Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...
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24 de março de 2013

Arrisque tudo pela verdade

Arrisque tudo pela verdade; ou então você vai continuar descontente. Você vai fazer muitas coisas, mas nada realmente vai acontecer com você. Você vai se movimentar bastante, mas nunca vai chegar a lugar nenhum. O resultado no fim será quase absurdo.

É como se você estivesse faminto e simplesmente fantasiasse sobre o alimento — maravilhoso, delicioso. Mas fantasia é fantasia, não é real. Você não pode comer um alimento irreal. Por momentos você pode se iludir, pode viver num mundo de sonho, mas o sonho não lhe dá nada. O sonho tira muitas coisas e não dá nada em troca.

O tempo que você gasta usando uma personalidade falsa é simplesmente desperdiçado; você nunca o terá de volta. Esses mesmos momentos poderiam ter sido de verdade, autênticos. Até mesmo um único momento de autenticidade é melhor do que uma vida inteira de vida inautêntica. Portanto não tenha medo.

A mente vai lhe dizer para continuar protegendo os outros e a si mesmo, para se manter em segurança. É assim que milhões de pessoas estão vivendo. Freud, em seus últimos dias, escreveu uma carta a um amigo sobre o que havia observado — e ele realmente observava a fundo, ninguém observou de maneira tão profunda, tão penetrante, tão persistente e científica; ele dizia na carta que até onde havia observado ao longo da vida, uma conclusão parecia ser absolutamente certa: a de que as pessoas não podem viver sem mentiras.

A verdade é perigosa. As mentiras são muito doces, mas irreais. Deliciosas! Você continua dizendo doces nadas à pessoa amada e ela continua suspirando em seus ouvidos nada além de doces nadas. E enquanto isso a vida segue escorrendo por entre as suas mãos e todo mundo se aproxima cada vez mais da morte.

Antes de a morte chegar, lembre-se de uma coisa: é preciso viver o amor antes de a morte acontecer. Do contrário, você terá vivido em vão, e toda a sua vida terá sido fútil, um deserto. Antes de a morte chegar, tenha certeza de que o amor aconteceu. Mas isso só é possível com a verdade.

Portanto, seja verdadeiro. Arrisque tudo pela verdade e nunca arrisque a verdade por nada mais. Deixe que esta seja a lei fundamental: mesmo que eu tenha de sacrificar a mim mesmo, à minha vida, vou fazer esse sacrifício pela verdade; mas a verdade eu não sacrificarei por nada. E você sentirá uma imensa felicidade, uma bênção inimaginável cairá sobre você.

Se você for sincero, tudo o mais se tornará possível. Se você for falso — só uma fachada, uma pintura, um rosto, uma máscara — nada será possível. Porque, com o falso, apenas o falso acontece, e com a verdade, só a verdade.

Eu entendo o problema, o problema de todos os amantes: no fundo, todos eles têm medo. Eles continuam imaginando se o relacionamento será forte o suficiente para suportar a verdade. Mas como você pode saber de antemão? Não existe conhecimento a priori. É preciso fazer para conhecer.

Como você vai saber, sentado dentro de casa, se será capaz de resistir à tempestade e ao vento lá fora? Você nunca esteve na tempestade. Vá e veja! Tentativa e erro é a única maneira. Vá e veja — talvez você seja derrotado, mas mesmo na derrota vai se tornar mais forte do que é hoje.

Se você for derrotado por uma experiência, depois por outra e mais outra, o simples fato de ir contra a tempestade vai deixá-lo cada vez mais forte. Um dia chegará em que você simplesmente começará a gostar da tempestade, simplesmente começará a dançar na tempestade. Então a tempestade não será um inimigo — essa também é uma oportunidade, uma oportunidade radical, de ser.

Lembre-se: nunca as pessoas se tornam um ser de maneira agradável; do contrário, isso aconteceria a todos. Lembre-se, tornar-se um ser não pode acontecer de maneira conveniente; do contrário, todo mundo não teria nenhum problema. Tornar-se um ser acontece apenas quando se correm riscos, quando se enfrenta o perigo. E o amor é o maior perigo que existe. Ele requer a totalidade do seu ser.

Portanto, não tenha medo; vá de encontro a ele. Se o relacionamento sobreviver à verdade, ele será lindo. Se ele morrer, então também será bom porque um relacionamento falso terminou e agora você será mais capaz de partir para outro relacionamento, mais verdadeiro, mais sólido, mais preocupado com a essência.

Mas lembre-se sempre, a falsidade nunca compensa; ela parece compensar, mas não compensa. Apenas a verdade compensa — e de início nunca parece que a verdade vale a pena. Parece que ela estraga tudo. Se você a olhar de fora, a verdade parecerá muito, mas muito perigosa, terrível. Mas essa é uma visão de fora.

Se você a assumir, a verdade será apenas uma coisa bela. E depois que começar a experimentá-la, prová- la, você vai querer cada vez mais, porque ela lhe trará contentamento.

Você prestou atenção? É mais fácil ser sincero com estranhos. As pessoas que viajam de trem começam a conversar com estranhos e afirmam coisas que nunca afirmaram antes aos amigos, porque com os estranhos não há nada em jogo. Depois de meia hora, a sua estação vai chegar e você vai descer; você vai esquecer e ele irá esquecer o que você disse. Portanto, o que quer que você tenha dito não faz diferença. Nada está em jogo com um estranho.

Ao falar com estranhos, as pessoas são mais sinceras, e elas abrem o coração. Mas ao falar com os amigos, com os parentes — com o pai, a mãe, a esposa, o marido, o irmão, a irmã — há uma profunda inibição inconsciente. “Não diga isso, ele pode ficar magoado. Não faça isso, que ela pode não gostar. Não se comporte dessa maneira; o pai está velho e poderá ficar chocado.” Assim vamos nos controlando.

Pouco a pouco, a verdade é abandonada nas fundações do seu ser e você se torna mais engenhoso e esperto com o que é falso. Você segue sorrindo falsos sorrisos, que estão apenas desenhados nos lábios. Segue dizendo coisas boas, que não significam nada.

Fica entediado com o namorado ou com o pai, mas continua dizendo: “Que bom ver você!” E todo o seu ser diz: “Ora, deixe-me em paz!” Mas verbalmente você segue fingindo. E eles também estão fazendo a mesma coisa; ninguém se torna consciente porque estamos todos navegando no mesmo barco.

