Aviso aos navegantes

Este blog é apenas uma voz que clama no deserto deste mundo dolorosamente atribulado; há outros e em muitos países. Sua mensagem é simples, porém sutil. É uma espécie de flecha literária lançada ao acaso, mas é guiada por mãos superiores às nossas. À você cabe saber separar o joio do trigo...

29 de fevereiro de 2012

Imortalidade Consciente - O significado da religião


Capítulo II
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O SIGNIFICADO DA RELIGIÃO


Quando adoramos imagens e formas, de fato, estamos adorando a nós mesmos nessas imagens.

Paul Brunton: Vishnu, Shiva e outras Divindades existem mesmo?

Ramana Maharshi: Não somente as almas humanas individuais estão sendo conhecidas. Mas, em vez de perseguir a busca nessa direção, porque você não procura dentro de si mesmo? A quem essas idéias surgem? 

PB: No que diz respeito à ajuda de Deus no meu esforço, não é para ser ela alcançada pela adoração, prece, etc.? Não seria isso de grande auxílio? 

Ramana: A Graça de Ishvara, adoração a Ele etc., são os degraus intermediários adotados e necessários para serem adotados enquanto o alvo não for alcançado. Ao alcançá-lo, verá que não há diferença entre Deus e SER.

PB: Devo continuar a adoração ao ídolo? 

Ramana: Enquanto você pensar que é o corpo, não fará mal. Isso pode até levá-lo à concentração da mente. Procure mante-la num ponto só!

PB: Há um SER separado, Ishvara, que recompensa virtudes e castiga pecados? Ali há Deus?

Ramana: Sim.

PB: Tem Ele forma? Dissolver-se-á na Pralaya*?

Ramana: Pralaya é a mente mantida presa no Maya*.Se você pode, com todos os seus defeitos e limitações, elevar-se pelo Jnana* (conhecimento) a ter consciência do SER — que é além de todo Pralaya e Samsara*, não é razoável estar na expectativa de que Ishvara*, que é infinitamente mais inteligente que você esteja acima e além do Pralaya? Ilumine a si próprio através do autoconhecimento! 

PB: Terei de praticar Sandhya? (rituais religiosos cujo ofício é praticado pela manhã e à noite)

Ramana: Se você acha isso necessário, sem dúvida deve praticá-lo. 

PB: Os jovens que aprendiam as Escrituras na sua mocidade, à medida que envelheciam achavam isso detestável. 

Ramana: A reviravolta do gênio não é por causa da idade, mas por causa da carência de compreensão. Se estivessem corretamente orientados quando moços, apreciariam as Escrituras muito mais na idade madura. 

Para as massas, todos os credos não passam de introdução à real Verdade do SER. As religiões não são necessariamente a mais alta expressão ou a mais alta Sabedoria de seus fundadores, considerando as épocas em que viveram, inclusive, a capacidade mental do povo. A mais alta Sabedoria é por demais sutil para a maioria das mentes, de modo que too o esquema sobre o mundo, os deuses, os corpos, a evolução, etc., não deve ser rejeitado porque o povo parece achar mais fácil e preferível acreditar em todas essas coisas do que crer na mais simples Verdade cuja Realidade é uma só: — SER. Dessa maneira, consequentemente, a reencarnação, os planos astrais, a sobrevivência depois da morte, etc., se tornam verdades, embora apenas do ponto de vista inferior. Do mais alto ponto de vista, ou seja, do real SER, todo o resto desaparece como ilusório e somente a Realidade permanece. É verdade que o corpo astral sutil existe, porque no mundo dos sonhos, o corpo é necessário a fim de funcionar naquele mundo, que também é real, mas tão-somente no seu próprio plano, enquanto que um SER é sempre real, sempre e eternamente existente, quer estejamos disso cientes, quer não. Por isso é melhor procurar este, porque os outros seres-corpos só relativamente são reais. 

Um cristão comum fica satisfeito somente quando lhe falam que Deus está nalgum lugar longínquo do Céu — e não para que seja encontrado por nós mesmos exclusivamente; que somente o Cristo O conhecia e somente Ele pode salvar-nos. Por essa razão, quando Jesus afirma uma simples Verdade, que o Reino do Céu está dentro de nós, o cristão não está satisfeito e procura dar interpretações muito afastadas daquela afirmação. Somente a mente madura pode aprender uma simples Verdade em toda a sua nudez.

PB: O que o senhor pode dizer-me a respeito dos ídolos? 

Ramana: Eles têm profundo significado. Sua adoração é um método que faculta concentração mental. A mente está acostumada a trabalhar fora, externamente. Ela precisa ser detida e dirigida para dentro. Possui ela o hábito de guardar por muito tempo os nomes e formas de todos os objetos externos, que possuem nomes e formas. Tais nomes e formas são símbolos de concepção mental que desviam  a mente de seu curso habitual e levam-na para dentro de si mesma. Os ídolos, mantras, sílabas sagradas, rituais, etc., todos eles são alimentos que nutrem a mente em sua volta para dentro de si e, deste modo, tornam-na capaz de concentrar-se, somente antes que o estado supremo seja alcançado. 

Ishvara possui individualidade na mente e no corpo, ambos perecíveis, porém, ao mesmo tempo Ele te Consciência Transcendental e libertação intrínseca. 

Ishvara, Deus pessoal, ou Supremo Criador do universo, não existe. (Esta verdade vem do relativo ponto de vista para quem não compreendeu a Verdade última, para quem acredita na realidade de uma alma individual). Do ponto de vista do absoluto, o Sábio não aceita nenhuma outra existência, salvo a do SER impessoal Único e Sem Forma. 

Ishvara tem corpo material, forma e nome, embora não seja denso como é o corpo de matéria sólida. Ele pode ser percebido em visões na forma que o devoto o cria. Há diversas formas e nomes de Deus, variando de acordo com as religiões. Sua essência é igual à nossa. Somente o SER real é UM e sem forma. Portanto, as formas que Deus assume são apenas criações ou aspectos. 

Ishvara é imanente em cada pessoa e em cada objeto em toda a parte do Universo. A totalidade de todas as coisas e todos os seres constitui Deus. É um poder cuja fração tem-se tornado todo esse Universo, e cujo excesso fica em reserva. Tanto esse Poder em reserva quanto a energia manifestada como mundo físico, constituem juntos, Ishvara. Para adorar a esse Criador, o homem deve compreender a Natureza de Deus e a sua relação com Ele. Toda conduta moral, cada pensamento racional, é uma adoração correta para com esse Deus. 
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Paul Brunton - A Imortalidade Consciente - Editora EDC

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Pralaya, segundo a Teosofia, é o periodo de tempo do ciclo de existência dos planetas em que não ocorre atividade.
Maya (do sânscrito माया, māyā) é um termo filosófico que tem vários significados, mas em geral se refere ao conceito da ilusão que constituiria a verdadeira natureza do universo objetivo. Maya deriva da contração de ma, que significa "medir, marcar, formar, construir", denotando o poder do deus ou demônio de criar ilusão, e ya, que significa "aquilo".
Jñāna, também grafada como Gyāna (em devanagari: ज्ञान), é o termo sânscrito para conhecimento.
Samsara (sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação) pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.
Ishvara - A palavra usada como sinônimo de Deus no sânscrito, tem, em sua raiz, a ideia de "um ser com poderes extraordinários". Esta palavra, ou sua forma mais utilizada, é Ishvara, originalmente um título comparável ao "Senhor". Os hindus acreditam que Ishvara é Único.

Imortalidade Consciente - Além da Yoga


Capítulo I
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ALÉM DO YOGA

Milagres? Prodígios? Clarividência? Clariaudiência? O que isso representa? O maior milagre é a realização de SER. O homem realizado está acima disso. Leadbeater descreve centenas de vidas passadas percebidas por clarividência. Para que serve isso? Ajuda os outros ou ele mesmo a conhecer o SER? Você poderia estar agora na Inglaterra (astralmente) mas estaria em melhor situação? Não estaria nem um pouco mais perto da realização. 

Visões e sons que eventualmente possam surgir durante a meditação, devem ser encarados como distrações e tentações. Não se deve permitir a nenhum desses fenômenos desviar a atenção do aspirante e distraí-lo. 

Paul Brunton: As visões e sons místicos vêm depois que a mente estiver concentrada, quieta e em branco como antes? 

Ramana:  Tanto podem vir antes como depois. O importante é ignorá-los e prestar toda atenção somente no SER. 

