que move as suas ações. Para o Outsider, os homens estão contentes numa prisão – são animais engaiolados que nunca provaram o gosto da liberdade – portanto, ao contrário de si, eles não têm consciência de sua prisão. O Outsider sente que a vida tem por objetivo mais vida, formas mais elevadas de vida, viver mais abundantemente, a qualquer custo. Devido sua incansável busca por mais consciência, não vê lógica em desperdiçar seu precioso tempo e energia com futilidades. Prefere dedicar-se à contemplação, em apenas ter dinheiro necessário para a manutenção de uma vida de simplicidade voluntária. Para ele, o que importa é o hoje, nunca o amanhã. Por isso, é tido pelo burguês, como um sonhador que vive sempre no mundo da lua, que não lida com a realidade, alguém totalmente destituído de espírito prático. Mas, na realidade, nele não há nada do sonhador inútil: todos seus valores são claros e precisos. Para ele, cabe a busca do despertar da inteligência, deixando ao burguês, a mania de colecionar futilidades e tolices. O outsider não leva a vida na brincadeira; na melhor das hipóteses, é uma caminhada difícil; na pior, é uma insuportável camisa-de-força. Ele vê o mundo como um “caos dominado pelo ego” e não sente inteligência em se sentir seguro na identificação com o mesmo. Para ele, o importante é conhecer-se melhor e o estabelecimento de uma disciplina para vencer sua fraqueza e sua fragmentação interior, tendo por objetivo tornar-se harmonioso e integrado. Ele é alguém totalmente diferente do burguês que não tem nada na cabeça, a não ser a satisfação de suas infinitas necessidades físicas imediatas, estas criadas pela ausência de bom senso. Enquanto o outsider busca por momentos de contemplação, o burguês, se colocado numa ilha deserta, sem nada para lhe ocupar a mente, por lhe faltar a motivação verdadeira, entra num tédio depressivo ou enlouquece. O Outsider sente profunda urgência em se afastar dos costumes e práticas do burguês. Sente a necessidade de se manter alheio aos pensamentos, costumes e opiniões do mundo burguês, uma vez que eles valorizam as coisas com as quais o Outsider não se vê atraído.
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6 - DA SUA NECESSIDADE DE AUTO-EXPRESSÃO
O Outsider durante toda vida ansiou pela capacidade de auto-expressão sob alguma forma imaginativa, que não seja trivial nem não-heróica. Sente-se como um dínamo de energia, mas não tem a menor idéia do que fazer com essa energia. Busca por uma forma de agir que dê expressão ao que não é trivial. Questiona-se de como conseguir obter a força necessária para não se ver escravo das circunstâncias. Sente profunda necessidade de auto-conhecimento uma vez que não pode mais se desperdiçar, muito menos desperdiçar as oportunidades de auto-evolução e potencialidades. O Outsider é o resultado do homem que se interessa em saber como deveria viver, em vez de simplesmente aceitar a vida tal como ela é. É um contemplativo nato, acostumado a se recolher profundamente em si mesmo, reunindo suas energias, numa espiral bem apertada, para depois soltá-la na auto-expressão. Para ele, a negação da auto-expressão é a morte da alma; sem criação, desfalece o equilíbrio, a balança pende para o lado da aflição e do sofrimento. 
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7 - DA SUA NECESSIDADE DE AUTO-CONHECIMENTO