Uma pessoa religiosa é aquela que sai desse barco e arrisca a sua vida. Ela diz: “Não importa se eu quero ou não ser sincera. Mas falsa é que não vou ser.” Não importa o que esteja em jogo; experimente, mas não continue seguindo o caminho da inverdade. O relacionamento pode ser forte o bastante, pode resistir à verdade. Então ele é muito, muito bonito.

Se você não puder ser sincero com a pessoa a quem ama, então, quando vai ser sincero? Onde? Se não puder ser sincero com a pessoa que pensa que o ama — se tem medo até mesmo de lhe revelar a verdade, de desnudar-se espiritualmente, se até mesmo ali estiver escondendo — então, onde encontrará um momento e um lugar onde possa ser totalmente livre?

Esse é o significado do amor: que no mínimo na presença de uma pessoa podemos nos desnudar completamente. Nós sabemos que ela nos ama; portanto, não seremos mal-interpretados. Sabemos que ela nos ama; assim o medo desaparece. Podemos revelar tudo. Podemos abrir todas as portas, podemos convidar a pessoa a entrar. Podemos começar a participar do ser de outra pessoa.

Amor é participação; portanto, no mínimo com a pessoa a quem você ama, não seja falso.

Eu não estou dizendo para você sair à rua e ser sincero, porque isso criará problemas desnecessários no momento. Mas comece com a pessoa a quem você ama, depois, com a família, e depois com as pessoas que estão um pouco além.

Pouco a pouco, você vai aprender que ser sincero é tão bonito que vai ser capaz de apostar tudo nisso. Então, na rua, a verdade simplesmente se torna o seu modo de viver.

No alfabeto do amor, a verdade tem de ser aprendida com aqueles que estão muito próximos, porque eles irão entender.

Osho, em "Intimidade: Como Confiar em Si Mesmo e nos Outros"
Publicado no blog palavras de Osho

13 de agosto de 2012

A pessoa tem que se apostar toda

A verdade é um desafio, o maior que existe. É um desafio para inquirir, é um desafio para buscar e é um desafio para ser. Não é alguma coisa que você vai possuir algum dia – é uma coisa que você tem que se tornar.

E, de fato, você só pode se tornar aquilo que você já é, você só pode se tornar o seu ser.

O desafio da verdade é o desafio do seu próprio núcleo mais interno, o desafio de chegar em casa, o desafio de voltar ao centro, o desafio de reconhecer a si mesmo, o desafio de conhecer, de encontrar a si mesmo.

É árduo. Olhar-se de frente é árduo – porque investimos demais na nossa ignorância; apostamos demais na nossa autoignorância. Então, o autoconhecimento começa a se tomar muito, muito difícil. Assim, todos são chamados, mas apenas uns poucos ouvem o chamado.

E daqueles poucos que ouvem o chamado, muitos desses o interpretam mal, iludem-se a si próprios. Aqueles que ouvem da maneira certa, mesmo eles não persistem muito tempo. Assim, muitos são chamados mas muitos poucos chegam.

De fato, todo mundo é chamado. O desafio de Deus é para todos; é um convite aberto. Você está aqui para este desafio – para aceitá-lo, para passar através do fogo, para ser purificado pelo fogo.

Mas é um jogo de risco; a pessoa tem que se apostar toda. E esta é a ironia: de que quando você não tem nada, tem muito medo de apostar. A ironia... Quando você tem, tem a coragem de apostar também.

Esta é minha experiência de todo dia: sempre que vejo alguém que tem alguma coisa, ele está pronto para se entregar, e sempre que cruzo com uma pessoa que não tem nada, ela tem muito medo de se entregar.

Isso é muito misterioso. Quem não tem nada, tem muito medo de se entregar – talvez tenha medo de que, se ele se entregar, encontrará o seu estado de nada. Se entregar as suas defesas, conhecerá o seu vazio interior, a sua pobreza. É melhor fingir que se é rico e nunca olhar para dentro. É melhor continuar a sonhar: "Eu tenho muito, como posso me entregar?"

Mas esta é minha experiência, e nunca encontrei nenhuma exceção; esta parece ser a regra: aqueles que têm, estão prontos para se entregar, eles não têm medo. E Jesus dizia: "Àqueles que têm, lhes será dado mais, e àqueles que não têm, mesmo isso lhes será tirado."

Quando você tem, tem a coragem de apostar. E quando você aposta, torna-se capaz de obter mais. E quando aposta tudo, incondicionalmente, totalmente, somente então se torna capaz de receber o presente de Deus. Então, Cristo nasce em você.

Quando você aposta tudo, Cristo nasce em você. Quando você passa pela crucificação, quando você é crucificado, há a ressurreição.

Osho, em "O Caminho do Amor: Discursos Sobre as Canções de Kabir"

31 de julho de 2012

Luz interior

"Assim como há um sol do lado de fora, há um sol dentro também. O Sol exterior nasce e se põe, mas o interior está sempre presente. Ele nunca nasce, nunca se põe - é eterno. Se não conhecermos a luz interior e sua fonte, viveremos na escuridão." 

Osho

12 de julho de 2012

Osho - Não lute com o desejo

Se um desejo surgir em você, Tantra não diz para lutar com ele. Isso é fútil. Ninguém pode lutar com um desejo. Isso também é tolice, porque sempre que você começa a lutar com alguma coisa dentro de você, você estará lutando consigo mesmo, você se tornará esquizofrênico, sua personalidade será partida.

E todas essas assim chamadas religiões têm auxiliado a humanidade a ficar, aos poucos, esquizofrênica. Todos estão partidos, todo mundo está dividido e lutando consigo mesmo porque as assim chamadas religiões lhes disseram: "Isso é ruim. Não façam isso".

Se o desejo chegar, que fazer? Você continua lutando com o desejo. Tantra diz para não combater o desejo. Mas isso não quer dizer que você se torna uma vítima dele. Isso não significa que você se compraz nele.

Tantra lhe dá uma técnica bem sutil. Quando o desejo surgir, esteja atento bem desde o princípio com sua inteireza. Olhe-o com sua inteireza. Torne-se o olhar. Não deixe o olhador para trás. Traga sua consciência total para esse desejo emergente. Esse é um método bem sutil, porém maravilhoso. Seus efeitos são miraculosos.