Que bem pode resultar dos poderes ocultos? Vamos supor que você esteja exercendo todos esses maravilhosos poderes, ardentemente desejando algo e procurando satisfazer esse desejo. E quando um novo desejo surgir, irá desdobrar sua energia e atenção a isso. O resultado será apenas inquietação e aborrecimento da mente agitada. Se a felicidade for realmente seu alvo, terá que definitivamente largar sua diversão com poderes ocultos e procurar encontrar-se através da pergunta: "Que é que deseja a felicidade?"

PB: Por que sinto a paz na sua presença e, quando me afasto, ela não perdura? 

Ramana: Esses arrebatamentos são meros sinais da revelação constante do SER. Esta paz é nossa real natureza. E pelo contrário, somente as idéias estão sendo sobrepostas. É o verdadeiro yoga. Você pode dizer, no entanto, que essa paz pode ser adquirida pela prática. Frequentemente as pessoas compreendem mal o Samadhi▫ . Conta-se que um yogue passou centenas de anos em transe à beira do Ganges e, ao despertar, seu primeiro pensamento foi para a água que havia pedido ao discípulo antes de entrar em transe. A força do pensamento reassumiu sua ascendência, o êxtase lhe foi inútil. A real consecução, disse Maharshi, é estar PLENAMENTE CONSCIENTE, cônscio de seu meio-ambiente e das pessoas que o cercam, mover-se entre elas todas, mas não apagar sua consciência nesse arredor. E sim, permanecer na sua íntima e independente conscientização de tudo isso. Pois, SER é o mais elevado estado, e não ficar sentado em êxtase que nada faz senão parar a mente que tem de ser completamente destruída, e não apenas detida. 

O homem segue o curso de seus Samskaras². Quando pensa que ele é o SER, o ensinamento afeta-lhe a mente cuja imaginação corre desenfreada. Suas íntimas experiências estão conforme sua imaginação no estado de "eu sou o SER". Mas, quando ele estiver maduro para receber o ensino e a sua mente prestes a cantar louvores dentro do coração, o ensino participa dos trabalhos no corpo e o homem conscientiza o SER. Caso contrário, o esforço se impõe. 

O ocultismo e a teosofia de mãos dadas juntos rondam o mesmo alvo. Afinal, seus seguidores querem chegar ao SER. Seus dirigentes, porém, não lhes ensinam a meditar no SER. Para aguçar a inteligência dos outros aspirantes, os Vedas dizem: "Sendo o SER enuviado pelo Avarana, ou seja, coberto da ignorância, como no sono aparece no mundo dos fenômenos. Na realidade, o SER não está encoberto; apenas parece estar aos olhos das pessoas que acham ser o corpo". 

Quando as formas interferem no principal curso ou corrente da meditação, não se deve deixar que a mente fique distraída. Volte a meditar no SER, o Testemunho, e não se preocupe com semelhantes desatenções. Este é o único meio para lidar com tais intervalos. Nunca esqueça de si mesmo!

PB: O que seria se a pessoa meditasse ininterruptamente e não agisse? 

Ramana: Experimente e veja. Suas predisposições não lhe deixarão fazê-lo. Dhyana▫„ vem gradativamente, diminuindo aos poucos os Vasanas▫ pela Graça do Guru.   

Intelecto é o corpo astral. Nada mais é senão um agregado de certos fatores. E o que mais é o corpo astral? De fato, sem o intelecto nenhuma Kosa▫ teria sido conhecido. Quem diz que ali haja cinco Kosas▫? Não é o próprio intelecto? 

Não existe nenhuma espécie de pesar para quem deixou de ver através de seus sentidos físicos e começa a perceber todas as coisas à luz do seu próprio SER. Além do mais, esse pesar (da perda de sua mulher) não é uma indicação do verdadeiro amor. O amor que a pessoa tem para com objetos externos e formas não é o verdadeiro amor. O verdadeiro amor sempre tem permanência no próprio SER da pessoa. 

PB: Estando em meditação, vejo diante de mim lindas cores. É um verdadeiro deleite olhá-las. Nelas podemos ver Deus? 

Ramana: São meras concepções mentais. 

Objetos ou sentimentos ou pensamentos, quer dizer, todas as experiências, em meditação, não passam de concepções mentais. 

Quando Sundaresa Iyer, um professor local, descrevia experiências de Yoga que havia tido, inclusive visões da luz, repicar dos sinos, etc. Maharshi respondeu: "Elas vieram e foram embora. Apenas testemunhe, observe-as; eu mesmo tive milhares de experiências similares, mas ninguém para consultar a respeito". 

PB: Em visões concretas podemos ver Deus? 

Ramana: Sim. Deus é percebido na mente. A forma concreta pode ser contemplada, mas mesmo assim, dentro da própria mente do devoto. O motivo, porém, é apenas para que não se tenha o sentido de dualidade. É semelhante a uma visão do sonho. Depois de ter tido percepção de Deus, Vichara▫ começa acaba na conscientização do SER. Vichara▫ é um método que vem por último.

PB: Paul Brunton não viu no Senhor em Londres? Foi isso apenas um sonho?

Ramana: Sim, ele teve uma visão, todavia, ele me viu na sua própria mente.

PB: Não obstante, ele não viu esta forma concreta?

Ramana: Sim, mas ainda assim, isso era na própria mente dele. 

Guardando Deus na mente, todas as coisas circundantes se lhe tornam Dhyana (meditação). Esta é a última etapa antes da realização que sobrevém somente no SER. Dhyana tem que preceder a realização, não importa de que modo seja. Em qualquer dos dois que você meditar, seja sobre Deus ou mo SER, o alvo será o mesmo. 

PB: Através da poesia, música, etc., às vezes a pessoa experimenta o sentimento de gozo profundo. Isso poderia levar ao mais profundo Samadhi▫ e, no fim, à plena percepção do Real? 

Ramana: Por um aprazível vislumbre, você sentiu esta Felicidade. Felicidade é inerente ao SER. Esta Felicidade não é alienígena, nem muito distante. Você esteve mergulhado no puro SER na ocasião em que achou este estado aprazível. Desse mergulho resultou o vislumbre do SER-bem-aventurança existente. Contudo, é a associação de idéias responsável em provocar essa Felicidade, percebendo o que se passa ao lado. Mas, de fato, isso está dentro de você. Naquelas ocasiões você fica mergulhado no SER completamente inconsciente. Se você fizesse isso conscientemente, chamaria de Realização. Quero que você mergulhe conscientemente no SER, ou melhor, no seu próprio Coração. 

PB: Santa Tereza, assim como os outros, viu a imagem de Nossa Senhora mover-se. Ela a viu de fora. Os outros vêem as imagens de sua devoção flutuando na sua visão mental. Isto é, dentro deles. Não há diferença alguma de grau nesses dois casos? 

Ramana: Ambos indicam que a pessoa tem desenvolvido fortemente o ponto alto da meditação. Ambos os caos são bons e progressivos. Ai não há diferença de grau. Uma pessoa tem um conceito sobre a Divindade e, conforme esse conceito, cria imagens mentais e sente-a nessa imagem. Uma outra tem diferente concepção da Divindade na imagem mental e sente-a nessa imagem. O sentimento está dentro da pessoa em ambos os exemplos. 

PB: Quanto à experiência espiritual de Santa Tereza, era ela devota à figura de Nossa Senhora, que parecia ter vida à vista dela, fazendo com que a Santa ficasse em êxtase de felicidade.

Ramana: A figura animada preparou-lhe a mente para a introversão. É um processo de concentração mental na sua própria sombra que, em dado momento, adquire vida e responde às perguntas feitas a ela. Isso se deve a Manobala (poder da mente) dou Dhyanobala (poder da meditação), a qualquer que seja, a experiência sempre é externa e também temporária. Semelhante fenômeno pode provocar um deleite por algum tempo. Mas a paz permanece, isto é, Shanti, que não concorre para o resultado. Isso se obtém somente pelo descarte de Avidya (ignorância)
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Paul Brunton - A Imortalidade Consciente - Editora EDC
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  Samādhi (sânscrito ज्ञानकोश, samyag,"correto", ādhi, "contemplação") pode ser traduzido por meditação completa. 
▫ Samskaras ou sanskaras é um termo sânscrito, muito usado no hinduísmo que significa impressão ou sob influência de impressões remanescentes (são as tendências inerentes remanescentes de alguma propensão instintiva que influencia a pessoa).
▫ Dhyāna é um termo Sânscrito que se refere a um dos tipos ou aspectos da contemplação (meditação). é um conceito chave no Hinduismo e Budismo. Equivalente aos termos jhāna em Pāli, "chán" em Chinês, "seon" em Coreano, e "zen" em Japonês.
▫ Kosa — os cinco diferentes planos ou invólucros do SER.