Todo Outsider viveu uma vida “irreal” e só despertou para essa irrealidade quando se deparou com o limiar da dor e da morte, com o “desgosto de si mesmo e a conseqüente vontade de fugir de si mesmo”. Esse é o preço de entrada, o seu rito de passagem. O Outsider vive em busca de respostas para a questão: Seria ele um Outsider por ser frustrado e neurótico, ou seria um neurótico devido algum instinto mais profundo que o impele à solidão? Seu poder de auto-análise é profundo. Sente necessidade de isolamento e períodos de meditação em busca da palavra viva, que embora desconhecida, sente trazer consigo.  Para alguns outsiders, é muito mais importante ter um intelecto vigoroso do que uma evoluída capacidade de “sentir”. O Outsider não tem certeza de quem ele é. “Ele encontrou um ‘eu´, mas este não é o seu verdadeiro ‘eu’”. Sua maior preocupação é a de encontrar, por meio da auto-análise, o caminho de volta a si mesmo. O Outsider sente a necessidade de cavar fundo em si mesmo para se livrar dessa prisão, mas, por vezes, sente medo de estar cavando na direção errada. O problema final, enfrentado pelo Outsider, está em responder de forma holística, visceral, a pergunta: “Que sou eu?”. Na resposta dessa pergunta encontra-se o limiar entre a identidade e a alteridade. O Outsider busca por um senso de harmonia, pela possibilidade de um modo de ver o mundo que faça da vida uma contínua forma de intensidade; uma visão de intensidade e vida. Busca como se aliar às forças que habitam em seu interior, para ajudá-las no que elas visam. Ele sente profunda necessidade de solidão para ver “dentro de si mesmo”.
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8 - DO ESTIGMA SOCIAL
Devido a não adequação ao estabelecido, o Outsider sofre o estigma social. Voluntariamente faz-se um dissidente social em nome da busca de liberdade, pela qual, não mede esforços. Sua incessante luta contra a fragmentação e destituição do sujeito, produz tensões e confrontos entre os espaços externos e internos, no âmago do grupo familiar e social que o acolhe ou exclui. Seu parecer sobre as questões do viver nunca são tidos em conta por causa de sua evidente “anormalidade e introversão”. Por se manter distante de situações que possam comprometer seu modo de vida, que possam afetar sua calma e segurança interior, quase sempre é tido por egoísta, insensível, frio e indiferente aos sentimentos alheios. Como a mediocridade do ambiente não é capaz de satisfazer suas mais profundas necessidades, acaba sendo visto como um teórico sonhador, um idealista platônico, um sonhador de outros mundos, um ocioso. Ao contrário de como é visto em seu meio, o Outsider não é um anormal, um acomodado vagabundo, mas sim, e tão somente, alguém mais sensível do que aqueles que se dizem normais e saudáveis. Sente-se um peregrino solitário, lutando desarmado contra milhares de soldados do sistema. O fator que faz com que suas palavras e modo de vida sejam levados a sério, é que ele convida seus conhecidos a jogarem fora a água suja, sendo que ele mesmo ainda não tem a fonte da água limpa. No entanto, em outras palavras, apesar de ainda não possuir a chave, diferente dos demais, vê nitidamente as grades da prisão. Em vista disso, o Outsider ínsita aos seus poucos ouvintes para que também se tornem dissidentes, para que abandonem a postura morna e burguesa do caminho do meio, afirmando sempre melhor ser um grande dissidente do que um estagnante burguês de valores corrompidos. Para ele, a força está nos extremos e não na convenção. O Outsider tem consciência de que os outros o tem por tolo, mas, sabe também da veracidade das palavras de Willian Blake:
“Se o tolo persiste em sua tolice, torna-se um sábio”.
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9 - DO SENTIMENTO RELIGIOSO