Com o ser integral o olhar fica tão abrasador que a semente é queimada, sem nenhuma luta, nenhum conflito, nenhum antagonismo. Só um profundo olhar com o ser total e o desejo emergente desaparece completamente.

E quando um desejo desaparece sem luta, isso lhe deixa tão poderoso, com uma imensa energia, com tal tremenda consciência, que você não pode imaginar.

Osho



Osho - Necessidade e desejos

Os desejos são muitos, as necessidades são poucas. As necessidades podem ser satisfeitas; os desejos, nunca. Desejo é uma necessidade que enlouqueceu. É impossível satisfazê-lo. Quanto mais você tentar satisfazê-lo, mais ele pedirá.

Conta uma história sufi que, quando Alexandre morreu e chegou ao paraíso, ele estava carregando todo o seu peso: todo o seu reinado, ouro, diamantes - é claro que não em realidade, mas como uma idéia.

Ele estava demasiadamente oprimido pelo fato de ser Alexandre. O guardião do portal do paraíso começou a rir e perguntou: "Por que você está carregando tanto fardo?"

Alexandre retrucou: "Que fardo?". Então o guardião lhe deu uma balança, em um dos seus pratos colocou um olho e pediu a Alexandre para colocar no outro prato todo o seu peso, sua grandeza, seus tesouros e o reinado.

Mas aquele olho ainda permaneceu mais pesado que todo o reino de Alexandre. O guardião disse: "Esse é um olho humano. Ele representa o desejo humano e não pode ser satisfeito, não importa quão grande seja o seu reino e quão intensos sejam os seus esforços."

Depois, o guardião jogou um pouco de poeira no olho, que imediatamente piscou e perdeu todo o seu peso.

Uma pequena poeira de entendimento precisa ser jogada no olho do desejo. O desejo desaparece e permanece somente a necessidade, que não é pesada. As necessidades são muito poucas e são belas. Os desejos são feios e transformam os seres humanos em monstros; eles criam loucos.

Assim que você começar a aprender a escolher a serenidade, um pequeno quarto será suficiente, uma pequena quantidade de comida será suficiente, poucas roupas serão suficientes, uma pessoa amada será suficiente.

Osho


18 de maio de 2012

A religião autêntica é sempre individual


Religião autêntica, por Beni Ishaque LuthorA religião é a suprema realização do homem.

Além da religião, nada existe – mas também não há necessidade. Seu ser é tão pleno, transborda tanta benção, silêncio, paz, compreensão, êxtase, que pela primeira vez a vida se torna realmente uma canção, uma dança, uma celebração. Aqueles que não conhecem a religião, não conhecem a celebração.

Mas a religião organizada é algo totalmente diferente. Assim, devo deixar bem claro a você que a religião autêntica é sempre individual. No momento em que a verdade se organiza, ela morre; torna-se uma doutrina, uma teologia, uma filosofia, e não mais uma experiência, porque a multidão não pode experimentá-la.

A experiência acontece somente a indivíduos – separadamente.

É praticamente como o amor. Você não pode ter organizações de amor para que não precise mais se preocupar – a organização cuidará de tudo, o sacerdote amará em seu nome. Mas é isso que aconteceu à religião.

Cada vez que uma pessoa descobre a verdade, imediatamente uma das partes mais espertas da humanidade – os sacerdotes – a cerca. Começam a compilar suas palavras, a interpretar suas palavras e a deixar claro às pessoas que se elas quiserem conhecer a verdade terão de fazê-lo por intermédio deles – eles são os agentes de Deus.

Nomeiam-se profetas, mensageiros. Eles podem escolher qualquer nome, mas a realidade é que se autonomearam agentes de Deus. Eles não conhecem Deus, mas em nome de Deus exploram a humanidade.

A religião organizada é uma outra forma de política. E como sempre condenei a política como a atividade mais baixa dos seres humanos, minha atitude quanto às religiões organizadas é a mesma. Você pode perceber: os sacerdotes e os políticos sempre conspiraram contra a humanidade, sempre apoiaram uns aos outros.

Partilharam as coisas entre si, de modo que sua vida, neste mundo, pertence ao político – aí ele é o soberano; e sua vida interior pertence ao sacerdote – aí ele é o soberano.

Fica-se às vezes tão perplexo... parece inacreditável que mesmo no século vinte o papa pôde declarar, alguns meses atrás, que comunicar-se diretamente com Deus é pecado. Você deve comunicar-se através do canal correto, o sacerdote, porque se as pessoas começarem a ir diretamente a Deus, confessando-se a Deus, orando a Deus, os milhões de sacerdotes ficarão desempregados.

Eles não fazem nada; sua única função é a de enganá-lo. Por você não entender a linguagem de Deus e por não ser tão evoluído, com um simples pagamento – uma doação à sua igreja ou ao seu templo – eles farão o trabalho por você.

Todas essas doações acabam no bolso dos sacerdotes. Eles nada sabem de Deus, mas são muito instruídos – são capazes de repetir as Escrituras como papagaios. Mas seu anseio interior não é por Deus, não é pela verdade – eles não são buscadores, são exploradores.

Osho, em "Sacerdotes e Políticos: A Máfia da Alma"
Imagem por Beni Ishaque Luthor
Publicado no blog palavras de Osho

14 de maio de 2012

Nem crença nem filosofia

Eu ouvi falar de uma criancinha – e eu gostaria que você fosse como essa criancinha. Ela era mesmo muito esperta.

"Um garotinho se perdeu durante um piquenique de uma escola dominical. Sua mãe começou a procurá-lo desesperadamente e logo ouviu gritos de uma vozinha de criança, chamando: 'Estelle, Estelle!'
Ela rapidamente localizou o menino e correu para segurá-lo nos braços.
'Por que você ficou me chamando pelo nome, Estelle, em vez de mamãe?', ela lhe perguntou, pois ele nunca a tinha chamado pelo primeiro nome antes.
'Bem', respondeu o garoto, 'não ia adiantar gritar mãe, tem um monte delas aqui'."

Se você chama: "Mãe!"... há tantas mães, o local está cheio delas!
Você tem que chamar de uma maneira pessoal, tem que chamar pelo primeiro nome.

Se Deus também não for chamado de um jeito pessoal, pelo primeiro nome, ele nunca se tornará uma realidade em sua vida. Você pode continuar chamando-o de pai, mas do pai de quem você está falando?