Ruptura

Sofrer uma derrocada conscientemente é a maior aventura da vida. É o maior risco, porque não há nenhuma garantia de que a derrocada se transformará em uma ruptura. Ela se transforma, mas essas coisas não podem ser garantidas. 

O caos em que você se encontra é muito antigo — por muitas, muitas vidas você tem estado no caos. Trata-se de um caos espesso e denso. É quase um universo em si mesmo. Portanto, quando você o desafia com sua capacidade limitada, é claro que há perigo. Sem desafiar, porém, esse perigo, ninguém jamais se tornou integrado, ninguém jamais se tornou um indivíduo, indivisível.

 A meditação, é o método que irá ajudá-lo a passar através do caos, pela noite escura da alma, com equilíbrio, disciplinado, alerta.

O alvorecer não está muito longe, mas antes que lhe seja possível alcançar o nascer do dia, a noite escura precisará ser atravessada. À medida que a alvorada for se aproximando, a noite se tornará ainda mais escura.

Osho

O anulante paradigma "Quem sou eu?"

Em verdade vos digo que,
se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças,
de modo algum entrareis no reino dos céus.
Mateus 18.3

Na busca da compreensão de si mesmo, busca essa iniciada, quase sempre, após um nebuloso período de angústia, dor e profundo sofrimento psíquico, sai o homem batendo em inúmeras portas que lhe prometem soluções fáceis para o imenso tormento que rouba-lhe a alegria de viver. Em cada porta, depara-se ele com novos conhecimentos, conhecimentos estes que quando observados com profunda dedicação e seriedade, possibilitam o material necessário para o início do "ego-conhecimento", o qual é erroneamente conhecido como processo de auto-conhecimento. Este processo inicial de ego-conhecimento só é possível, graças ao estado de profunda humildade, atingido graças a enorme surra emocional imposta por seus tormentos e conflitos. Somente neste estado de profunda humildade, encontra-se o homem, livre de qualquer forma de resistência ou escolha e, através dessa liberdade, lhe é restaurada a saneadora "capacidade de escuta". Através desta capacidade de escuta — isenta de qualquer forma de resistência ou escolha — passa o homem a receber o necessário conteúdo para o início de sua "desprogramação", para a instalação de um processo de "descolonização de sua mente e coração", de um processo de libertação de toda forma de condicionamento, herdado, adquirido e por si mesmo alimentado dentro de seu limitado e adoentado ciclo parental/social. 

Inicialmente, motivado pela dor — ou mesmo pela lembrança de suas ataques passados — mesmo que o conteúdo do novo conhecimento que lhe fosse apresentado, soa-se como algo completamente estranho, sem sentido e, portanto, de difícil assimilação, por não ver outra opção, o homem a este conhecimento se dedica com total afinco, disciplina e determinação. Então, devido sua seriedade de entrega, sem que se perceba, pela constante prática meditativa sobre tais novos conhecimentos, quando menos espera, vê-se livre dos "tormentos iniciáticos" que o colocaram na senda do ego-conhecimento. A partir de então, começa ele a perceber, com profunda alegria e gratidão, que os medos que até então lhe roubavam as noites de sono, bem como a energia vital para o seu dia-a-dia, não mais exercem poder sobre ele. Ao contrário, a simples lembrança com relação a tais medos, quase sempre é vista como motivo de riso e de profunda gratidão, uma vez que, não fosse por esses medos, não teria encontrado as portas que lhe indicaram uma nova maneira de viver. 

Se a "dor iniciática" tiver sido vivida até o seu limite, se não tiver sido "narcotizada", se não tiver sido aliviada por algum mecanismo de fuga auto-escolhido — o que demostra seriedade por parte do homem —, este perceberá em seu devido tempo, o momento certo de, com gratidão, abrir mão das portas iniciais e seguir, de forma solitária, em direção à conhecimentos mais elevados, capazes de lhe mostrar de forma mais apurada, a sutileza e sagacidade do ego-humano. 

Se inicialmente, o medo e a preguiça eram as influências que podiam impedir o homem de seguir rumo ao desconhecido de si mesmo, agora, seus grandes inimigos passam a ser o orgulho intelectual, a soberba erudição e a estagnante respeitabilidade liderante. Não raro, é neste fétido pântano do "agora eu também sei que sei", que boa parte dos homens perdem a capacidade do exercício da escuta e da entrega incondicionada, as quais são insanamente substituídas pelo auto-engano da "liderança sacerdotal catequista", liderança esta alimentada pelo doença da codependência que mantém estagnados outros homens e mulheres, ainda vitimados pela ação do medo e da preguiça, que impedem o necessário processo de mudanças que traz libertação. 

Assim como a dor iniciática precisou ser levada ao seu ápice, do mesmo modo ocorre com a capacidade de escuta. Sem o ápice de qualquer uma das duas, não há como seguir viagem rumo a desconhecida natureza real do ser que o homem é.  Como pode o homem escutar algo que venha das profundezas do ser que lhe faz ser, quando se encontra preso pelo auto-engano do "agora eu também sei?", quando, por meio deste auto-engano, não se encontra nem se quer disponível para a escuta daqueles com quem mantém superficial contato? Essa poderosa armadilha do "agora eu também sei", quase sempre, coloca os olhos do homem nos limites da exterioridade, sempre voltados para a constatação do fato da insanidade social, o que gera em si, uma perigosa forma de dispersão que impede a continuidade do conhecimento das limitações impostas pelo seu próprio ego, no tocante ao interior de si mesmo. Dessa forma, na estagnante zona de conforto gerado pelo encontro com o "bom", o homem acaba abrindo mão de seguir viagem rumo ao portal do "melhor", o qual antecede o portal final, onde se depara com o paradigma da  "excelência", o qual torna nulo, todo conhecimento prévio adquirido ao longo do doloroso processo de ego-conhecimento. Só então, diante do portal do paradigma da excelência humana, é que o homem pode alcançar o nível do verdadeiro "auto-conhecimento", o qual só ocorre, quando as respostas para as perguntas "Quem sou eu?", "Quem é este que habita este corpo?", dissolvem por completo todo conteúdo observado e absorvido através dos estágios anteriores de ego-conhecimento. 

28 de fevereiro de 2012

A suave presença do Eu


A visão verdadeira — da natureza da natureza real do homem  — não é uma mistura de teorias, mas sim uma tremenda experiência. Ninguém que a tenha vivido uma vez, ainda que momentaneamente, jamais a poderá esquecer e não terá sossego enquanto não encontrar o meio de repeti-la...

Aqueles que julgam uma tolice cuidar da atitude espiritual antes de atender as atividades do mundo, colocam em primeiro lugar as coisas que devem estar em segundo. Para esses, como diz a escritura hindu: "Não há paz nem neste mundo, nem no próximo"...

O desenvolvimento espiritual não tem que ser essa coisa fortuita tão frequente em nós, mas um esforço sério e firme... Todo processo depende da prática...

Quem aspira a tentar conhecer seu Super-eu deve aprender a recolher-se em sua mente como a tartaruga se recolhe em sua concha. A atenção que até agora tem estado dispersa numa sucessão de objetos externos, deve agora estar concentrada num simples foco interno...

No centro de nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém, para atingi-lo, temos de abrir um canal através de todas as touceiras de pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar incessante atenção ao mundo material, tornando-o como única realidade...

Dominar a mente é dominar a si próprio. A alma que controla a maré crescente e sempre ativa dos pensamentos, pode vestir a farda de capitão e dar ordem a toda a Natureza...

Evocar o homem verdadeiro dentro de nós é evocar nossa inteligência espiritual. Quando podemos entender o que há por trás dos olhos que nos miram no espelho a cada manhã, entendemos então o mistério da vida...

Se nos detivermos a refletir com inflexível fixidez sobre o mistério que está me nós, o mistério divino no homem, ele finalmente nos confiará e revelará o seu segredo. Quando o homem começa a se perguntar o que ele é, já deu o primeiro passo num caminho que não terminará enquanto não obtiver resposta...

Enquanto esta integridade espiritual não for restaurada, o homem será sempre a vítima infeliz dos seus desejos e pensamentos contraditórios...

Embora o homem seja uno com o Poder Superior a que chamamos Deus, é certo que ele perdeu a consciência dessa unidade. E, enquanto não se esforçar para fazer meditações regulares, análises frequentes de si mesmo, orações sinceras para se desprender cada vez mais de sua vida externa, é pouco provável que recorde essa consciência divina...

Devemos transpassar com a broca da mente a crosta da atração do mundo físico e procurar descobrir a eterna realidade que a crosta oculta. Então, o segredo da vida, que tem desafiado os talentos brilhantes de homens ilustres, será descoberto e se tornará nossa jubilosa posse...