O Outsider sente que as experiências religiosas individuais, diferentemente dos preceitos estabelecidos pelos sistemas de crença organizadas (que nada tem a ver com religião), constituíam a espinha dorsal da vida religiosa, a qual facultam a capacidade de apaziguamento dos sentidos e a reorganização do intelecto. Ele vive de elevados valores éticos transreligiosos. É avesso a qualquer sistema de crença organizada erroneamente tida por religião. Para o Outsider, não há melhor lugar para se assistir à eterna comédia humana dos seres humanos se enganando a si mesmos do que no culto de uma congregação qualquer. Para o Outsider, a religião é algo pessoal, único e intransferível, resultante de seu processo de unicidade. Sua religião pode ser traduzida na busca de liberdade sem isolamento, na necessidade de livre movimento sem a necessidade de renúncia de sua singularidade; na busca pela experiência do êxtase criativo que lhe incentive a sair da cama pela manhã. Para o Outsider, em algum momento de tensão, deu-se uma experiência religiosa que não pode ser traduzida em palavras, um vislumbre de um poder, o contato com alguma realidade extraordinária, a percepção de uma área desconhecida de sua consciência, uma realidade mais elevada, um êxtase repentino, um momento “atemporal”. A experiência se vai, mas a consciência de sua existência permanece, deixando um forte sentimento de irrealidade quanto à realidade cotidiana experimentada. A reconquista do insight, da bem-aventurança perdida é a grande esperança para muitos Outsiders.  Sua religião se fundamenta num profundo desejo de “vir-a-ser”, de progressão, de unidade, em que nada se refere à satisfação de ninharias materiais. É através de sua religiosidade que vivencia a educação dos sentidos. Por ser profundamente avesso a idolatria e ideais, é um ser que se equilibra sobre uma corda, onde em uma das pontas, bem atrás se encontra a mediocridade do conformismo a filiação a organizados sistemas de crença  e, pela frente, a possibilidade de transcendência. Para o Outsider, o mundo no qual ele nasceu sempre é um mundo sem valores. Comparado com seu próprio desejo de finalidade e direção, o modo pelo qual a maioria dos homens vive não é absolutamente viver; é deixar-se levar. Tal é a desgraça do Outsider, pois todos os homens têm um instinto de rebanho, e esse instinto os leva a crer que o que a maioria faz deve ser o certo. A menos que ele desenvolva através de sua própria religiosidade, (um conjunto de valores que correspondem à sua mais alta intensidade de propósito), melhor será dar término a sua existência sem vida, pois sempre será um marginal um desajustado. Uma vez encontrado esse propósito, porém, metade das dificuldades será vencida. Se o Outsider aceitar sem hesitar que é diferente dos outros porque é destinado a algo maior; se ele se vir no papel de poeta predestinado, de profeta predestinado, ou de alguém que vai melhorar o mundo, metade de seus problemas estará resolvida. O Outsider é um profeta mascarado – mascarado até para si mesmo – cuja salvação está em descobrir o seu propósito mais profundo e a ele se entregar. Ele não possui nenhuma inclinação para a doutrina do ajustamento, do engajamento. Sua inclinação maior está na vontade de gritar ao mundo: “Acordem!” Ele é inevitavelmente um visionário. Possui uma intensidade de visão que poucos homens conheceram. Ele reconhece que todos os homens são desonestos consigo mesmos, que todos os homens se deixam cegar pelas emoções. As “respostas dos sistemas de crença” parecem-lhe mentiras destinadas a anestesiar os homens. Ele rejeita tudo que o burguês tem por religião. Para ele só interessa o “Eu sei” e nunca o “Eu creio”. Como resultado, boa parte do seu tempo e energia é aplicada na busca de formas de atração de outros homens para o modo de vida Outsider. Pode-se dizer que, o Outsider que for fiel ao seu impulso interior, que seguir em sempre frente não deixando erguidas sólidas pontes de retrocesso, esta fadado a ser um santo, ou, em outras palavras, alguém portador de perfeita sanidade mental.
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Organizado por: Nelson Jonas
Referências:

