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Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

20 de março de 2011

A soberania da subjetividade (Parte I)


Tudo o que falamos e todos os nossos gestos são governados pela nossa subjetividade. Há uma dinâmica de forças interinas regente do nosso falar, do nosso fazer.

A escrita me ajuda a elaborar essa dinâmica. E no decorrer dessas elaborações, vou extraindo de mim todas as interferências obscuras, interferências que escurecem o discernimento e impedem a sanidade, tornando-me refém de mim mesmo.

O mesmo processo de elaborado saneamento – creio – ocorre no leitor... no leitor destituído de barreiras preconcebidas.

Ela, a subjetividade, atua como tirana ao ditar nosso código de conduta.

Por que a conduta precisa de um código? Indo mais além, por que tendemos a impor este mesmo código para a conduta de outras pessoas, principalmente das mais próximas?

A resposta é simples: porque quanto mais próximas as pessoas estão, mais o seu modo de vida nos afeta e, portanto, maior a necessidade de que tenham um modo de viver igual; eliminando, assim, possibilidades de questionamentos. Porque quanto mais pessoas seguem o mesmo código, mais avalistas existem para aquela conduta e maior valor ela agrega. E é assim que a validade daquela conduta se reafirma e se propaga no meio da população desavisada.

Quem funciona como avalista de uma conduta, paga um preço muito alto: a sua liberdade.
É uma verdadeira tirania, uma violência despótica de proporções inimagináveis, ocasionando degradantes conseqüências pessoais e sociais.

Senão, vejamos.

Uma conduta bem fundamentada, em princípios de liberdade e de respeito mútuo, jamais precisa ser imposta. Ela se deixa entrever em gestos que, muitas vezes, confundem-se como de uma personalidade nula, pois ‘servem’ como suporte ao engrandecimento alheio. Tão logo quem estava se sentindo pequeno e fraco torna-se grande e forte, suficientemente engrandecido para conseguir ‘andar pelas próprias pernas’, cessa a utilidade daquela ‘prestação de serviço’.

Em muitas ocasiões, deliberei anular minha personalidade em favor do outro. Por muitas vezes, esta deliberação foi interpretada como fraqueza.

Eles não estavam errados; pois, no decorrer do engrandecimento do outro, fui me apequenando e me aviltando. Apenas alguns perceberam a validade e a preciosidade do meu gesto. É com eles que, hoje, faço questão de manter contato. Para continuar 'servindo' sem me apequenar e sem me aviltar.

Porque o sentir-se grande ou pequeno é inconstante... tão permanentemente inconstante quanto o fato de que haverá noite... após o dia!

Liban Raach
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