Temos estado tão absorvidos em nossos pensamentos egoístas, em nossos sentimentos pessoais e atividades físicas, que jamais procuramos fixar a consciência neste "algo" interno. Não temos tentado um instante sequer desprender-nos de nossos pensamentos, emoções ou ações. É por isso que nem mesmo de leve tocamos a questão de saber o que se passa no interior de nossa prisão de carne...

A prática da meditação, entretanto, nos possibilita os vestígios dessa "alguma coisa em nós" e descobrir o que somos na realidade. Nosso verdadeiro ser está sempre ali, mas a pressão de nossos pensamentos e a atenção contínua que prestamos às coisas exteriores através dos sentidos abafam a suave presença do Eu.

Gratidão - Louie Schwartzberg

Sobre tempo e jabuticabas


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como um menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre as vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. 

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena! Basta o essencial!

Autor: Anônimo

Chegou sem avisar…

Às vezes, uma visita inesperada traz mais aborrecimentos do que momentos agradáveis porque somos pegos desprevenidos. Mesmo assim, abrimos a porta de nossa casa, convidamos a se sentar e oferecemos o que temos disponível: um cafezinho com bolachas.

Na mercearia perto de casa, enquanto eu comprava uns recheios de sanduíche, uma senhorinha idosa e que mora sozinha, pediu dois pacotinhos de patê e comentou:

    Uma velha amiga foi me visitar ontem. Eu só tinha um saquinho deste patê. Fiz e servi. Ela comeu quase tudo.

    Bom... e agora a senhora está comprando dois... ela vai visitá-la novamente? Emendei em tom amistoso.

Ela me respondeu, brava e severamente:
    Tomara que não!

A gratificação em acolher um visitante na própria casa estaria se extinguindo? Estará extinta a faculdade de compartilhar a companhia de uma visita inesperada, em conversa despretensiosa, entremeada de bem-querer indizível?

Fomos muito mal acostumados em oferecer, apenas, para quem supomos obter algo em troca, enquanto negamos a oferta para quem tem dela precisão. Construímos nossas personalidades através desta troca de moedas falsas.

Fomos mal habituados em tecer conjecturas sobre os aspectos de caráter malicioso que podemos inferir de um gesto ao invés de favorecermos a compreensão em considerações mais amorosas. Fica impossível entremear com o mínimo de benquerença qualquer relação quando estamos tomados por conjecturas sobre, tão somente, aspectos práticos e egóicos.

Enquanto prevalecer o pragmatismo em nós, ser-nos-á negada a apreensão do significado inusitado da frase:

“Àquele que tem será acrescentado e terá em abundância, mas àquele que não tem, mesmo o pouco que tem lhe será tomado”.

Pragmáticos, tenderemos a nos incapacitar a cada dia que envelhecemos... tenderemos a envelhecer incapacitados... incapacitados em comungar de uma conversa simplória, regada a cafezinho com bolachas.

LibaN RaaCh

27 de fevereiro de 2012

Filme: Pleasantville - A Vida em Preto e Branco


Título original: (Pleasantville)
Lançamento: 1998 (EUA)
Direção: Gary Ross
Atores: Tobey Maguire, Reese Whiterspoon, Jeff Daniels, William H. Macy.
Duração: 108 min
Gênero: Drama

Sinopse
Nos anos 90 David (Tobey Maguire) é um jovem solitário, que não é feliz com sua vida e foge da realidade assistindo "Pleasantville", um seriado em preto e branco dos anos 50 onde tudo é agradável. Mas tudo muda bruscamente quando Jennifer (Reese Whisterpoon), sua irmã, que sexualmente muito mais ativa que David, briga com ele pela posse de um estranho controle remoto, que apareceu através de um igualmente estranho técnico de televisão (Don Knotts), que chegou repentinamente logo após eles terem quebrado o antigo controle. Durante a briga eles apertam o novo controle e são magicamente transportados para dentro da fictícia "Pleasantville" e lá se tornam Bud e Mary-Sue Parker, dois personagens da série. Eles de repente se vêem em um mundo todo em preto e branco. David leva alguma vantagem sobre sua irmã, pois como conhece muito bem o seriado, sabe quem são estes novos "conhecidos" e qual a importância que eles têm na vida de Bud e Mary-Sue Parker. Sob estes nomes fictícios, tornam-se filhos George Parker (Wiliam H. Macy) e Betty Parker (Joan Allen), que são pais adoráveis em um lugar onde todos são felizes, não há sexo e ninguém nunca precisa ir ao banheiro. David quer sair da situação como também a irmã dele, mas considerando que ele tenta se enturmar (sem esforço, com o conhecimento dele), ela faz o que ela gosta de fazer. Um evento conduz o outro e de repente uma rosa vermelha cresce e logo mais regras são quebradas e surgem novas cores e, se tudo não é tão agradável, com certeza tem mais emoção. Mas inicialmente nem todos gostam destas mudanças.

O despertar da vida espiritual







Seja EU SOU, Viva no EU SOU - Mooji

O Amanhã Nunca Se Sabe

Do álbum: REVOLVER - 1966 - The Beatles

"Desligue sua mente, relaxe e flutue correnteza abaixo
Isso não é morrer, não é morrer
Abandone todos os pensamentos, renda-se ao vácuo
Está brilhando, está brilhando
Você ainda pode ver o significado do interior
Isso é ser, é ser
O amor é tudo e o amor é todo mundo
Isto é saber, isto é saber
E a ignorância e o ódio velam os mortos
Isso é crença, é crença
Mas ouça a cor de seus sonhos
Não está indo embora, não está indo embora
Logo, jogue o jogo da Existência até o fim
Do início, do início"

O limiar da observação consciente

Busque um estado de observação consciente que desconfia, adverte, deixa de lado e segue além dos velhos padrões comportamentais de pensamentos, sentimentos e reação; que não se identifica com a mecânica trama de busca de distração, produtora de inconfessáveis anseios e medos, a qual é fonte de inesgotável conflito, com sua consequente perda de energia vital. Busque um estado de observação consciente capaz de trazer a libertação de toda forma de apego, que liberte da ilusória e somática identificação corporal; um estado de observação, cujo foco encontra-se no Ser, no Sopro que nos habita e pelo qual, somos. Busque esse estado de observação consciente que nos liberta da escravidão causada pelo indevido foco nas ocorrências externas, em efêmeras e transitórias buscas egocêntricas que não resistem à ação do tempo e espaço. Busque um estado de observação consciente que não se apega aos limites impostos pelos nomes, palavras e formas; que não está restringido pelos conceitos, idéias, aparências, ocupações contraditórias, a transitoriedade dos desejos, as expectativas e sensações e que, não dá realidade, ao fluxo das constantes imagens, auto-induzidas, que surgem na tela da mente condicionada. Busque um estado de observação consciente que aponte para a percepção direta de que a única realidade, que não é limitada pela ação do tempo, portanto, não transitória, é o Ser no qual somos; realidade esta que, em última análise, é o único estado capaz de lhe brindar com segurança real, fluidez, frescor, felicidade e liberdade de idéias, ações e ilusórios desejos. Só então, o buscador e a busca, cessam de existir. Observe e absorva, isso, por si mesmo.  

Busque o que é real em você

Conhecer o ser real de si mesmo é uma bem-aventurança, esquecê-lo é dor... O absoluto tem que ser experimentado, não discutido. 

Ver o falso como falso é meditação. Isto deve continuar o tempo todo. O exercício diário, deliberado de discriminar entre o verdadeiro e o falso, é meditação... Estabeleça-se firmemente na Consciência de "eu sou". Este é o princípio e também o fim de todo esforço.

A meditação o ajudará a encontrar os seus limites, a afrouxá-los, desatá-los e a soltar suas amarras. Quando já não estiver apegado a nada, você terá feito a sua parte. O resto será feito por você... Tudo o que sei é que o que depende de algo, não é real. O real é verdadeiramente independente. 

Para conhecer o que você é, você primeiro tem que investigar o que você não é. E para conhecer o que você é deve vigiar a si mesmo, cuidadosamente, rechaçando tudo o que não tenha relação necessária com o fato básico: eu sou... A ausência de desejo e de medo o levará ali. 

O Supremo é o mais fácil de alcançar porque ele é o seu próprio ser. Basta para de pensar e desejar qualquer outra coisa senão o Supremo... Busque em você mesmo O permanente. Aprofunde em seu interior e encontre o que é real em você... Lute para descobrir o que é na realidade... Tente simplesmente, comece; não é tão difícil como você pensa.

26 de fevereiro de 2012

Imortalidade Consciente - Silêncio, Mente e Ego

Silêncio, Mente e Ego

AQUIETE-SE, NÃO PENSE E SAIBA QUE EU SOU!