Quando Jesus o chamava de pai, era um tratamento pessoal; quando você usa essa palavra, ela é totalmente impessoal. Quando Jesus o chamava de pai, era significativo; quando você fala sobre o pai, isso não tem significado algum – você não faz contato com a existência, nenhum contato real com ela.

Só uma experiência de vida – nem crença nem filosofia –, só uma experiência de vida o fará capaz de se dirigir de um modo pessoal à existência.

Só então você pode encontrá-la.

E, quando a existência não for encontrada, você estará simplesmente se enganando com palavras... com palavras que são vazias, ocas, com palavras que não têm conteúdo.
Osho, em "O Homem Que Amava As Gaivotas"
Imagem por Brisan
Publicado no blog palavras de Osho

12 de maio de 2012

O que é um Grupo Esotérico e qual sua finalidade?


"Grupo esotérico" significa um grupo especificamente treinado para receber um determinado sistema de conhecimento. Como exemplo, podemos fazer uma analogia. Einstein referiu-se muitas vezes ao fato de que não existiam mais do que meia dúzia de pessoas no mundo com as quais podia se comunicar. Ele estava falando sobre o conhecimento matemático, não sobre conhecimento espiritual. Mas isso era um fato. Nem mesmo meia dúzia de pessoas existiam com as quais Einstein pudesse falar livremente, porque ele chegou a tais picos na matemática que não podia se comunicar através de símbolos matemáticos comuns. 

Se Einstein tentasse transmitir seu conhecimento para você, seria possível ouví-lo, mas não compreendê-lo. Ouvir apenas não é compreender. E quando você não compreende, existem muitas possibilidades de surgirem equívocos, porque da compreensão à não-compreensão existe um fenômeno intermediário de má interpretação. Ninguém está preparado para aceitar que não compreendeu; assim, quando há compreensão, isso não significa uma não-compreensão. Em noventa em nove por cento dos casos significa má interpretação, porque ninguém está preparado para admitir que não compreendeu. Todo mundo diz que compreendeu, então os equívocos se iniciam. 

A matemática não é um conhecimento esotérico e não se refere ao inexprimível. Ela tem existido continuamente por cinco mil anos. Milhares de mentes são treinadas em matemática. Todas as universidades em todo o mundo a ensinam; todas as escolas primárias a ensinam. Com tanto treinamento, tanto conhecimento, tantos departamentos em tantas universidades ensinando matemática, ainda assim Einstein dizia: "Existem apenas seis pessoas a quem posso comunicar o que sei". Se você compreender isso, então começará a compreender as dificuldades de comunicação das experiências espirituais.

Um grupo esotérico é um grupo especialmente treinado para trabalhar com um determinado mestre. Um Buda acontece só após milhares de anos. Se esse fenômeno, esse estado, é tão raro, como Buda poderá se comunicar ao se iluminar? Buda estará presente, o mundo estará presente, mas isso não significará nada. 

Buda não pode comunicar-se diretamente com o mundo; assim, um grupo esotérico, um grupo interno, é treinado. O treinamento é exatamente para que esse grupo possa agir como um mediador entre Buda e o mundo. Um grupo especial é treinado para compreender Buda e interpretá-lo para o mundo, porque entre Buda e o mundo existe uma fenda tão grande que Buda não será compreendido absolutamente. 

Referir-se a Jesus aqui será muito significativo. Jesus sofreu porque não havia nenhum grupo esotérico. Jesus teve de ser crucificado porque o abismo era tal que as pessoas comuns não podiam comprendê-lo. Isso tinha de acontecer, porque não havia um grupo entre Jesus e a massa. Não havia nenhum grupo que fosse capaz de compreender Jesus e converter essa compreensão para a massa. Não havia nenhum mediador entre os dois; assim, Jesus sofreu. Na Índia, nem Buda, nem Mahavir sofreram desse modo. Nenhum deles foi crucificado. Eles eram tão capazes quanto Jesus, mas só Jesus foi crucificado, porque nenhum grupo esotérico existiu para ele. O equívoco era inevitável. Tudo o que Jesus dizia era mal interpretado. 

É claro que Jesus teve seguidores, mas os seguidores de Jesus faziam parte da massa. Todos os seus principais discípulos vieram da massa, sem qualquer treinamento esotérico. Lucas e Tomé eram camponeses; eram parte da sociedade comum, inculta. Eles amavam a Jesus, eles o sentiam, mas tampouco podiam compreendê-lo. 

Assim, houve muitos momentos em que fizeram perguntas totalmente infantis. Por exemplo, alguns discípulos perguntaram a Jesus: "Qual será nossa posição no reino de Deus? Estaremos ao lado do divino, mas qual será o nosso lugar? Qual será nossa posição?" Eles não podiam compreender o que Jesus queria dizer por reino de Deus. Eles eram pessoas comuns. 

Mas um grupo esotérico não pode ser criado de repente. Buda acontece de repente, mas o grupo não pode ser criado de repente. Surge um Buda — esse é uma contecimento repentinoAssim, nos países que tem sido espiritualistas por milhares de anos, os grupos esotéricos existem como uma continuidade, como uma tradição, e quando há esse tipo de acontecimento, o grupo começa a trabalhar. 

(...)

Sempre que um mestre como Buda surge, o primeiro trabalho de um grupo esotérico é auxiliar como mediador. Outro trabalho desse grupo é preservar o conhecimento obtido. Buda atingiu algo supremo, mas quem poderia preservar isso? Preservar algo em livros não é preservar, porque o conhecimento é muito vivo e os livros são mortos. Apenas as palavras podem ser preservadas em livros, o conhecimento, não. O conhecimento só pode ser preservado por pessoas vivas, não por livros, porque os livros terão de ser interpretados — e quem os interpretará? Eles terão de ser decifrados — e quem o decifrará? Se alguém é capaz de decifrá-los, de interpretá-los de um modo certo, então essa pessoa pode lhe dar a mensagem sem os livros. Mas aqueles que dependem de livros não são capazes de interpretá-los corretamente. 

Você não pode ler qualquer livro que já não tenha conhecido de algum modo. Pode ler apenas a si mesmo e nada mais. Se estiver lendo o Dhammapada de Buda, não sera o Dhammapada  de Buda que estará lendo; será o seu Dhammapada. Você será seu criador. Sua interioridade encontrará a interioridade dos distos de Buda. Mas você não pode ir além de si mesmo; não pode ter um vislumbre de algo que está além de si mesmo. 