O Outsider - O drama moderno da alienação e da criação
Autor: Colin Wilson 
Editora: Martisn Fontes

A necessidade da Arte 
Autor: Ernst Fischer
Editora: Zahar

6 de junho de 2012

Uma nova leitura musical como fator consciencial

Não tivemos uma educação psíquica, mítica, metafórica; a poesia, essência sensitiva, a passos largos é deixada de lado por desvalores que só medem rápidos resultados financeiros... 

É preciso resgatar com urgência nossa capacidade de ver nas entrelinhas das músicas e de outras formas de arte — expressão pura do Ser que nos faz ser —, a mensagem que grandes Confrades Conspiradores, os outsiders existenciais tentaram deixar para futuras gerações... 

Precisamos abrir os ouvidos do coração para uma escuta que ultrapassa em muito o mito romântico e que percebe nas letras, poderosas setas indicativas nesta grande jornada do herói, nesta trilha menos percorrida pela busca da consumação da sagrada e mística união entre  masculino e feminino, ying e yang, possibilitando assim, o despertamento de uma inteligência criativa e amorosa, capaz de restaurar a unidade perdida entre nossa mente e coração. 

Aos poetas, estes grandes médicos de almas, por lançarem pedras neste caminho sem caminho e à você, caminhante desperto, que junto conosco, o percorre, toda nossa gratidão... 


Viagem - Taiguara

Vai abandona a morte em vida em que hoje estás
Ao lugar onde essa angustia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz aman...te Faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai corpo inteiro mergulhar no teu amor
Nesse momen...to vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu




Universo no teu corpo - Taiguara

Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
E uma gente que não viva só pra si
Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos à canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
Vem, vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.


Que as Crianças Cantem Livres - Taiguara

O tempo passa e atravessa as avenidas
E o fruto cresce, pesa e enverga o velho pé
E o vento forte quebra as telhas e vidraças
E o livro sábio deixa em branco o que não é

Pode não ser essa mulher quem te faz falta
Pode não ser esse calor o que faz mal
Pode não ser essa gravata o que sufoca
Ou essa falta de dinheiro o que é fatal

Vê como um fogo brando funde um ferro duro
Vê como o asfalto é teu jardim se você crê
Que há um sol nascente avermelhando o céu escuro
Chamando os homens pro seu tempo de viver

E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E que o passado abra os presentes pro futuro
Que não dormiu e preparou o amanhecer...



Hoje - Taiguara

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero, a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo...
Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Cores, viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos,
Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas...
Na solidão das noites frias por você.
Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte
Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte
Sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei.

11 de março de 2011

Encontro Outsider

Um outsider incomoda muita gente,
Dois Outsiders incomodam muito mais...

Fotos: Andrea Zafra

Eu não tenho compromisso eu sou biscateiro,
que leva a vida como um rio desce para o mar,
fluindo naturalmente como deve ser,
não tenho hora de partir, nem hora de chegar...


21 de abril de 2012

A solidão do deserto é para poucos


No deserto do real, um dos sentimentos mais constantes é o sentimento de solidão. Não raro, todo aquele que se aventura nessa jornada do herói, nessa trilha menos percorrida, se ressente de não poder contar com outras pessoas vivenciando por situações semelhantes, buscando o mesmo que elas também buscam, falando aquilo que chamo de "o idioma dos proscritos", ou "idioma dos outsiders", idioma este, sempre mal interpretado e quase sempre rotulado de forma negativa por pessoas que nem ao menos desconfiam o que seja a esclarecedora vivência desta trilha menos percorrida. De fato, esse é um tipo especialmente doloroso de solidão, no entanto, ouso dizer ser um dos mais fecundos momentos da jornada do herói. Neste momento, quando a solidão é por nós devidamente abraçada, nosso antigo estilo de vida, adoentado pela excessiva influência de tantas formas de dependências psicológicas — a necessidade de aceitação, de colinho, do ombro amigo, do tapinha nas costas, da validação parental/social — é derretido nas areias escaldantes do deserto do real. Quando se tem a coragem de seguir esse caminho até que se apresente seu fim, adquirimos um modo de vida onde, de fato, a integridade se faz presente e, juntamente com ela, aprendemos um novo idioma dotado de uma inteligência única: o idioma do silêncio. 

Nelson Jonas
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