Devoto: Qual caminho o Senhor nos aconselha a tomar? Necessitamos da sua Graça. Bhagavan: Aquiete-se, não pense e saiba que EU SOU. (Do livro A Imortalidade Consciente, Paul Brunton, traduzido por Zofia Gaffon, p.27)

SILÊNCIO E SOLIDÃO

Devoto: O que é Mouna? Bhagavan: Mouna (Silêncio) é aquele estado que transcende a fala e o pensamento; é meditação sem atividade mental. Submissão da mente é meditação: a meditação profunda é uma eterna conversa. O Silêncio está sempre falando; ele é o eterno surgir da “linguagem”. As palavras interrompem esta muda “conversa”. As leituras podem distrair o indivíduo por horas sem melhorá-lo – o Silêncio, entretanto, é permanente e beneficia toda a humanidade. A Eloquência exprime-se pelo Silêncio – o Silêncio é incessante Eloquência...Ele é a melhor linguagem. Há um estado em que todas as palavras cessam e o Silêncio prevalece. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 9)

O CONTROLE DA MENTE

Bhagavan: O SER é o coração, Autoluminoso. A iluminação surge do coração e alcança o cérebro, que é a sede da mente. O mundo é visto com a mente – assim, você vê o mundo pela luz refletida do SER. Quando a mente é iluminada, ela está consciente do mundo; quando não, ela é inconsciente do mundo. Se introvertermos a mente em direção à Fonte de Iluminação, o conhecimento objetivo cessa , e o SER brilha sozinho, como o Coração. A lua brilha pelo reflexo da luz do Sol. Quando o Sol se põe, a lua nos ajuda a distinguir os objetos. Quando o Sol nasce, nenhuma necessidade há da lua, embora ela esteja visível no céu. Assim é com a mente e o Coração – a mente torna-se útil pela sua luz refletida – e é usada para que possamos ver os objetos. Quando dirigida para dentro, ela mergulha na Fonte da Iluminação, que brilha por si mesma, e a mente, então, é como a lua vista durante o dia. Quando escurece, uma lâmpada é necessária para fornecer luz. Mas quando o Sol surge, a lâmpada se torna inútil; os objetos são visíveis. E para ver o Sol, nenhuma lâmpada é necessária, basta que você vire seus olhos em direção a ele. Assim é com a mente: para ver os objetos, a luz refletida da mente é necessária. Para ver o Coração, é suficiente que a mente se volte para ele – então, a mente não é mais necessária, pois o coração é Autorrefulgente. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 11)

AUTOSSUBMISSÃO É O MESMO QUE AUTOCONHECIMENTO

Devoto: Como pode a mente rebelde tornar-se calma e tranquila? Bhagavan: Ou pesquisando a sua fonte, até que ela (a mente) desapareça, ou submetendo-se ao Mestre, de tal maneira que ela possa ser aniquilada. Autossubmissão é o mesmo que Autoconhecimento, e qualquer um dos métodos implica necessariamente, em autocontrole. O ego somente se submete quando reconhece o Poder Supremo. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 13)

O EGO É A FONTE DE TODA A INFELICIDADE

Bhagavan: A causa de sua miséria não está na sua vida – está em você como ego. Você impõe limitações a si mesmo, e depois faz um vão esforço para superá-las. Toda infelicidade deve-se ao ego; dele vem todos os seus problemas. De que vale atribuir aos acontecimentos da vida a causa da miséria que está realmente dentro de você? Que felicidade pode você obter de coisas estranhas a você próprio? Quando você as obtiver, quanto tempo irá durar? Se você negar o ego, e exterminá-lo, ignorando-o, estará livre. Se você aceitá-lo, ele imporá limitações a você, e o arremessará num inútil esforço para transcendê-las. SER o EU que você é realmente é o único meio de realizar a Benção, que é sempre sua. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 28)

O MUNDO NADA MAIS É QUE A MENTE

Questões sobre a realidade do mundo e sobre a existência da dor ou do mal do mundo cessarão quando você indagar “Quem sou eu?” e encontrar aquele que vê. Sem o vidente, o mundo e o mal alegado não existirão. O mundo surge a partir da forma das cinco categorias de objetos dos sentidos e de nada mais. Estes cinco tipos de objetos são captados pelos cinco sentidos. Como todos eles são percebidos pela mente através desses cinco sentidos, conclui-se que o mundo nada mais é que a mente. Por acaso existe mundo independente da mente? Se a mente, que é a fonte de todo “conhecimento e atividade” desaparecer, a visão do mundo também desaparecerá. Aquilo que realmente existe é apenas Eu (Divino). O mundo, o eu individual ou ego (jiva) e o Deus pessoal (Iswara) são criações mentais. Todas elas aparecem simultaneamente e desaparecem da mesma forma. O Eu (Divino) inclui tudo: o mundo, o ego e o Deus pessoal. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p. 5) A MENTE Bhagavan certa vez apontou para sua toalha e disse: “Chamamos isso toalha branca, mas a toalha e sua brancura não podem ser coisas separadas; o mesmo se observa entre a iluminação e a mente que se unem para formar o ego. Outra ilustração pode ser feita com o ferro incandescente o qual é comparado a mente. O fogo se identifica com o ferro e este fica rubro e quente. Ele incandesce e pode queimar muitas coisas tal como o fogo faz, mas apesar disso mantém um formato definido, o eu não se vê no fogo. Se o malharmos será o ferro que receberá a pancada, não o fogo. O ferro incandescente é o ego (jivatman) e o fogo propriamente dito é o Eu (Divino) ou Paramatman. A mente nada pode fazer sozinha. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.6) O QUE É MEDITAÇÃO? Bhagavan: Meditação é Brahman. Diz-se que para libertar-se dos males que são criados pela mente, alguma prática religiosa deve ser adotada, e com base nisso, a meditação deve ser praticada. Conforme você continua praticando os males desaparecerão. E, depois que eles desaparecem, a própria meditação se torna estável como Brahman. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.85)

PERTURBAÇÃO DURANTE A MEDITAÇÃO

Devoto: Suponhamos que haja perturbação durante a meditação, tal como picadas de mosquito. Deveremos persistir na meditação e procurar ignorar a interrupção, tentando suportar as picadas, ou espantar os mosquitos e, então, continuar meditando? Bhagavan: Você deve fazer o que achar mais conveniente. Você, não atingirá a libertação simplesmente por abster-se de espantar os mosquitos nem lhe será negada a libertação simplesmente porque os espantou. O caso é obter o unidirecionamento e, então, atingir mano nasa. Quer você faça isso suportando as picadas de mosquito ou espantando-os, só depende de você. Se estiver completamente absorto na meditação, não perceberá que os mosquitos o estão picando. Enquanto você não atinge tal estado, por que não espantar os mosquitos? (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.7)

RENÚNICIA

Devoto: Nas fases iniciais (do caminho espiritual) não será de auxílio para o homem buscar a solidão e abandonar seus deveres na vida? Bhagavan: A renúncia está sempre na mente, não em ir para as florestas ou lugares solitários ou abandonar os próprios deveres. A meta principal é fazer com que a mente não se volte para o exterior, e sim para o interior. Na verdade, não depende do homem se ele vai para este ou aquele lugar ou se ele abandona seus deveres ou não. Tudo isso acontece de acordo com o destino. Todas as atividades que o corpo tenha que desempenhar são determinadas quando ele vem a essa existência. Não depende de você aceitá-las ou rejeitá-las. A única liberdade que se tem é a de voltar sua mente para o interior e renunciar às atividades. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.16)

VIVER SEM EGO

Um devoto perguntou a Ramana: “O que acontece quando o ego fenece como uma vela que se apaga?” A resposta de Ramana foi bastante tranqüilizadora: “É apenas então que a porta da Bem-aventurança sem limites se abre”. É necessário o máximo de coragem para dar o mergulho. E por que este medo tão profundamente arraigado? Para aquele que transcendeu o ego não há compulsão de desejo, ambições a serem cumpridas e nem metas a serem alcançadas. Entretanto, age com um entusiasmo que é ao mesmo tempo exemplar e contagiante. Mas tal ação é sem esforço, já que nele o sentimento de ser o fazedor da ação foi totalmente eliminado. Suas ações são ações de Deus. Por isso, assim Ramana orou a Arunachala: “Ordenai que meu fardo seja vosso e não mais meu, para que seja uma tarefa do Senhor, o Grande Mantenedor!” O ego é um obstáculo à Autoinvestigação e, por isto, deve ser “desenraizado”. Este o motivo pelo qual Bhagavan dizia que a Autorrealização não é algo novo a ser obtido mas um estado já existente — a ser revelado. Ele o comparava a um céu nublado — o céu claro não tem de ser criado, basta apenas que as nuvens que o encobrem sejam afastadas. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.33)