Assim, quando o conhecimento é alcançado — o conhecimento sutil, o conhecimento fundamental, o conhecimento supremo —, não pode ser preservado em livros. Só o conhecimento comum, o que não pode ser mal interpretado, o que qualquer escola comum pode ensiná-lo a interpretar,  pode ser preservado em livros. Se você souber ler, poderá conhecê-los. Mas o conhecimento supremo não pode ser preservado desse modo. Só pode ser preservado por intermédio de pessoas vivas. Daí o grupo esotérico, onde o conhecimento é transferido de uma pessoa viva para outra. E a transferência não é uma transferência mecânica, é uma arte.

(...)

Existem muitos grupos, mas a dificuldade sempre vem quando alguém morre e não há ninguém que possa substituí-lo. Então, um elo é perdido. E esse elo perdido aparece em todo ensinamento. E quando um elo é perdido, você não pode ser auxiliado pelo grupo, porque as fendas não podem ser preenchidas. Atualmente, há fendas no cristianismo, há muitas brechas. Existem brechas em todos os ensinamentos. Se uma parte é perdida, não pode ser substituída, a menos que uma pessoa como Jesus apareça novamente. Mais isso não é predizível; não pode ser arranjado, não pode ser planejado. Só o grupo de seguidores inicados pode ser planejado e criado. E pode ser usado sempre que houver alguém capaz de fazê-lo. 

OSHO

11 de maio de 2012

Existem pessoas prontas para explodir espiritualmente?


P: Existem pessoas a seu redor que estão para explodir num futuro bem próximo?

Osho: Você me perguntou também se as pessoas estão a meu redor estão caminhando para a explosão (espiritual). Sim, elas estão caminhando em direção à explosão. Do contrário, não poderiam permanecer comigo por muito tempo, não poderiam continuar comigo. Assim, aqueles que são incapazes de chegar a mim vão embora por si mesmos ou crio situações para que eles se vão, Com eles, nada pode ser feito. Permito que permaneçam comigo, que continuem comigo, apenas aqueles que estão caminhando para a explosão, apenas aqueles cuja compreensão está se aprofundando, aqueles que estão se tornando mais alerta e acordados.  É claro que p caminho é árduo e existem muitas ciladas. A pessoa anda um passo para a frente e então cai dois para trás; isso acontece diariamente. O caminho não é contínuo; é um zigue-zague. Não está em um plano; é um caminho íngreme. Assim, algumas vezes, você chega ao mesmo ponto — em um plano insignificantemente mais alto. 

Permito que estejam perto de mim apenas aqueles em que vejo possibilidades, potencialidades. Do contrário, crio situações para que eles vão embora por si mesmos. É muito fácil criar situações para alguém ir embora. É mais difícil criar situações para alguém ficar. Todos estão prontos para ir embora, porque vir para o centro é a aventura mais árdua. E, comigo, eles estão sempre lutando; não podem ficar na periferia. Suas mentes tentam fazer todos os esforços possíveis para permanecer na periferia, mas eles podem ficar comigo apenas quando estão prosseguindo em direção ao centro. 

Quando você está comigo, continua na periferia e eu continuo no centro. Todo o processo entre você e mim é igual à luta que acontece dentro de cada um de vocês. Sei ser permanece no centro e seu ego na periferia; assim, existe luta e tensão. Do mesmo modo, quando você vem a mim, você se torna a periferia e eu o centro — e a mesma luta se inicia. 

Mas estar comigo auxilia de muitos modos. Se você puder continuar comigo por algum tempo, será capaz de permanecer em seu centro mais facilmente. O fenômeno que ocorre entre nós é o mesmo que está acontecendo dentro de cada indivíduo. Não há nenhuma diferença. Quando falo com você, falo como se você estivesse em seu centro. E quando você está comigo, é como se estivesse em seu centro. Um dia, quando você explodir em seu centro, saberá que é assim, mas antes disso é impossível sabê-lo. Antes disso, terá apenas de confiar em mim. 

Quando você chegar ao seu centro, saberá que não esteve vivendo comigo, que esteve vivendo com o reflexo de seu próprio centro. Mas saberá disso só mais tarde, quando passar por isso. A explosão acontecerá; todos são potencialmente capazes. Se você esconder a si mesmo, isso é outra coisa; mas do contrário — se não esconder a si mesmo, se não for um inimigo de si mesmo — será tão capaz quanto qualquer Buda. E a explosão acontecerá...

OSHO

Explosão espiritual


A explosão não pode ser compreendida pela mente. Na verdade, a mente também explode e é completamente expulsa. Assim, a segunda coisa a ser compreendida é: não é possível compreender a explosão. Tudo o que pode ser compreendido não é a explosão. Mas você tenta transformar o fenômeno em algo conhecido, velho.

Você pode pensar que o que chamo de "explosão" seja semelhante a alguma explosão, mas a explosão espiritual não é semelhante a qualquer outro fenômeno. Se uma bomba explode, tudo é destruído; a velha ordem se vai e surge o caos. Mas esse caos é provocado pelo velho; é uma continuidade. Nada de novo chega a ser. Todo esse caos, toda essa desordem, é apenas uma continuação da velha ordem. Nada de novo chega ao ser. É apenas o velho, de um modo desordenado.

Assim, nenhuma explosão material pode ser simbólica, nem usada metaforicamente para a explosão espiritual. A palavra vem de um acontecimento material e tem uma conotação totalmente ilusória. Explosão espiritual não significa que o velho está desordenado, caótico. Significa que algo novo foi criado, que algo novo chegou ao ser.

A explosão material é destrutiva; a espiritual é criativa. Se você tentar compreender o significado da explosão espiritual por analogia, não será capaz de conhecê-la. Algo novo, totalmente novo, chega ao ser. Você não pode dar-lhe um significado, porque você é velho. Você não pode criá-lo; pode apenas estar vazio. Só pode auxiliá-la negativamente, isto é, estando ausente, não sendo. Se você estiver ausente, então a explosão tomará seu lugar. Sua cooperação só é necessária numa via negativa.

Fazer algo positivo é fácil, mas fazer algo negativamente é muito árduo. Cooperar é fácil, não cooperar também é fácil, mas cooperar negativamente é muito difícil. Cooperar negativamente significa não criar obstáculos — e nós estamos sempre criando obstáculos para impedir que o novo chegue a ser.

