Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...
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2 de fevereiro de 2013

Como se libertar do “sistema”?

Pergunta: estou contaminado pela sociedade. Como poderei livrar-me dessa contaminação?

Krishnamurti: Ora, a questão não é de como vos libertardes dessa contaminação, porque, assim, apenas criais outro conflito, outro problema. O “eu” não está contaminado pela sociedade; ele é a própria contaminação. O “eu” é uma coisa que se formou pelo conflito, pela inveja, pela ambição e o desejo de poder, pela agonia, o sentimento de culpa, o desespero. E é possível o “eu” dissolver-se sem conflito?

Isso não são questões teóricas ou teológicas. Se uma pessoa tem sério interese em compreender a si própria, verá que todo esforço para dissolver o “eu” tem motivo; resulta de uma reação e, por conseguinte, faz parte ainda  do “eu”. Que se pode fazer, então? Pode-se ver o fato e nada fazer em relação a ele. O fato é que todo pensamento, todo sentimento é resultado da sociedade, com suas ambições, sua inveja, sua avidez; e esse processo constitui a sua dissolução; não se precisa fazer esforço nenhum para dissolvê-lo. perceber uma coisa venenosa é deixar de tocá-la.

Krishnamurti —10 de julho de 1962

20 de fevereiro de 2011

Triste Legado

Responsabilidade Social
Nossos antepassados criaram um sistema de vida - ao qual irrefletidamente estamos inseridos e o pior, introduzindo nossos filhos e netos -, onde não existe disponibilidade de tempo para o desfrute deste belo planeta. Nesse insano sistema, nosso tempo é inconsequentemente empregado na aquisição do que é tido como "bens de consumo", em nome dos quais aceleramos o consumo de nós mesmos, bem como do planeta.

Nelson Jonas

17 de janeiro de 2011

Libertas Quæ Sera Tamen

cadeado
"Libertas Quæ Sera Tamen" (Liberdade ainda que tardia)

Reconheço: sou fruto de um sistema educacional aplicado desde a minha mais tenra idade (jardim da infância, primário, ginásio, colegial, bacharelado, etc..); de uma formação pedagógica incentivadora da erudição e da cultura, da ciência e da conquista de status pela excelência das notas (como único critério de inteligência), onde a mais vaga noção de individualidade é peremptoriamente sufocada no ventre nascituro. Propagam ser este o sistema de formação de uma sociedade mais civilizada.

Pergunto:

Como pode haver a construção da civilidade em indivíduos submetidos desde criança a uma variedade de agressões sub-reptícias e tácitas, legitimadas por uma rede de instituições jurídicas, legislativas, governamentais e corporativas privadas? E toda esta rede viciada invade o ambiente doméstico onde estas mesmas crianças deveriam ter sua primeira experiência de segurança e aconchego, de amor incondicional. Como é possível apregoar que o amor dispensado no lar seja incondicional se aos pais são impostas inúmeras condições para prover uma sobrevivência menos indigna, condições estas que destroçam qualquer manifestação genuína e autêntica da individualidade amorosa e generosa dos pais, subordinando-os, na maioria dos casos, a uma chefia incompetente e corrupta engajada fria e ferozmente num mercado competitivo também frio, feroz e, acima de tudo e de todos, desumano?

E temos a presunção, a arrogância mal disfarçada, a prepotência, a hipocrisia de nos espantarmos com as crueldades praticadas por crianças ou contra crianças. As penalidades devem ser aplicadas, claro.

Entretanto, a solução definitiva exige mudanças estruturais. Do contrário, estamos todos condenados a continuar convivendo com as crueldades próprias da negação de si mesmo numa escalada cada vez mais vertiginosa!

Toda violência - sofrida ou praticada - encontra razão de se concretizar, de se efetivar em ação, movido pela sensação opressora no indivíduo. Esta sensação reside dentro de cada indivíduo. A opressão é sucedida pela depressão, e por toda gama de transtornos psíquicos e psico-fisiológicos, e pela variação de vícios e compulsões, e – finalmente – pelo assassinato ou pelo suicídio. E em alguma hora, em alguma ocasião, infalivelmente externar-se-á.

Está livre da violência quem é livre de tudo que lhe oprime. E só quem é desprendido tem a propriedade deste estado de libertação. Esta é a única propriedade verdadeiramente pessoal e intransferível, a despeito das instituições bancárias cujo acesso à conta é feito por meio de uma senha com semelhante designação (pessoal e intransferível). Posso facilmente dizer a minha senha do banco para qualquer pessoa que eu desejar. E ela terá acesso a toda minha riqueza (meus parcos dotes financeiros e minhas dívidas - no meu caso específico).

Mas qual a senha para transferir o bem-estar e a paz interior? Como contribuir para favorecer o acesso à riqueza de um estado de libertação plena?

Nenhuma força tarefa tem a capacidade de instaurar a paz nos corações dos Homens, ainda que seja uma importante contribuição para as circunstâncias favoráveis a tal ocorrência. Esta tarefa cabe a cada um fazê-la silenciosamente. Sem discutir. Sem argumentar. Sem querer impor sua opinião sobre como fazê-la. E exige força. Força para desbravar uma maneira particularmente sua, e somente sua, de acessar a sua riqueza única e de mais ninguém.

Liban Raach
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