INTUIÇÃO E INTELECTO

Devoto: É somente pelo desenvolvimento do intelecto que a intuição pode ser obtida? Na verdade, a perfeição do intelecto é a intuição, não é assim? Bhagavan: Como pode ser isso? O mergulho do intelecto na fonte de onde surgiu dá lugar à intuição, como você diz. O intelecto somente é usado para ver as coisas externas, o mundo exterior. A perfeição do intelecto conduz apenas à boa visão do mundo exterior. Mas o intelecto não é usado para se ver o interior, para voltar-se para o SER. Para isso, ele terá de ser extinto ou morto ou, em outras palavras, ele deve mergulhar na Fonte de onde despertou. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)

NÃO SÃO OS OLHOS QUE VEEM

Devoto: Fechar os olhos durante a meditação é eficiente? Bhagavan afirmou: “Os olhos podem estar fechados ou abertos, como acharmos melhor. Não são os olhos que veem. Há Um que vê através dos olhos. Se nós nos voltarmos para o interior e não olharmos através dos olhos, estes podem estar abertos e, ainda assim, nada será visto. Se conservarmos os olhos fechados, não nos importará se as janelas deste quarto estiverem abertas ou fechadas.” (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)

Fonte:

http://www.aluznocaminho.org.br/novo/bhagavan-sri-ramana-maharshi/o-ensinamento/silencio-mente-e-ego

A Resposta Para Absolutamente Tudo


"Como chegar àquilo a que as palavras mal podem dar expressão?"
Clarice Lispector

A pista para resposta pode estar no video acima...ou não, isso é com você!

Alcoolismo e meditação

[Osho a um discípulo:] Você quer perguntar alguma coisa?
[
Discípulo:] Não, na verdade não... exceto confessar algo a respeito do qual gostaria de ser ajudado. Eu bebo demais. Preciso parar com isso?

[Osho:] Não, não, não há necessidade de parar agora. Isso se tornou um hábito há tanto tempo que, parando, criará problemas. Já entrou no corpo. Não precisa se preocupar. Apenas admita isso e não se sinta culpado.

Dê pelo menos duas horas por dia para a meditação e, então, pouco a pouco, você se tornará tão silencioso e feliz, tão despreocupado, que o desejo de beber começará a desaparecer.

Quando o desejo começar a desaparecer, comece a reduzir o consumo; antes disso, não. Se você fizer isso antes, será destrutivo para o corpo. Se você forçar isso, criará um conflito interior. E tudo o que reprimimos acaba tirando revanche.

Assim, se por dois ou três dias você se reprimir, no quarto dia você beberá, e beberá demais. Isso é inútil. Por isso, não se preocupe. Em vez de lutar contra, comece a meditar.

Beber simplesmente mostra que tem havido problemas, problemas que você não conseguiu resolver... preocupações das quais não houve escapatória. O único meio que você pôde encontrar foi tornar-se inconsciente. Esse é um expediente para se livrar dos problemas e das preocupações. E existem preocupações e problemas na vida.

Assim, agora, a única coisa que pode ajudar é esquecer tudo a respeito disso. Até mesmo esta ideia - de que é preciso abandonar a bebida - abandone-a também. Aceite-a. Isso aconteceu, e agora o passado não pode ser mudado, portanto não fique preocupado.

Não crie uma nova preocupação. Simplesmente medite e torne-se cada vez mais silencioso. Então verá que o desejo de beber, pouco a pouco, desaparecerá.

Tenho visto desaparecer em muitas pessoas. Chega um momento no qual você não pode mais beber - só então abandone a bebida, antes não. Na verdade, você não a abandona; ela cai por si mesma.

Sou sempre a favor dos métodos muito naturais a respeito de tudo. Sou contra todos os sentimentos de culpa e não quero criar sentimentos de culpa em ninguém. Foi assim que a vida aconteceu para você. O que você pode fazer? Não há nenhum sentido em lutar contra isso, mas há um meio de mudar a visão interior.

Por exemplo, se você se tornar mais feliz e mais silencioso, você não será capaz de beber muito, porque para beber a pessoa precisa estar muito, muito infeliz. No fundo, alguma infelicidade precisa existir; e, então, podemos afogá-la na bebida.

Ela parece dar uma certa felicidade. Mas não dá. Ela simplesmente afoga a infelicidade, assim uma falsa felicidade é criada. Mas se você se tornar feliz, você parará de beber, porque, então, a bebida afogará a sua felicidade e o tornará infeliz. Então o processo inteiro se inverterá.

Assim, não pense nisso em termos de confissão. Isso não é um pecado. Existem erros na vida, falhas, mas nada é um pecado. E todo mundo tem que passar por muitos erros, porque esse é o único jeito de aprender e crescer.

Portanto, simplesmente aceite a si mesmo. Nestes últimos dias da sua vida não há necessidade alguma de criar qualquer conflito interior. Apenas aceite tudo o que está aí. Seja natural a respeito disso e não tente mudar a si mesmo por qualquer meio exterior.

Continue a meditar e muitas coisas começarão a acontecer. Quando elas acontecerem, então estará bem.

Se você continuar a meditar antes de abandonar esse corpo, ficará completamente livre da bebida e de outras coisas. Não há nenhum problema a respeito disso. Mas se você tentar deixá-las, nunca ficará livre. Você pode condicionar sua mente de um tal modo que na sua próxima vida poderá continuar bebendo.

Um conflito o divide. Uma parte quer beber e a outra lhe diz: "Não beba." É como se eu estivesse tentando travar uma luta entre minhas duas mãos. Algumas vezes, poderei deixar a mão direita vencer e, noutras, a mão esquerda, porque ambas são minhas. A vitória não é possível.

E é simplesmente tolice lutar, porque as duas são você. A parte que bebe e a que diz que gostaria de deixar a bebida ou que se sente culpada, ambas são você.

Não divida. A divisão não leva a lugar algum. Cria fricção e dissipa a energia. Nesses últimos dias de sua vida, você precisará de mais energia, por isso a dissipação não será boa. E é tolice também. Nunca ajudou ninguém.

Assim, simplesmente aceite as duas e deixe que sejam uma só. Simplesmente diga: "Este é o jeito que eu sou." Não faça disso uma confissão, porque a própria palavra carrega algum tipo de culpa em si. Não há necessidade de confessar. Esse é o jeito que você é, ou é o jeito que Deus o fez, e você o aceita.

Toda a minha ênfase é na meditação, não no caráter, porque o caráter é uma coisa exterior. Se o interior muda, o exterior o acompanha, mas não vice-versa. Você pode mudar o exterior, mas o interior não o acompanhará, porque o interior é mais poderoso do que o exterior. É como quando você caminha e sua sombra o segue. O caráter é como uma sombra.

Mas o inverso não é possível - a sombra caminhar e você segui-la. Isso não é possível. A sombra não pode caminhar, em primeiro lugar. Em segundo, mesmo que ela caminhasse, não haveria necessidade alguma de você segui-la. Para quê?

Geralmente as religiões têm enfatizado o caráter. E é por isso que criaram a hipocrisia e nada mais. As pessoas não podem mudar o caráter - e a religião continua a forçá-las a fazerem isso. Assim, a única coisa possível, humanamente possível, é ter uma face e mostrar outra. Elas bebem e nunca dizem em público que fazem isso. Fazem coisas em sua vida privada e têm uma face pública.

Foi assim que a humanidade inteira tornou-se hipócrita - uma multidão de fingidos, não autênticos, falsos - e a responsabilidade é das igrejas, das religiões e dos padres.

Minha ênfase não é no caráter, em absoluto. Digo que o caráter tomará conta de si mesmo. Simplesmente tente contactar-se com seu centro mais profundo, com seu ser essencial. Isso é o mais fundamental. Uma vez que você esteja em contato com ele, as coisas começarão a mudar na sua vida - e sem qualquer esforço; essa é a beleza.

Se você mudar com esforço, será algo forçado. Será como se você estivesse forçando um botão de flor a se abrir. Você pode forçá-lo e ele se parecerá com uma flor, mas não será uma flor verdadeira.

Assim, deixe que o florescimento seja espontâneo; simplesmente medite.