Enfatizamos sempre o velho, nos apegamos sempre ao velho, estamos identificados com o velho. O velho é o "eu". Quando digo "eu", isso significa todo o passado. Assim, como eu posso explicar o novo? Como posso auxiliar o futuro se "eu" sou o passado? O "eu" é todo o passado incorporado em uma única palavra. Tudo o que está morto agora, tudo o que deve ser sepultado agora, apoia-se nesse "eu". Esse "eu" transforma-se numa barreira — o único obstáculo, a única obstrução para o novo entrar.

Você não pode fazer nada com o "eu" positivamente, mas negativamente pode. Compreender que você é o velho e permitir que essa compreensão vá a fundo, que penetre em seu mais profundo interior. Torne-se consciente de que você não pode auxiliar o novo a entrar no ser. Mas, a menos que o novo entre, não haverá nenhuma espiritualidade. A menos que o novo venha a explodir, você não renascerá, não entrará na dimensão do divino.

Isso não significa que eu deva ser livre. Pelo contrário, devo me livrar do "eu", devo me livrar de mim mesmo. Não significa que "eu" deva fazer algo; pelo contrário, não devo fazer nada para que esse fenômeno aconteça. Estamos sempre fazendo isto ou aquilo. Essa insistência em fazer algo vem do "eu": ela prolonga, ela perpetua o "eu"; projeta o "eu" para o futuro. Então, não pode haver nenhuma explosão.

O passado morto, que se acumula como poeira, continua se assentando sobre seu espelho da consciência. Então, esse espelho da consciência é perdido e apenas a poeira é vista; você se torna identificado com a poeira. Você pode imaginar a si mesmo sem seu passado? Se todo passado for destruído, como você viverá? O que fará? Quem será? Se tudo o que vem do passado for deixado de lado, pouco a pouco você sentirá que está se desintegrando, desaparecendo. Quando o passado não existe, quem é você? Onde está? Com o que está identificado?

Se o passado não existir, você continuará existindo, mas de um outro modo. Na realidade, você será diametralmente oposto ao que era antes. Se todo o passado for afastado, você será apenas consciência. Então, não poderá ser um ego. O ego é um acúmulo de eventos do passado. Se ele for afastado, você terá uma nova identidade. Será exatamente como um espelho, refletindo tudo.

Quando se tornar consciente de que você é o obstáculo, não terá de fazer nada. A própria consciência destruirá sua velha identidade, e quando ela for completamente destruída — quando não houver uma fenda entre seu ser real e suas memórias, quando houver um espaço entre seu ego e você — então, dentro desse espaço, a explosão acontecerá. O interior desse espaço é a explosão!
Você não permanece no não-fazer nem mesmo por um momento. Mas o ser só é revelado àqueles que podem permanecer no não-fazer, que podem permanecer no centro. Esse é o significado de cooperação negativa. Sua cooperação é necessária de um modo negativo: você precisa não fazer nada; deve permanecer no não-fazer. Então, a explosão toma seu lugar, acontece à você.

Quando a explosão acontece, você sempre está no centro. Isso não significa que a partir desse momento você não será capaz de fazer nada. Será capaz de fazer muitas coisas, mas a qualidade da ação será completamente diferente. A partir do centro, outro tipo de amor será possível, uma outra espécie de atividade será possível. O amor não será um ato, mas um estado da mente. Não será desse tipo no qual algumas vezes você ama e outras vezes não ama. Será sua própria existência; você será amor. Toda ação e todo relacionamento terá uma qualidade, um significado, uma profundidade diferente.

Através da explosão, você se tornará desidentificado com a mente, com o ego, com o corpo, com a periferia — totalmente desidentificado. A explosão destrói a identificação. Você não será uma continuação do que havia antes, porque toda a continuidade está na periferia. A explosão não é uma continuidade da periferia; é um salto.

Quando você está correndo na periferia, há uma continuidade. Você vai dando voltas nela, corre a vida toda, mas cada passo está limitado pelo anterior e pelo posterior. É um processo em cadeia. Mas o salto da periferia para o centro não é uma continuação do velho. É descontínuo. Não é uma consequência do passado anterior; é completamente novo e não causal.

É difícil entender isso porque no mundo dos acontecimentos, dos eventos, tudo é causal. Entretanto, os físicos modernos chegaram perto desse ponto; chegaram a uma situação paralela. Por terem descoberto que o comportamento do elétron é descontínuo, os físicos entraram numa nova dimensão. Antes do século, o sistema era baseado no método científico. Tudo era causal: tudo era uma continuidade, tudo era certo. Só com o encadeamento causal pode-se ter certeza. Quando as coisas podem acontecer sem causas, não há certeza. Não existe realmente nenhuma lei que possa ser aplicada.



OSHO 

25 de novembro de 2011

O homem é simplesmente Deus

Ser Místico
O homem parece finito, muito pequeno, como uma gota de orvalho. Mas ele contém em si todos os oceanos, todos os céus. Se você olhar de fora, ele é muito pequeno, minúsculo: só poeira, nada mais - poeira sobre poeira. Mas, se você olhar a partir de dentro, de seu centro, ele é todo o universo.

Esta é a diferença entre ciência e religião: a ciência vê o homem de fora e não encontra nada espiritual, nada divino, apenas fisiologia, química, biologia - outro tipo de animal.

Por isso os cientistas estudam os animais para compreender o homem. Os animais são mais simples, mais fáceis de manipular; assim os cientistas insistem em pesquisar os ratos.

E não importa o que concluam, eles continuam insistindo que é o mesmo caso da raça humana. Esta é um pouco mais complexa, claro, mas basicamente igual. A ciência reduziu os homens aos ratos. E o homem só pode ser compreendido agora com o estudo dos ratos ou dos cães.

Mas, na verdade, o homem só pode ser compreendido se forem compreendidos os Budas, os Cristos, os Krishnas. Lembre-se sempre de que isto é fundamental: você não pode compreender o superior estudando o inferior, mas pode compreender o inferior estudando o superior. O superior contém o inferior, mas o inferior não contém o superior.

O único modo de compreender o homem não é externo, não é pela observação, mas pela meditação. É preciso entrar em sua interioridade, em sua subjetividade. Posicionando-se lá, você conhece a maior das maravilhas e o maior dos deslumbramentos: o homem é simplesmente Deus.

Osho, em "Meditações Para a Noite"

25 de junho de 2011

Zen, Tantra, sexo e saúde


O Zen não possui nenhum sistema de crenças sobre coisa alguma, e isso também inclui o sexo – Zen não diz nada sobre isso. E isso deve ser definitivo. O Tantra tem uma atitude sobre o sexo. A razão? – o Tantra tenta reparar o que a sociedade fez.

Tantra é medicinal. A sociedade reprimiu o sexo, Tantra chega como um remédio para ajudá-lo a recuperar o equilíbrio. Vocês se inclinaram demasiadamente para a esquerda; Tantra vem e os auxilia a inclinar para a direita. E para recuperar o equilíbrio, às vezes vocês têm que tender demais para a direita, só assim o equilíbrio é restaurado.

Vocês nunca viram um equilibrista na corda? Aquele que anda sobre a corda esticada? Ele carrega uma vara nas mãos para manter o equilíbrio. Se ele sente que está inclinando demais para a esquerda, ele imediatamente começa a se inclinar para a direita. Então novamente ele sente que agora inclinou-se demais para a direita, ele começa a se inclinar para a esquerda. É assim que ele se mantém no meio.

Tantra é um remédio.

A sociedade criou uma mente repressiva, uma mente negativa da vida, uma mente antialegria. A sociedade é muito contra o sexo. Porque a sociedade é tão contra o sexo? – porque se você permite prazer sexual às pessoas, você não pode transformá-las em escravas. Isso é impossível – uma pessoa feliz não pode ser escravizada. Esse é o truque. Só as pessoas tristes podem ser escravizadas. Uma pessoa feliz é uma pessoa livre; ela possui uma espécie de independência nela.

Você não pode recrutar pessoas felizes para a guerra. Impossível. Porque elas iriam para a guerra? Mas se uma pessoa reprimiu sua sexualidade ela está pronta para ir para a guerra, ela está ansiosa para ir para a guerra, porque ela não tem sido capaz de desfrutar da vida.

Ela tornou-se incapaz de desfrutar, daí ficou sem nenhuma criatividade. Agora ela só pode fazer uma coisa – ela pode destruir. Toda sua energia tornou-se destrutiva e venenosa. Ela está pronta para ir para a guerra – não somente preparada, ela está ansiando por isso. Ela quer matar, ela quer destruir.

De fato, destruindo seres humanos ela terá uma satisfação substituta de penetrar. Essa penetração poderia ter sido no amor e teria sido bela. Quando você penetra no corpo de uma mulher no amor, isso é uma coisa. Isso é espiritual. Porém, quando as coisas dão errado e você penetra no corpo de alguém com uma espada, com uma lança, isso é feio, é violento, é destrutivo. Mas você está procurando por um substituto para a penetração.

Se for permitido a sociedade total liberdade quanto à alegria, ninguém será destrutivo. As pessoas que podem amar lindamente nunca são destrutivas. E as pessoas que podem amar lindamente e possuem a alegria de viver também não serão competitivas. Esses são os problemas.

Eis porque os povos primitivos não são tão competitivos. Eles estão desfrutando de suas vidas. Quem se importa em ter uma casa maior? Quem se importa em ter um saldo bancário maior? Para quê? Você está feliz com sua mulher e com seu homem e você está tendo uma dança na vida.

Quem quer ficar sentado no mercado por horas a fio, todos os dias, todos os anos, esperando que no final você terá um grande saldo no banco e então você irá se aposentar e desfrutar? Esse dia nunca chega. Não pode chegar, porque por toda a vida você permanece um asceta.

Lembrem-se, os homens de negócios são pessoas ascéticas. Eles devotaram tudo ao dinheiro. Agora, um homem que sabe amar e que conheceu a emoção do amor e do êxtase, não será competitivo.

Ele será feliz se ele puder conseguir seu pão de cada dia. Esse é o significado da oração de Jesus: “Dai nosso pão de cada dia”. Isso é mais que suficiente. Agora Jesus parece bobo. Ele devia ter pedido, “Dai-nos um maior saldo bancário”. Ele só pede pelo pão de cada dia? Um homem feliz nunca pede mais que isso. A alegria é tão realizadora.

Somente os seres insatisfeitos são competitivos, porque eles pensam que a vida não está aqui, ela está lá. “Eu tenho que alcançar Déli e me tornar presidente”, ou ir para a Casa Branca e me tornar isso ou aquilo. “Eu tenho que ir lá, a alegria está lá” – porque eles sabem que aqui não há nenhuma alegria. Assim eles estão sempre indo, indo, indo. Eles estão sempre no ir, e eles nunca alcançam.

E o homem que conhece a alegria, está aqui. Por que ele deveria ir para Déli? Para quê? Ele está completamente feliz aqui-agora. Suas necessidades são tão pequenas. Ele não possui desejos. Ele tem suas necessidades, certamente, mas nenhum desejo. Necessidades podem ser realizadas, desejos nunca. Necessidades são naturais, desejos são pervertidos.

Agora toda essa sociedade depende de uma coisa e essa é a repressão sexual. Do contrário a economia será destruída, sabotada. A guerra irá desaparecer e com ela todo o material bélico, e a política ficará sem sentido e o político não será mais importante. O dinheiro não terá valor, se for permitido a pessoa amar. Devido que a elas não é permitido amar, o dinheiro se torna o substituto, o dinheiro se torna seu amor. Assim existe uma estratégia sutil.

O sexo precisa ser reprimido, senão toda essa estrutura da sociedade cairá imediatamente. Só o amor liberado no mundo trará revolução. O comunismo fracassou, o fascismo fracassou, o capitalismo fracassou. Todos os ‘ismos’ fracassaram porque bem lá no fundo eles são repressão sexual. Nesse ponto não há nenhuma diferença.

Todos eles concordam sobre uma coisa – que o sexo precisa ser controlado, que não deve ser permitido às pessoas terem uma alegria inocente no sexo.

Para recuperar o equilíbrio chega o Tantra; Tantra é o remédio. Por isso o Tantra enfatiza tanto o sexo. As assim chamadas religiões dizem que sexo é pecado e o Tantra diz que sexo é o único fenômeno sagrado.

Tantra é o remédio. Zen não é um remédio. Zen é o estado quando a doença desaparece; e, é claro, com a doença, também o remédio. Uma vez que você fica curado de sua doença você não precisa continuar carregando a receita médica, o frasco e o remédio com você. Você joga tudo fora. Vai tudo para a lixeira.