Sobre a arte de saber ouvir

Nós não ouvimos. Há muitos ruídos em nossa volta; dentro de nós, há muita conversa, muitos questionamentos, muitas demandas, muitas urgências e compulsões. Temos tantas coisas e nunca ouvimos totalmente, completamente a nenhuma delas até o fim. E se você gentilmente ouvir, verá que apesar se si mesmo, a mutação, esse vazio, essa transformação, a percepção do que é verdade, surge. Você não precisa fazer nada, porque o que fizer vai interferir, pois você é ganancioso, invejoso, está cheio de ódio, ambição, e todos os prejuízos que o pensamento pode fazer.

Assim, se você puder ouvir feliz, sem esforço, então talvez no silêncio calmo e profundo saberá o que é verdade. E só essa verdade liberta, e nada mais. É por isso que você tem que ficar completamente sozinho. Não pode escutar pelo outro; não pode ver com os olhos do outro; não pode pensar com os pensamentos do outro. Mas contudo você ouve pelos outros, vê através de atividades, de santos, do que outros ditam. Assim, se você puder afastar todas essas coisas secundárias, as atividades dos outros, e ser simples, calmo, e ouvir, então você descobrirá.

Jiddu Krishnamurti

25 de fevereiro de 2012

Sobre a Mente Infinita

É essa Mente Infinita que foi chamada de Deus, Espírito, Brahman, e assim por diante. Ele tem que obter o conhecimento de que seu próprio e pequeno fluxo de consciência individual fluiu dessa grande fonte e futuramente a ela retornará e nela desaparecerá. Isso é a Verdade. Este Ser universal, impessoal, é o que todos buscam. Aqueles que o buscam conscientemente são as pessoas que assumiram na Busca. Aqueles que estão atrás dele inconscientemente entram na bebida e outros prazeres dos sentidos e procuram as tentações desse mundo tentador.

Os Cadernos de Paul Brunton , volume 13

Meditações sobre a Verdade

Tendes que ser "impiedosos" com vós mesmos e viver no "verdadeiro estado de investigação". A menos que vos investigueis profundamente, em vosso interior, não tendes a possibilidade de descobrir o que é verdadeiro. Ninguém vos pode levar a esse descobrimento - ninguém! - e, por conseqüência, nenhum sistema. A verdade não é uma coisa estática, que fica à vossa espera, enquanto seguis um sistema uniforme, enquanto praticais dia a dia um certo método, enquanto aprimorais a vossa mente e o vosso coração para alcançar aquele estado a que chamais "a verdade". A Verdade não espera por vós!

Não procureis um caminho, um método. Não há métodos nem caminho para a verdade. Não procureis um caminho, mas tornai-vos apercebidos do obstáculo. O apercebimento não é apenas intelectual; é simultâneamente mental e emocional; é a plenitude da ação. Então, nessa chama de apercebimento, todos esses obstáculos se desmoronam porque os penetrastes. Então podereis perceber diretamente, sem escolha, aquilo que é verdadeiro. A vossa ação será assim oriunda da plenitude e não da insuficiência da segurança; e nessa plenitude, nessa harmonia da mente e do coração, está a realização do eterno.

Só os indivíduos amadurecidos encontrarão a Verdade. Aquele que alcançou a madureza não segue caminho algum, seja o caminho dos Adeptos, seja o caminho do saber, da ciência, do devotamento ou da ação. O homem que foi posto num determinado caminho, não está amadurecido e não encontrará, jamais, o Eterno, o atemporal... Aqueles de nós que estão seguindo determinados caminhos, tem interesses adquiridos, interesses mentais, emocionais e físicos, e esta é a razão porque achamos tão difícil o amadurecer; como nos será possível abandonar aquilo que estamos apegados há cinqüenta ou sessenta anos?... Mas, vós vos entregastes a uma organização, da qual sois presidente, secretário ou simples membro... O homem que se entregou a um determinado caminho ou norma de ação, está preso a sistemas, e não encontrará a Verdade. Através da parte nunca se encontra o todo. Através de uma estreita fenda da janela, não podemos ver o céu, o céu maravilhoso e brilhante, e só pode ver com clareza o céu o homem que está de fora, longe de todos os caminhos, de todas as tradições, e nesse homem há esperanças...

A todo aquele que deseja descobrir a verdade, o real, o eterno, cumpre que abandone todos os livros, sistemas, "gurus", pois aquilo que deseja achar só se achará quando compreender a si próprio. É a Verdade que liberta; não o meio, ou o sistema. Só a Verdade pode libertar-nos. A compreensão apenas pode vir quando não estamos seguindo alguém, quando não existe a autoridade de espécie alguma - seja a autoridade da tradição, seja a autoridade dos livros, do guru, da nossa própria experiência. Nossa experiência é resultado de nosso condicionamento, e tal experiência não pode ajudar-nos a descobrir o que é a Verdade.

Visto que a nossa mente está, em geral, narcotizada pelas idéias de outras pessoas e pelos livros, e visto que está constantemente a repetir o que outro disse, tornamo-nos repetidores e não pensadores. Se citais o Bhagavad-Gita, ou a Bíblia, ou os livros sagrados chineses, por certo não fazeis mais do que repetir. Não achais? E o que repetis não é a Verdade. É uma mentira, pois a Verdade não pode ser repetida. Uma mentira pode ser ampliada, encarecida e repetida, mas a Verdade não pode; e enquanto repetis a Verdade, deixa ela de ser a Verdade, e por isso são destituídos de importância os livros sagrados, uma vez que através do autoconhecimento, através de vós mesmos, podeis descobrir o eterno.

Para mim, a verdade, essa integridade de que falo, acha-se em todas as coisas. Portanto, a idéia de que necessitais progredir em direção a realidade, é uma idéia falsa. Não se pôde progredir na direção de uma coisa que sempre está presente. Não se trata de avançar para o exterior ou de voltar-se para o interior, mas sim de se libertar dessa consciência que se percebe a si mesma como separada. Quando houverdes realizado tal integridade, vereis que tal realidade não têm ela futuro nem passado; e todos os problemas relacionados com tais coisas desaparecem inteiramente. Uma vez que o homem realize isso, vem-lhe a tranqüilidade, não a da estagnação, porém a da criação, a do ser eterno. Para mim a realização desta verdade é a finalidade do homem.

Algumas pessoas vão à Índia, mas não sei por que fazem isso: a verdade não está lá; o que está lá é a fantasia, e a verdade não é uma fantasia. A verdade está onde você está. Não em algum país estrangeiro, mas onde você está. A verdade é o que você está fazendo, como está se comportando. Está aí, não nas cabeças raspadas e naquelas bobagens que os homens têm feito.

Os que desejam deveras descobrir a Verdade relativa aos seus problemas, devem, naturalmente, por à margem tudo quanto é autoridade. Isto é dificílimo, porque quase todos nós estamos cheios de temor. Precisamos de alguém para nos escorar, para nos dar coragem; precisamos do "irmão mais forte" - aquele que mora na Rússia, ou na Inglaterra, ou na América, ou do outro lado do Himalaya, ou "ali na esquina". Todos precisamos de alguém para ajudar-nos. Enquanto estivermos encostados em alguém, nunca chegaremos a compreender o "processo" do nosso pensar; negaremos, assim, a nós mesmos, o descobrimento da Verdade.

Ansiamos a segurança e esse anseio é um obstáculo à nossa libertação pelo conhecimento da Verdade. Cada um de nós deseja submeter-se a algum padrão; porque a submissão é mais fácil do que a vigilância. A submissão a padrões representa a base de nossa existência social, pois temos medo de estar sós. O temor e a renúncia a pensar acarretam a aceitação e a submissão, a aceitação de autoridade. Tal como acontece com o indivíduo assim também acontece com o grupo, com a nação.

Só pode manifestar-se a Realidade quando a mente percebe o seu próprio processo, percebe o quanto está condicionada, e quanto está livre do seu próprio processo de reconhecimento. Só então há possibilidade de a mente ficar tão tranquila que seja capaz de receber aquilo que é a Verdade. A Verdade é atemporal. Não depende do tempo. Por conseqüência, não pode ser aprendida e guardada para uso, ou lembrada e seu nome repetido. Por conseguinte, a Verdade é criadora. É ela sempre nova, e a mente nunca pode compreemdê-la.

A verdade não está longe de nós. Ela se acha à nossa frente,e só temos de saber olhá-la. A mente cheia de preconceitos, conclusões, crenças, não tem nenhuma possibilidade de vê-la; e um dos nossos piores preconceitos é o processo analítico. Percebendo isso, o abandonareis. E, uma vez abandonado, ele não tornará a enredar-vos; nunca mais pensareis com propósitos de ascenção, de repressão, de resistência, porque tudo isso está implicado na análise.