A sociedade ordinária é contra o sexo; Tantra chega para ajudar a humanidade, para dar o sexo de volta a humanidade. E quando o sexo for devolvido, então surge o Zen. O Zen não tem nenhuma atitude.

Zen é saúde pura.

Osho, em "The Diamond Sutra"

16 de junho de 2011

A desumanidade do homem


Perguntaram a Osho:
Por que as pessoas tratam uns aos outros como o fazem? Tudo isso é condicionamento, ou há algo no homem que o torna disposto a se desviar?

Osho: São ambas as coisas.

Primeiro, há alguma coisa no homem que o desencaminha. E segundo, existem pessoas cujos interesses é desencaminhar os seres humanos. Ambos juntos criam um ser humano falso, um impostor. Seu coração anseia por amor, mas sua mente condicionada o impede de amar.

Esse é o problema. A criança nasce com um coração que anseia por amor, mas ela também nasce com um cérebro que pode ser condicionado.

A sociedade tem que condicioná-lo contra o coração, porque o coração será sempre rebelde contra a sociedade, ele irá sempre seguir seu próprio caminho. O coração não pode ser tido como um soldado. Ele pode se tornar um poeta, ele pode se tornar um cantor, pode se tornar um dançarino, mas não pode se tornar um soldado.

Ele pode sofrer pela sua individualidade, ele pode morrer pela sua individualidade e liberdade, mas ele não pode ser escravizado. Esse é o estado do coração. Mas a mente...

A criança vem com um cérebro vazio, apenas um mecanismo, o qual você pode arrumar da maneira que você quiser. Ele irá aprender a língua que você ensinar, ele aprenderá a religião que você ensinar, ele aprenderá a moralidade que você ensinar.

Ele é simplesmente um computador, você apenas o alimenta com informações. E toda sociedade cuida de tornar a mente cada vez mais forte para que se houver algum conflito entre a mente e o coração, a mente irá vencer. Mas cada vitória da mente sobre o coração é uma miséria. É uma vitória sobre sua natureza, sobre seu ser — sobre você — pelos outros. E eles cultivaram sua mente para servir ao propósito deles.

Portanto, a mente é vazia, seu cérebro; você pode colocar qualquer coisa nela. E com vinte e cinco anos de educação você pode torná-la tão forte que você pode esquecer seu coração; você irá permanecer sempre miserável.

A miséria é que seu coração só pode lhe dar alegria, só pode lhe dar felicidade, só pode lhe fazer dançar. A mente pode fazer aritmética, mas ela não pode cantar uma canção. Essas não são as habilidades da mente. Assim você está dividido entre sua natureza, que é seu coração, e a sociedade, que é sua cabeça. E certamente você nasce — todos nascem — com esses dois centros. Essa é a dificuldade.

E um centro está vazio. Numa sociedade melhor ele será utilizado de acordo com o coração, para servir ao coração. Então será uma grande vida, cheia de regozijos. Mas até agora temos vivido numa sociedade feia, com idéias podres. Eles usaram a mente. E essa vulnerabilidade existe — a mente pode ser usada.

Agora os comunistas a estão usando de uma maneira; os fascistas a usaram na Alemanha de outra maneira; todas as outras religiões a estão usando de diferentes maneiras. Mas essa vulnerabilidade está em todos os indivíduos: que você tem uma mente que você trouxe vazia. De fato, isso é uma bênção da existência – mas, mal utilizada, explorada.

Ela lhe é dada vazia para que você possa fazê-la perfeitamente subserviente ao seu coração, aos seus anseios, ao seu potencial. Não há nada de errado nisso. Mas os interesses investidos por todo o mundo encontraram nisso uma bela oportunidade para eles — para usar a mente contra o coração. Assim você permanece miserável e eles podem lhe explorar por todos os meios que quiserem.

Eis porque todo o mundo é miserável.

Todo mundo quer ser amado, todos querem amar; mas a mente é uma barreira tal que nem lhe permite amar, nem lhe permite ser amado. Em ambos os casos a mente fica no caminho e começa a distorcer tudo. E mesmo se por acaso você encontrar uma pessoa que você sinta amor por ela e a pessoa sinta amor por você, suas mentes não irão concordar. Elas foram treinadas por sistemas diferentes, religiões diferentes, sociedades diferentes.

Ser feliz é um direito inato de todos, mas infelizmente a sociedade, as pessoas com as quais estamos vivendo, que nos trouxeram para este mundo, não pensaram nada a respeito disso. Elas estão somente reproduzindo seres humanos como animais — até mesmo pior que isso porque pelo menos os animais não são condicionados.

Esse processo de condicionamento deve ser completamente mudado. A mente deve ser treinada para ser uma serva do coração. A lógica deve servir ao amor. E assim a vida pode se tornar um festival de luzes.

Osho, em "Beyond Psychology"

17 de janeiro de 2011

A verdade acontece a indivíduos

A maioria se compõe de idiotas, completos idiotas. Cuidado com a maioria. Se tantas pessoas estão seguindo alguma coisa, isso já é prova suficiente de que ela está errada. A verdade acontece a indivíduos, não a multidões.
Osho

Aqui e agora

Imagem por Joe Buckingham

A busca espiritual deve estar aqui e agora. É possível estar aqui e agora apenas quando não há nenhuma mente desejando. Do contrário, a mente desejosa cria uma oscilação, exatamente como um pêndulo. A mente vai para as memórias passadas ou para os desejos e sonhos futuros, mas nunca está aqui e agora. Ela sempre perde o ponto do aqui e agora. Vai de um extremo a outro – para o passado ou para o futuro – e você perde a realidade entre os dois pontos. A realidade está aqui e agora. Nunca está no passado nem no futuro. Está sempre no presente. Agora é o único momento, agora é o único tempo; ele nunca passa. Agora é eterno. Está sempre aqui, mas nós nunca estamos aqui. Ser um buscador espiritual significa estar aqui. Você pode chamar esse estado de meditação de ioga, de oração, mas, seja qual for o nome dado, isso não faz diferença. A mente não deve existir. E a mente existe apenas quando há passado ou futuro; do contrário, não há nenhuma mente.... Esse estado de não-mente é meditação. Você explode na realidade e a realidade explode em você.
OSHO
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