Para descobrir o que é verdadeiro, ou qual a finalidade da vida, ou para achar a verdade relativa a reincarnação ou qualquer problema humano, aquele que investiga, que busca a verdade, que deseja conhecer a verdade, precisa estar absolutamente certo de suas intenções. Se estas consistem em procurar segurança, o conforto, então, é bem evidente que ele não deseja a verdade; porque a verdade pode ser uma das coisas mais devastadoras e desconfortáveis. O homem que busca o conforto, não deseja a verdade: deseja apenas segurança, proteção, um refúgio onde não seja perturbado. Já o homem que busca a verdade, tem de abrir a porta às perturbações; porque só nos momentos de crise há o estado de alerta, há vigilância, ação. Só então aquilo que é pode ser descoberto e compreendido.

A Verdade não pode ser ensinada; tendes de descobri-la por vós mesmos; mas não tereis possibilidade de descobri-la se começardes com o pressuposto de que a Verdade existe ou não existe, de que Deus existe ou não existe. Só poderemos descobrir se existe ou não a Verdade, se começarmos a aprender, se passarmos a investigar, a indagar; e não há investigação quando se começa com uma conclusão, um pressuposto.

Se observades vossa própria mente, vereis quanto é difícil estar-se livre de conclusões. Afinal, o que sabeis é uma série de conclusões, constituída daquilo que vos foi ensinado, do que aprendestes dos livros ou do que achastes em vossas próprias reações - e sobre tal base começais a pensar, a levantar o edifício do pensamento! Mas, sem dúvida, a mente que deseja descobrir o que é Verdade ou Deus, deve começar sem nenhum pressuposto, nenhuma conclusão, quer dizer, livre para investigar. E se observades vossa própria mente, vereis que não é livre. Está cheia de conclusões, pejada de conhecimentos, provindo de muitos milhares de dias passados; ela pensa segundo o Gita, segundo a Bíblia ou o Alcorão, ou um certo instrutor, e começa com o pressuposto de que o que dizem é a Verdade. Mas, se ela já sabe o que é a Verdade, é claro que não tem necessidade de procurar a Verdade.

Uma mente torturada, frustrada, moldada pelo que a rodeia, que se conforma à moral social estabelecida é, em si própria, confusa; e uma mente confusa não pode descobrir o que é a Verdade. Para a mente descobrir esse estranho mistério -- se tal coisa existe - - ela precisa de construir as bases de uma conduta moral, o que não tem nada a ver com a moralidade social, uma conduta sem medos e, portanto, livre. Só então -- depois de lançada esta base profunda -- a mente poderá prosseguir no sentido de descobrir o que é meditação, essa qualidade de silêncio, de observação, no qual o "observador" não existe. Se esta base de conduta correcta não está presente na existência de cada um, na sua acção, então a meditação tem muito pouco significado.

Aqueles que desejam entender, que estão procurando descobrir o que é eterno, sem começo e sem fim, caminharão juntos com maior intensidade, e constituirão um perigo para tudo o que não é essencial, para as ilusões, para as sombras. E eles se congregarão, tornar-se-ão a chama, pois compreendem. Este é o conjunto de pessoas que devemos criar, e este é o meu propósito. Por causa dessa verdadeira amizade... haverá uma cooperação de verdade da parte de cada um. E não haverá autoridade.

Autor: Krishnamurti

24 de fevereiro de 2012

Como encontrar o propósito da vida?


Como você encontra alguma coisa? Pondo o coração e a mente nela. Deve haver interesse e recordação constantes. Recordar o que necessita ser recordado é o segredo do êxito. Chega-se a ele mediante a seriedade... A tenacidade de propósito e a honestidade na busca o levarão a sua meta... Primeiro dê o primeiro passo. Todas as bençãos vêm de dentro. Já conhece o "eu sou". Esteja com ele todo o tempo que possa até que volte a ele espontaneamente. Não há caminho mais fácil... O último propósito é alcançar a fonte da vida e da consciência... A seriedade é a única condição para o êxito. 

(...)

A verdadeira felicidade não se pode encontrar nas coisas que mudam e passam. O prazer e a dor se alternam inexoravelmente. A felicidade procede do ser. Encontre seu ser real e tudo chegará com ele... Você é o ser aqui e agora. Deixe a mente tranquila, seja consciente e desapegado e você compreenderá que permanecer alerta mas destacado, observando como os fatos vão e vêm, é um aspecto de sua verdadeira natureza. 

Esteja alerta. Investigue, observe, pergunte, aprenda tudo quanto possa sobre a confusão, como funciona, qual é o efeito em você e nos demais. Vendo claramente a confusão, você se libertará dela... As reações emocionais nascidas da ignorância ou da inadvertência nunca são justificadas. Busque uma mente clara e um coração limpo. Tudo que necessita é permanecer tranquilamente alerta, investigando a natureza real de si mesmo. Este é o único caminho para a paz... Vigie seus pensamentos, sentimentos, palavras e atos. Isso clareará sua visão... Tem que ser testemunha de si mesmo, continuamente, em particular de sua mente, momento a momento, sem perder nada. Este testemunhar é essencial para a separação entre o ser e o não-ser... Os apegos estão na mente e não o deixarão até que conheça sua mente por dentro e por fora. Primeiro o começo, conheça-se a si mesmo, tudo além virá por acréscimo... Vá para seu interior e descubra o que você não é. Nada mais importa!

Sri Nisargadatta Maharaj - Eu Sou Aquilo - Ed. Advaita

Apenas observe!

Observe o sentir do coração, o pensar da mente, o atuar do corpo, o próprio ato de perceber mostra que você não é o que percebe.

Abandone seu apego ao irreal e o real aparecerá por si mesmo, suave e tranquilamente. Deixe de imaginar-se sendo ou fazendo isto ou aquilo e a compreensão de que você é a fonte e o coração de tudo despontará em você. Com isto chegará um grande amor que não é escolha ou predileção, nem apego, mas um poder que faz todas coisas dignas de amor e adoráveis.

Entre o corpo e o ser há uma nuvem de pensamentos e sentimentos que não servem nem ao corpo, nem ao ser. Estes pensamentos e sentimentos são frágeis, transitórios e sem sentido, mera poeira mental que cega e sufoca, e que ai então, obscurecendo e destruindo.  

Sri Nisargadatta Maharaj - Eu Sou Aquilo - Editora Advaita

Deixe Deus ser uma celebração

Pergunta a Osho:
Por que só me lembro de Deus quando estou sofrendo?

Osho: Você não se lembra de Deus. Quando você está sofrendo, a sua lembrança de Deus é sem sentido.

Apenas porque você quer evitar o sofrimento, você se lembra de Deus como proteção. Você não está interessado em Deus, está interessado apenas em como evitar o sofrimento. É por isso que, quando você está feliz, esquece tudo sobre Deus.

Mas escute bem, só quando se lembra de Deus na felicidade é que há lembrança, caso contrário, não. No sofrimento todos se lembram de Deus - mesmo o ateu. É por isso que mesmo os ateus começam a ficar teístas quando envelhecem.

E na hora da morte quase todo ateu se torna um teísta - quando vem o sofrimento verdadeiro da morte, toda a sua filosofia do ateísmo desaparece. Mas isso não é oração verdadeira, autêntica, não é uma recordação autêntica.

As pessoas religiosas são aquelas que se lembram quando estão felizes, porque elas se lembram em gratidão. Quando você vê uma rosa, esse é o momento certo para se lembrar de Deus. A flor é motivo suficiente para se lembrar dele, uma indicação suficiente, uma causa suficiente, uma ocasião.

Quando você vê uma criança sorrindo, ou quando um pássaro voa no céu, quando está voando, ou o sol nascendo, ou uma estrela solitária de manhã está quase desaparecendo - se você sabe o que é beleza, você se lembrará de Deus nestes belos momentos.

Se você sabe o que é amor, se lembrará de Deus quando fizer amor. Se você sabe o que é alegria, se lembrará de Deus quando estiver cheio de alegria.

Estes são os momentos nos quais se agradece. E, depois, mesmo que se lembre dele no sofrimento, será uma lembrança verdadeira, caso contrário, não.

Se se lembrar apenas no sofrimento, você não se lembra de Deus - você simplesmente quer receber ajuda dEle. Você simplesmente quer usar a palavra "Deus", quer usar Deus, só isso.

No sofrimento, sua lembrança não tem nada a ver com Deus. Abandone-a; ela não tem sentido. Comece uma nova abordagem. Quando você estiver cheio de alegria, dançando, cantando, então lembre-se!

Deixe Deus estar associado com seus momentos positivos. É daí que começará a ir fundo no seu coração. Deixe Deus ser não um caso triste, mas uma celebração. Deixe Deus ser uma benção, uma graça divina.

Osho, em "Sufis: O Povo do Caminho"
Publicado no blog palavras de Osho
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